Play It Again, Sam
Alexandre Inagaki
O American Film Institute realizou recentemente uma enquete entre 1.500 atores, diretores e críticos a fim de eleger as 100 frases mais marcantes da história do cinema. O resultado, disponível neste link apontou como a fala mais memorável o antológico pé na bunda que Rhett Butler (Clark Gable) deu em Scarlett O'Hara (Vivien Leigh) em E o Vento Levou, de 1939:
- "Frankly, my dear, I don't give a damn" (tradução livre: "francamente, querida, não estou nem aí").
Ironicamente, o diálogo cinematográfico mais memorável de todos os tempos por pouco não foi limado da edição final, uma vez que os executivos do estúdio sugeriram o corte da fala, por acharem-na grosseira demais para os padrões da época. Menos mal que o produtor de E o Vento Levou, David O. Selnick, insistiu para que o fora dado por Butler permanecesse no filme.
Ainda sobre o assunto diálogos cinematográficos (sobre o qual já escrevi aqui), você sabia que algumas das citações mais famosas de filmes na verdade jamais foram proferidas? A seguir, os exemplos mais conhecidos.
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- "Play it again, Sam"
Nem Rick Blaine (Humphrey Bogart), nem Ilsa Lund (Ingrid Bergman). O diálogo mais famoso de Casablanca, clássico dirigido por Michael Curtiz em 1942, não é falado no filme. Ao solicitar ao pianista Sam (Dooley Wilson) para que toque a música que marcou seu romance com Rick, Ilsa na realidade diz:

- Play it, Sam. Play "As Time Goes By".
O personagem de Bogart foi bem mais ríspido ao fazer o mesmo pedido a Sam:
- You played it for her, you can play it for me!
A fala "Play it again, Sam" na verdade foi pronunciada pela primeira vez em Uma Noite em Casablanca, filme estrelado pelos irmãos Marx em 1946. E no entanto, nove entre dez cinéfilos não pestanejariam em jurar que ouviram tal diálogo da boca de Bogart ou Bergman. Coisas da magia do cinema, que fazem, por exemplo, com que a gente veja Rick e o Capitão Renault (Claude Rains) falarem sobre o começo de uma bela amizade na cena final do filme sem que fiquemos incomodados com o fato de uma cidade localizada no meio do deserto, como Casablanca, subitamente ser encoberta por uma misteriosa neblina.
Em tempo: Play It Again, Sam é o título original de Sonhos de um Sedutor, comédia dirigida por Herbert Ross em 1972 e estrelada por Woody Allen. No filme, Allen interpreta um crítico de cinema que, abandonado pela mulher, busca conselhos amorosos com ninguém menos que o espírito de Humphrey Bogart, encarnado na pele de seu personagem em Casablanca.
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- "Me Tarzan, you Jane"
Em Tarzan, o Homem-Macaco, filme dirigido por W.S. Van Dyke em 1932, a cena clássica que mostra o encontro entre Tarzan (interpretado por Johnny Weissmuller, ex-campeão olímpico de natação) e Jane Parker (Maureen O'Sullivan) apresenta na verdade o seguinte diálogo:
Jane: - (apontando para si mesma) Jane.
Tarzan: - (ele aponta para ela): Jane.
Jane: - E você? (ela aponta para ele) Você?
Tarzan: - (batendo com a mão no peito) Tarzan. Tarzan!
Jane: - (enfatizando a resposta correta) Tarzan...
Tarzan: - (apontando o dedo para lá e para cá) Jane. Tarzan. Jane. Tarzan...
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- "Elementary, my dear Watson"
O bordão clássico de Sherlock Holmes, personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle, jamais disse "Elementar, meu caro Watson" em qualquer um de seus livros. Desta vez, no entanto, estamos diante de um diálogo que sim, foi pronunciado em um filme. No caso, em O Retorno de Sherlock Holmes, dirigido e roteirizado por Basil Dean em 1929. O longa, apesar de ter recebido críticas negativas na época, possui o mérito de ter cunhado a frase que se tornaria a marca registrada do personagem, apesar de não aparecer em nenhum dos romances escritos por Conan Doyle.
Alexandre Inagaki é jornalista e escreve também no blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso.
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