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    VÍDEO: Dono do hit “Love Is On The Line”, Jack Savoretti fala com exclusividade à Antena 1

    Com previsão de estreia para o início de 2021, próximo álbum do cantor inglês de ascendência italiana é descrito como “o mais animado” de sua carreira

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    Clique no player acima para assistir a entrevista na íntegra.

    O próximo álbum de Jack Savoretti estava no caminho para se tornar um compilado de canções sobre o isolamento social. Mas o cenário mudou quando, junto à esposa – a atriz Jemma Powell –, o cantor inglês de ascendência italiana passou a organizar uma “festa doméstica” toda sexta-feira para distrair os dois filhos pequenos do casal durante a quarentena em Londres, no Reino Unido.

    Os momentos de descontração em família dariam novos rumos à obra: “Foi aí que percebi que é isso que o mundo vai precisar quando a pandemia passar, músicas que façam as pessoas se sentirem bem”, contou o artista em entrevista exclusiva à Antena 1.

    Veja também: Álbuns do momento: Singing To Strangers, de Jack Savoretti

    Com previsão de lançamento para o início de 2021, o novo álbum de Savoretti é descrito pelo cantor como “o mais animado” dos seis já publicados ao longo dos quatorze anos de sua carreira. O disco vai trazer referências à diferentes gêneros europeus dos anos 70 e 80 – principalmente bandas francesas, alemãs e italianas. 

    Em quase meia hora de videoconferência, o artista de 36 anos que alcançou o topo das paradas britânicas com o álbum “Singing To Strangers” (2019) falou sobre quarentena, tempo em família, inspirações musicais e seu novo instrumento musical favorito – o piano. 

    Savoretti comentou a experiência de co-escrever com fãs italianos a canção “Andrà Tutto Bene” – que teve seus lucros redirecionados para a manutenção da Policlínica San Martino, hospital de doenças infecciosas localizado em Gênova – e a importância de compartilhar ações positivas nas redes.

    Ele também demonstrou interesse em visitar o Brasil no futuro e revelou uma série de ligações com o país, que vão desde ter estudado com brasileiros no Ensino Médio à admiração pela cultura nacional, citando cantores como Tim Maia, Gilberto Gil, Seu Jorge e Rodrigo Amarante. O artista trabalha com um guitarrista mineiro, fez capoeira quando era mais jovem e considera “Cidade de Deus” (2002) um de seus filmes favoritos. 

    Confira na íntegra a entrevista com Jack Savoretti:

    Antena 1: Faixa de seu último álbum “Singing To Strangers (2019), “Love is On The Line” já está há mais de três semanas entre as 10 + pedidas da Antena 1. Como foi o processo criativo do single?

    Jack Savoretti: Sério? Isso é maravilhoso! Pode ser uma boa desculpa para eu finalmente visitar o Brasil (risos). Eu escrevi essa canção junto com o meu guitarrista Pedro Vieira de Souza, que é de Belo Horizonte. A música fala sobre cometer os mesmos erros constantemente. Quero dizer: ‘o amor está sempre na linha’, quando se ama alguém você sempre tem que cuidar desse sentimento, lutar por ele. Acho que a canção é sobre isso.

    Antena 1: Pela foto que você compartilhou no Instagram há alguns dias, parece que você finalmente conseguiu se encontrar com parte da banda que te ajuda nos shows. Novas produções estão a caminho?

    Jack Savoretti: Sim! Eu tenho escrito bastante com o Pedro. Nós fizemos algumas sessões para discutir composições pelo Zoom no período de quarentena, mas foi bem engraçado. Foi como ter um terapeuta, porque nós dizíamos um ao outro como estávamos nos sentindo e então escrevíamos uma canção.

    Tem bastante coisa nova a caminho. Eu venho trabalhando em um novo álbum e espero conseguir começar as gravações no estúdio em outubro. Assim, teremos um novo álbum no começo do ano que vem. É estranho porque nesse verão [atual estação no hemisfério norte] nós deveríamos estar muito ocupados fazendo shows ao redor do mundo, mas acabamos nos encontrando presos dentro de casa.

    Mas está sendo maravilhoso, estamos sendo bem produtivos e escrevendo o máximo que conseguimos. Esse é provavelmente o álbum mais animado que eu já fiz na vida! Eu acho que ano que vem as pessoas vão querer algo mais positivo, não tão pesado. Essa situação de pandemia me fez escrever músicas mais animadas, o que é muito estranho na verdade.

    Antena 1: Falando em fazer coisas em casa… Como você tem lidado com esses tempos de pandemia? O que você tem feito?

    Jack Savoretti: Tem sido maravilhoso passar mais tempo com meus filhos. Eu tenho duas crianças, uma de cinco e outro de oito. Tem sido impagável! Acho que o único ponto positivo dessa pandemia é ver famílias tendo a chance de passar mais tempo juntas e ver as pessoas reavaliando prioridades.

    A pandemia nos fez ficar incrivelmente mais próximos como família e me fez repensar como eu quero trabalhar no futuro, me fez valorizar ainda mais o tempo em família. Isso é algo em que eu sempre acreditei, mas agora realmente sei o que isso significa. Então, tenho entendido ainda mais a importância da família.

    Para mim, é estranho passar tanto tempo em casa. Eu nunca fico longe por mais de duas semanas, porque esse é o limite máximo de tempo que fico distante de casa. E eu tento vir para cá o máximo que consigo mesmo quando estou em turnês, geralmente a cada três ou quatro dias eu passo em casa. Foi adorável não estar mais saindo, mas ficando em casa. As crianças sofrem bastante toda vez que eu saio. Cinco minutos depois elas já estão bem, mas toda vez que eu saio é difícil para todos nós. Então, tem sido maravilhoso não ter que passar por isso. 

    Antena 1: Ao mesmo tempo, você também está sentindo falta de “cantar para estranhos” (referência ao álbum “Singing To Strangers”)?

    Jack Savoretti: Eu me surpreendi com o quanto estou sentindo falta de cantar para estranhos! Realmente me surpreendi com o quanto sinto falta de fazer música ao vivo, de conexão ao vivo… Eu acabei fazendo isso todos os dias no Instagram por um período. Cantava uma canção por dia. Foi meu jeito de tentar manter a conexão com o público. Eu tenho escutado muito Chet Baker, Rita Franklin, Bill Withers – porque ele faleceu durante o período de quarentena. Tem música na nossa casa o dia inteiro!

    Antena 1: Tem alguma música brasileira nessa lista?

    Jack Savoretti: Meu Deus, tem muitas! É engraçado porque eu participei recentemente de um programa na Radio 2 [da empresa de comunicação britânica BBC] sobre vertentes musicais ao redor do mundo e nós falamos sobre música brasileira, como João Gilberto, Tim Maia – aquela música “O Caminho do Bem” é uma das minhas favoritas. Falei também sobre Cidade de Deus, que é um dos meus filmes favoritos no mundo, a trilha sonora desse filme é inacreditável. A coletânea de canções de David Bowie gravadas pelo Seu Jorge, que é maravilhoso; o Rodrigo Amarante, que é fantástico e eu amo!

    Antena 1: E você co-escreveu com seus fãs italianos uma canção durante o período de isolamento social – a faixa “Andrà Tutto Bene”. Como foi a experiência de produzir uma música junto com o público?

    Jack Savoretti: Foi uma loucura, uma experiência mágica. Também foi difícil, mas bem espontâneo. Não foi planejado, eu não pensei muito sobre a faixa. Quando a Itália começou a ser atingida pela Covid-19, decidi ficar quieto porque muitas pessoas estavam dizendo coisas com as quais eu não concordava.

    Eu acho que a gente ainda não sabia o suficiente sobre a situação, então não falei nada porque não queria afirmar coisas erradas, porque não se trata de opinião, mas sim de ciência. Isso é um vírus, então não é sobre posicionamento político ou o que as pessoas acham que é certo ou errado, é uma questão factual.

    Então, esperei para ver o que acontecia e, quando o país entrou em quarentena, muitos fãs começaram a mandar mensagem falando que estavam se sentindo sozinhos, enquanto o resto do mundo parecia não se dar conta da situação.

    Acho que eles estavam se sentindo muito isolados, então pensei em fazer uma live no Instagram com meus fãs italianos e ver como eles estavam, fazer companhia. Passei uma hora com alguns fãs e, no dia seguinte, entrei em pânico, porque é meio difícil conversar com estranhos. Foi aí que achei que seria divertido se escrevêssemos uma canção juntos. Pensei nessa possibilidade por diversão, para ajudá-los a passar o tempo. Mas, imediatamente, as pessoas começaram a dizer que a letra era maravilhosa. As pessoas estavam bem assustadas, foi muito intenso, e essa linda composição surgiu daí. 

    E foi bem difícil porque então nós [na Inglaterra] também entramos em quarentena, mas eu queria muito gravar essa canção. Então, usamos imagens de arquivo de emissoras para o clipe e a canção conseguiu levantar uma boa quantidade de dinheiro para o hospital San Martino, em Gênova. Hoje, a música pertence ao hospital, todos deram seus direitos de publicação à instituição. 

    Antena 1: Essa foi sua primeira música em italiano, certo? Você pensa em gravar outras músicas em italiano no futuro?

    Jack Savoretti: Sim, mas eu não escrevi sozinho, foram os fãs junto comigo, mas foi maravilhoso! Eu fiz alguns covers em italiano no passado, mas acho que é muito fácil escrever uma canção ruim em italiano e realmente difícil compor uma boa... Você tem que dominar muito bem o idioma. Eu falo italiano fluentemente, mas não sou bom o suficiente. Talvez no futuro eu grave alguma...

    Antena 1: Você também tem compartilhado outros projetos sociais nas redes. Acha que é uma responsabilidade enquanto artista?

    Jack Savoretti: Acho que é a responsabilidade de todo mundo. Agora estamos tão conectados nas redes sociais, acho que é importante não só falar, mas fazer algo para mudar as coisas. Muita gente diz que a ‘droga da nossa geração’ é só comentar, mas fazer algo sobre as coisas é o que realmente deveríamos estar fazendo. Se você faz algo bom e compartilha com o próximo, isso pode inspirar outras pessoas a fazer o mesmo. Claro que se você tem mais pessoas prestando atenção no que você faz parece mais importante ser um exemplo, mas é um tema complicado. Acho que todo mundo é responsável por tentar tratar os outros como você gostaria de ser tratado. 

    Antena 1: E quais são as principais inspirações para suas faixas? Estes tempos de pandemia estão influenciando suas composições?

    Jack Savoretti: Esses tempos de pandemia definitivamente estão me inspirando, mas eu fui bem cuidadoso porque logo me vi escrevendo músicas diariamente sobre isolamento social ou sobre o que estava vendo. Eu não tenho uma imaginação muito boa, a maioria das coisas que escrevo é sobre coisas que já aconteceram. Eu comparo o ofício do compositor ao do fotógrafo. Eu não sou um pintor, sou como um fotógrafo, tento capturar e descrever o que estou vendo, sentindo, vendo as pessoas sentirem ou o que está acontecendo...

    A maioria das minhas músicas é verdadeira, mas com a pandemia eu tentei não escrever um álbum sobre isolamento. Eu queria fazer isso no começo, mas então comecei a escutar músicas alegres, divertidas e positivas. Toda sexta-feira à noite eu, minha esposa e as crianças decidimos fazer uma ‘festa’ dentro de casa, colocamos roupas de festa e dançávamos, tentando nos divertir.

    E foi aí que percebi que acho que é isso que o mundo vai precisar quando a pandemia passar, algo que faça as pessoas se sentirem bem, então isso inspirou muito do que estou escrevendo agora. No passado nem sempre foi assim, infelizmente muito do que me inspirou não foram episódios felizes, mas agora tem muita felicidade ao meu redor e acho que vocês vão perceber isso no meu próximo álbum.

    Antena 1: E quais são as principais inspirações para esse novo álbum?

    Jack Savoretti: Eu tenho sido muito influenciado por música europeia das décadas de 1970 e 1980. Não sei como descrever, mas não há exatamente um gênero que defina a música europeia nos últimos tempos. Então, eu quis fazer um álbum que mostrasse vários estilos europeus musicais diferentes dos últimos 50 anos, dos anos de 1970 e 1980 em particular. É divertido, é diferente de tudo que eu já fiz. Não é louco, continua sendo eu, não é como se eu estivesse escrevendo as músicas como um DJ no palco (risos), mas eu tenho escutado muitas bandas francesas, alemãs, italianas. Alguma coisa está acontecendo na Europa e eu realmente quero fazer parte disso.

    Antena 1: Como você acha que as pessoas vão se conectar com esse trabalho?

    Jack Savoretti: Eu espero que faça as pessoas felizes. Que faça elas dançarem e se sentirem bem. É assim que eu me sinto. Toda vez que escrevo uma música, fico esperando que as pessoas também sintam o que eu senti. No final do dia, meu trabalho é sentir algo e compartilhar isso.

    Antena 1: Você também parece estar mais próximo do piano nos últimos meses. Por que?

    Jack Savoretti: O piano meio que salvou minha sanidade durante estes tempos. Eu não sei como essa quarentena seria se eu não tivesse esse piano, porque eu amo meu violão, é como uma parte do meu corpo, mas tem algo sobre o piano que é: você meio que tem que olhar para ele face a face todo dia. Tem sido uma companhia para mim, um amigo, mas também um desafio de olhar para mim face a face todo dia, e tem sido muito bom para mim. Me mantém usando meu cérebro!

    Antena 1: Seu público de fãs é bastante significativo no Brasil. Pretende incluir o país na sua agenda de shows no futuro?

    Jack Savoretti: Tecnicamente, não… Mas eu estou morrendo de vontade de ir para o Brasil! Meu guitarrista é brasileiro, eu tenho tantos amigos aí. Eu cresci com vários brasileiros, estudei com tantas crianças do Brasil que estudaram em escolas norte-americanas na Suíça… A garota que eu gostava no ensino médio era uma brasileira de São Paulo! Eu adoro tudo sobre a cultura brasileira e não estou falando isso só por falar, eu genuinamente gosto. Fiz capoeira por três anos quando tinha 20 anos, amo futebol – todo mundo que gosta de futebol ama o Brasil –, amo a música, as pessoas... Então, sim, definitivamente é um lugar que quero visitar. Estou muito lisonjeado que agora tenho fãs no Brasil, é muito legal!

    Antena 1: Quer deixar uma mensagem para os seus fãs brasileiros?

    Jack Savoretti: Eu quero dizer que mal posso esperar para ver vocês. Eu espero que tudo fique bem no Brasil, porque estou acompanhando a situação de perto por ter amigos que vivem aí e acho que é uma grande tragédia o que está acontecendo no país e no mundo inteiro também. Mas eu realmente torço para que todos no Brasil possam estar seguros e envio muito amor para vocês. Espero que tudo fique bem para que possa ir para aí o mais cedo possível!

    Antena 1: Qual das suas músicas você dedicaria aos fãs do país?

    Jack Savoretti: Boa pergunta! Para os meus fãs brasileiros eu provavelmente dedicaria “Youth and Love”, porque todos os meus fãs do Brasil sempre me dão muito amor e são muito jovens, enérgicos, divertidos e positivos!

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