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60 ANOS DE “THAT’S LIFE” A CANÇÃO QUE FRANK SINATRA “ROUBOU” PARA SI

GRAVADA EM 1966, A MÚSICA SE TORNOU UM DOS GRANDES HINOS DO ÍCONE DA MÚSICA AMERICANA

João Carlos

18/02/2026

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Crédito: Newsmakers (Getty) via Rolling Stone

Em 2026, “That’s Life” se aproxima de completar seis décadas desde sua gravação e lançamento oficial. Interpretada por Frank Sinatra, a canção tornou-se um dos registros mais emblemáticos de sua fase madura, sintetizando queda, superação e retorno — temas que dialogam diretamente com a própria trajetória do artista.

Como a música chegou até Sinatra

A história começa antes da gravação considerada definitiva. Em 1965, Frank Sinatra ouviu no rádio a versão de O. C. Smith, que começava a subir nas paradas. A canção já havia sido registrada anteriormente pela cantora Marian Montgomery, mas foi aquela execução específica que capturou sua atenção.

O impacto foi imediato: Sinatra parou o carro e telefonou para sua filha, Nancy Sinatra, pedindo que localizasse a editora da composição. Ele queria gravá-la.

Nancy conseguiu o contato, e o projeto começou a ganhar forma.

Antes mesmo da gravação definitiva em estúdio, Sinatra apresentou a música pela primeira vez em seu especial televisivo A Man and His Music – Part II, exibido em 1966, com arranjo de Nelson Riddle, parceiro histórico do cantor. A interpretação exibida no programa já demonstrava a força dramática da canção e indicava seu potencial comercial.

Quando finalmente registrada em estúdio e lançada em álbum, a música confirmou essa expectativa. Mais do que um sucesso, consolidou-se como a leitura definitiva da composição — exemplo claro de como Sinatra tinha a capacidade singular de transformar uma canção em algo essencialmente seu, quase como se a tivesse “roubado” para si no imaginário popular.

A gravação definitiva

A versão que entrou para a história foi registrada em 25 de julho de 1966, no estúdio United Recording, em Hollywood.

O arranjo e a regência ficaram a cargo de Ernie Freeman, com produção de Jimmy Bowen. O trio já havia trabalhado junto no mesmo ano em “Strangers in the Night”, sucesso que renderia a Sinatra o Grammy de Melhor Performance Vocal Masculina.

Naquele ano, Sinatra vivia um momento de grande exposição comercial e artística. Era dono da Reprise Records, acumulava sucessos e consolidava sua imagem como intérprete sofisticado e resiliente.

Recepção e impacto na época

Lançada como single e incluída no álbum That’s Life (1966), a faixa alcançou o Top 10 da Billboard Hot 100, consolidando-se como um dos maiores sucessos da fase final dos anos 1960 do cantor.

A crítica destacou a entrega vocal intensa e o arranjo grandioso, marcado por metais fortes e uma atmosfera quase cinematográfica. A interpretação não era apenas técnica; era teatral, carregada de personalidade e convicção.

O que há de especial na canção?

Musicalmente, “That’s Life” mistura swing, pop orquestral e dramaticidade urbana. Não foi revolucionária do ponto de vista estrutural, mas inovou na interpretação emocional.

A letra — sobre altos e baixos, fracassos públicos e retornos triunfais — encontrou em Sinatra um intérprete perfeito. Ele próprio havia enfrentado fases difíceis nos anos 1950 antes de retornar ao topo. A música parecia quase autobiográfica.

Atravessando seis décadas

Ao longo das décadas, “That’s Life” foi regravada por diversos artistas e incorporada a trilhas sonoras, mantendo-se relevante em diferentes contextos culturais graças à sua mensagem universal de resiliência.

Em 2019, a canção ganhou novo impulso ao integrar a trilha sonora de Coringa. A utilização no longa acrescentou uma camada de ironia e dramaticidade à letra, apresentando a música a uma geração que talvez nunca tivesse explorado o catálogo de Frank Sinatra.

Após o lançamento do filme, plataformas digitais registraram aumento expressivo nas execuções da faixa, reacendendo o interesse pelo repertório do cantor.

Curiosamente, a versão regravada por Lady Gaga não teve a mesma repercussão comercial da original. Ainda assim, sua leitura — mantendo o clima jazzístico e a atmosfera clássica da composição — contribuiu para reforçar o caráter atemporal da música. Ao dialogar com o arranjo tradicional, Gaga acabou reafirmando, de forma indireta, a força e a permanência da interpretação consagrada por Sinatra.

Um legado em movimento

Ao se aproximar dos 60 anos, “That’s Life” permanece como um retrato sonoro da capacidade de reinvenção. A música continua atual porque fala de algo permanente: cair, levantar e seguir.

Seis décadas depois, a frase que dá título à canção ainda ecoa com a mesma força.

Porque, como Sinatra deixou claro, os altos e baixos fazem parte do caminho — e o retorno pode ser maior do que a queda.

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