A FASE COUNTRY DE RINGO STARR
NOVO ÁLBUM “LONG LONG ROAD” EXPLICA VIRADA MUSICAL E MOMENTO CRIATIVO CONSISTENTE
João Carlos
28/04/2026
Aos 85 anos, Ringo Starr segue em movimento — e, para compreender seu momento atual, a resposta passa menos por uma “mudança repentina” e mais por um caminho que vem sendo construído há anos. O lançamento de Long Long Road, no último dia 23 de abril, consolida uma aproximação cada vez mais evidente com o universo do country e da música americana, dentro de uma fase madura, leve e surpreendentemente produtiva.
A influência americana como motor criativo
Antes de parecer uma aventura no country, o novo álbum mostra, na prática, um retorno às raízes. Desde os tempos de The Beatles, Ringo já demonstrava afinidade com a música americana — especialmente o country clássico e o rockabilly. Faixas como Act Naturally já apontavam esse interesse décadas atrás.
Agora, em Long Long Road, essa inclinação ganha protagonismo. Segundo a reportagem da BBC, o disco tem uma sonoridade mais próxima de Nashville e Los Angeles do que de Liverpool — uma declaração estética clara sobre a fase atual do artista.
O próprio Ringo tem reforçado, em entrevistas recentes, que não vê o álbum como uma ruptura, mas como continuidade. Depois de projetos anteriores já flertando com o gênero — como Look Up —, Long Long Road surge como um aprofundamento natural.
Essa relação construída ao longo do tempo oferece ao músico um território natural para contar histórias, explorar melodias diretas e preservar a espontaneidade que sempre marcou sua carreira. Como ele próprio tem destacado, o prazer de tocar ao vivo e transitar entre turnês e estúdio segue sendo o principal motor criativo — um ciclo que permanece ativo mesmo após mais de seis décadas de trajetória.
"Eu amo música country. Liverpool amava música country; era uma cidade muito musical. Muitos dos jovens do bairro trabalhavam na marinha mercante; eles iam para os Estados Unidos e voltavam com esses discos", disse Sir Ringo em outra entrevista.
Cultura pop, cinema e permanência
A entrevista da BBC também abordou outro tema que reforça sua relevância cultural: o ator Barry Keoghan, escolhido para interpretá-lo no novo projeto cinematográfico sobre os Beatles, dirigido por Sam Mendes.
Esse cruzamento entre música, cinema e memória pop reforça como Ringo Starr segue despertando o interesse de novas gerações. O lançamento de Long Long Road se insere justamente nesse contexto: o de um artista histórico que permanece ativo, influente e em constante reinvenção.
Por que Ringo assumiu seu lado country?
A resposta, no fim das contas, é simples — e nada acidental. Ringo Starr não assumiu o country: ele voltou para um território que sempre fez parte da sua formação musical.
O que mudou foi o momento. Livre de pressões comerciais e confortável com sua identidade artística, ele transforma essa influência em linguagem principal. O resultado é um álbum que não soa como experimento, mas como consequência natural de uma trajetória longa, coerente e, acima de tudo, ainda em curso.


