Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

A FORÇA DAS NOVAS CANÇÕES DO U2

NOVOS EPS REFORÇAM A IDENTIDADE DA BANDA E PROVOCAM LEITURAS DIVIDIDAS NA CRÍTICA

João Carlos

06/04/2026

Placeholder - loading - Créditos da imagem: Prodip Guha/Getty images
Créditos da imagem: Prodip Guha/Getty images

As críticas recentes aos novos EPs do U2 indicam que parte da imprensa está, no mínimo, desalinhada em suas análises.

A linha dominante aponta que a banda tenta retomar relevância política e emocional, reforçando seu papel como cronista de crises contemporâneas — algo que, na prática, sempre foi uma de suas principais características. Curiosamente, em momentos anteriores, o grupo chegou a ser criticado justamente por se afastar desse posicionamento.

Se antes a crítica apontava a perda desse traço como um problema, e agora questiona o retorno a essa essência, resta a dúvida: qual seria, afinal, o caminho aceitável para Bono e companhia?

É dentro desse contexto que surgem os dois novos EPs, com propostas distintas, mas complementares.

Days of Ash

O EP Days of Ash reúne seis faixas inéditas mais diretas, com forte tom político e de protesto, abordando temas como violência, luto e crise humanitária.

  • American Obituary
  • The Tears of Things
  • Song of the Future
  • Wildpeace — poema de Yehuda Amichai, lido por Adeola, com música do U2 e Jacknife Lee
  • One Life At a Time
  • Yours Eternally — com Ed Sheeran e Taras Topolia.

Leitura do repertório

O encadeamento das faixas sugere um percurso que vai da indignação à esperança, partindo de imagens de trauma e chegando a um desfecho mais humanista.

Easter Lily

O EP Easter Lily reúne seis faixas inéditas e foi descrito pelo próprio U2 como um trabalho mais íntimo e reflexivo, ligado a temas de amizade, perda, esperança e renovação.

  • Song for Hal
  • In a Life
  • Scars
  • Resurrection Song
  • Easter Parade
  • COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times?)

Leitura sonora

A leitura predominante é de que o EP se afasta do protesto direto de Days of Ash e aposta em um clima mais contemplativo, com letras pessoais e atmosfera ligada à ideia de renovação.

O significado do título

O nome Easter Lily remete à flor associada à Páscoa, à memória e à renovação, além de dialogar com Easter (1978), de Patti Smith, citado por Bono como referência.

Qual é a leitura geral da crítica

A leitura, no entanto, levanta uma questão relevante: até que ponto a identidade sonora de uma banda pode ser confundida com repetição?

O ângulo do grupo

Para um grupo cuja trajetória foi construída justamente sobre um DNA artístico bem definido, abrir mão dessa identidade dificilmente seria uma alternativa coerente.

Ao considerar os elementos que consolidaram o U2 como um dos maiores nomes da música, o repertório apresentado até aqui se posiciona entre os mais consistentes das últimas décadas.

A comparação com trabalhos recentes ajuda a dimensionar essa mudança. Em Songs of Surrender, centrado em releituras do próprio catálogo, e em Songs of Experience, mais voltado a experiências pessoais de Bono, a banda explorou caminhos que se afastavam de seu tradicional discurso político.

Segundo análise da revista MOJO, os EPs “Easter Lily” e “Days Of Ash” representam um reencontro com os fundamentos que definiram a identidade do U2. Ambos surgem como lançamentos independentes, distintos do próximo álbum de estúdio, ainda em produção, e reforçam a força criativa que consolidou a banda como um dos nomes mais relevantes da música.

Para além das leituras iniciais da crítica, os novos trabalhos convidam a uma escuta mais atenta, revelando nuances que ajudam a compreender essa nova fase do grupo.

Compartilhar matéria

Tags

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.