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A INFLUÊNCIA DE MARILYN MONROE NA CULTURA POP

CENTENÁRIO DA ATRIZ MOSTRA COMO SUA IMAGEM SE TORNOU UM CÓDIGO VISUAL DA MÚSICA

João Carlos

02/06/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

No ano em que se torna uma figura centenária, Marilyn Monroe permanece presente na cultura pop muito além do cinema. A atriz, que completaria 100 anos em 1º de junho de 2026, deixou de ser apenas uma estrela da Era de Ouro de Hollywood para se transformar em um dos arquétipos mais reconhecíveis do entretenimento: a loira luminosa, glamourosa, vulnerável e, ao mesmo tempo, consciente do poder da própria imagem.

Sua influência é tão forte que, diante de uma cantora loira cercada por flashes em um tapete vermelho, é quase inevitável pensar em Marilyn. O cabelo platinado, o batom marcante, os vestidos de impacto e a teatralidade de estrela não ficaram presos aos anos 1950. Eles atravessaram décadas e foram reinterpretados por artistas que usaram a imagem da “loira icônica” como homenagem, crítica, provocação ou ferramenta de controle da própria narrativa.

A permanência desse imaginário também explica por que o centenário de Marilyn está sendo tratado como um acontecimento cultural. O Academy Museum, em Los Angeles, abriu a exposição “Marilyn Monroe: Hollywood Icon”, dedicada a analisar a atriz como intérprete e criadora da própria imagem pública. Em Londres, a National Portrait Gallery também preparou uma mostra sobre vida, carreira e legado da artista, em associação com o espólio de Marilyn Monroe.

Quem foi Marilyn Monroe

Créditos da imagem: AlfredEisenstaedt/ © Time Inc.

Marilyn Monroe nasceu como Norma Jeane Mortenson, em Los Angeles, em 1º de junho de 1926. Ao longo dos anos 1950, tornou-se uma das maiores estrelas de Hollywood graças a filmes como Gentlemen Prefer Blondes, The Seven Year Itch e Some Like It Hot. Mais do que uma atriz de sucesso, porém, Marilyn se transformou em um fenômeno cultural capaz de atravessar gerações.

Sua imagem ajudou a definir um dos arquétipos femininos mais reconhecidos do século XX: a loira glamourosa, sedutora e aparentemente inalcançável. Mas essa é apenas uma parte da história. Por trás das fotografias, dos vestidos icônicos e dos flashes incessantes, existia uma mulher que lutava para ser levada a sério como artista e para exercer controle sobre a própria carreira em uma indústria dominada pelos grandes estúdios.

Talvez seja justamente essa combinação de brilho e fragilidade, força e vulnerabilidade, que explique por que Marilyn continua fascinando o público cem anos depois de seu nascimento. Ela deixou de ser apenas uma estrela de cinema para se tornar um símbolo universal sobre fama, desejo, exposição e identidade — temas que seguem presentes na trajetória de muitas das maiores artistas da música pop.

A reinvenção da Garota Material

A referência mais explícita talvez seja Madonna. Em “Material Girl”, de 1985, a cantora recriou o universo visual de “Diamonds Are a Girl’s Best Friend”, número eternizado por Marilyn em Gentlemen Prefer Blondes. O próprio Rhino, selo ligado ao catálogo da Warner, descreve o clipe como uma referência direta ao filme clássico e à performance de Monroe.

Madonna mudou o sentido da imagem. Se Marilyn virou símbolo de um glamour moldado por Hollywood, a cantora transformou o mesmo código em linguagem de provocação, ambição e autonomia pop. A “loira fatal” deixou de ser apenas musa observada para se tornar autora do próprio espetáculo.

Associação visual inevitável

Gwen Stefani também fez do cabelo platinado e do batom vermelho uma assinatura. Em entrevista à Teen Vogue, a cantora contou que cresceu inspirada por filmes antigos, por Marilyn Monroe e pelo glamour de Hollywood. Essa referência atravessou sua estética desde o No Doubt até sua carreira solo.

No caso de Gwen, o arquétipo ganhou outra camada: menos diva intocável, mais vocalista de banda. Ela misturou feminilidade clássica, atitude ska, punk e pop, mostrando que a imagem inspirada em Marilyn também poderia funcionar como marca de força, humor e personalidade.

Hollywood vintage em voz pop

Com Christina Aguilera, a conexão apareceu de forma mais evidente na fase Back to Basics. A cantora revisitou jazz, soul, cabaré e glamour antigo, aproximando sua imagem de uma Hollywood vintage, com cabelo loiro, maquiagem marcada e estética retrô. A Vogue observa que, em sua fase de 2007, Christina brincou com visual e sonoridade de “Old Hollywood”, inspirada por grandes nomes da música.

Essa leitura combina com o lugar de Christina no pop: uma artista que usou o glamour como palco para potência vocal, teatralidade e afirmação artística. A referência a Marilyn aparece menos como imitação literal e mais como atmosfera.

De Hollywood ao teatro pop

Lady Gaga levou esse imaginário para o teatro pop. Ao longo da carreira, ela usou o loiro platinado como parte de uma construção artística baseada em personagens, moda e performance. Em diferentes fases, incorporou elementos associados ao glamour clássico de Hollywood, reinterpretando referências visuais ligadas a Marilyn Monroe dentro de uma linguagem marcada pelo exagero, pela teatralidade e pela experimentação estética.

Em Gaga, Marilyn vira linguagem de cena. O glamour aparece ao lado do exagero, da arte conceitual e da crítica à fama. É o arquétipo da estrela levado ao limite da performance.

A anti-imagem como homenagem

Na geração mais recente, Billie Eilish usou o arquétipo de forma quase oposta. Ao surgir loira e com uma estética inspirada em divas de Hollywood na capa da British Vogue, em 2021, ela provocou uma mudança brusca na forma como o público a via. Pouco depois, no Met Gala, a Vogue descreveu seu vestido Oscar de la Renta como uma homenagem a Marilyn Monroe.

No caso de Billie, a referência abriu uma discussão sobre imagem, amadurecimento e expectativa pública. A cantora não adotou Marilyn como fantasia fixa, mas como um capítulo visual capaz de questionar o olhar lançado sobre mulheres jovens na música.

A loira ousada da nova geração

Crédito da imagem: Vogue

Sabrina Carpenter representa uma atualização mais leve e autoconsciente desse repertório. Em ensaio para a Vogue, repercutido pela People, a cantora apareceu em looks pin-up e foi associada a referências como Marilyn Monroe e Madonna.

A diferença é o tom. Sabrina usa o glamour com humor, ironia e timing de redes sociais. Em vez de apenas reverenciar o passado, ela transforma a estética da loira clássica em linguagem pop contemporânea, feita para circular entre palco, videoclipe, moda e internet.

Imagem feminina como produto

Britney Spears se conecta a Marilyn por um caminho mais simbólico. A comparação não depende apenas do visual loiro, mas da forma como uma estrela feminina pode ser transformada em propriedade pública. Assim como Marilyn, Britney viveu sob uma exposição constante, com sua vida pessoal acompanhada, julgada e consumida em escala global. A trajetória das duas artistas ajuda a ilustrar o custo da fama e a dificuldade de preservar a própria identidade quando a imagem pública se torna maior do que a pessoa por trás dela.

Nesse ponto, Marilyn deixa de ser apenas imagem de glamour e passa a representar uma pergunta incômoda: quanto da estrela pertence a ela mesma e quanto é apropriado pelo público, pela imprensa e pela indústria?

Vulnerabilidade e domínio da própria narrativa

Taylor Swift, por sua vez, dialoga com esse legado por um caminho diferente. Mais do que recorrer à estética associada a Marilyn Monroe, a cantora explora em suas composições temas como fama, exposição pública, bastidores da indústria e o desgaste emocional provocado pelos holofotes. Ao longo da carreira, suas letras frequentemente retratam a transformação da vida privada em espetáculo, refletindo sobre o preço da celebridade e a busca por autonomia em meio à constante observação do público.

Por isso, a relação entre Taylor e Marilyn funciona como leitura cultural. Não se trata de uma homenagem visual direta, mas de uma aproximação temática: a artista que entende o peso da fama, transforma a vulnerabilidade em narrativa e tenta manter controle sobre a própria história.

O poder da imagem icônica e eterna

Cem anos depois de seu nascimento, Marilyn Monroe continua funcionando como um espelho para o pop. Cada geração olha para ela e enxerga algo diferente: poder, vulnerabilidade, glamour, armadilha, performance ou liberdade. O curioso é que poucos elementos visuais bastam para evocar Marilyn imediatamente, do cabelo loiro ao olhar de estrela eternizado pela fotografia e pela pop art.

É justamente essa multiplicidade que mantém sua imagem viva. Marilyn deixou de ser apenas uma atriz de Hollywood para se tornar uma linguagem visual — e poucas linguagens foram tão revisitadas pela música pop.

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