AL GREEN REVISITA BEE GEES, LOU REED E R.E.M. EM NOVO EP
TRABALHO APRESENTA RELEITURAS INTIMISTAS E PARCERIA COM RAYE
João Carlos
03/02/2026
No início do ano, Al Green lançou o EP To Love Somebody, um trabalho conciso que reafirma sua relevância artística mesmo após décadas de carreira. Longe de soar como um exercício nostálgico, o lançamento foi recebido como um gesto maduro, sensível e coerente com a trajetória de um dos grandes nomes da soul music.
O EP reúne quatro canções, todas releituras cuidadosamente escolhidas, nas quais Al Green imprime sua assinatura vocal marcada por intimidade, suavidade e forte carga emocional. O projeto revisita clássicos do pop e do rock sob uma ótica soul, respeitando as composições originais e explorando novas camadas interpretativas.
Produzido por Matthew Johnson, o EP conta com a participação da lendária Hi Rhythm Section, formação histórica associada ao som clássico de Al Green. Estão presentes o reverendo Charles Hodges no órgão, Leroy Hodges no baixo, Archie “Hubbie” Turner no piano, Will Sexton na guitarra e Steve Potts na bateria. Os arranjos de cordas ficam a cargo de Lester Snell, veterano do selo Stax, reforçando o caráter orgânico e elegante das gravações.
Clássicos revisitados com identidade própria
To Love Somebody
A canção que dá título ao EP, originalmente imortalizada pelos Bee Gees, surge aqui com arranjo contido e foco absoluto na voz. Al Green transforma o romantismo direto da versão original em algo mais introspectivo e quase confessional, reforçando o caráter atemporal da composição e sua afinidade com o soul clássico.
Perfect Day – featuring RAYE
A parceria com RAYE conecta o EP ao presente sem romper com a identidade do cantor. Trata-se de uma versão alternativa do clássico de Lou Reed, em que a presença de RAYE funciona como contraponto vocal delicado, criando um diálogo elegante entre gerações e mantendo o foco na emoção e na interpretação.
I Found a Reason
Aqui, Al Green revisita a canção escrita por Lou Reed e popularizada pelo The Velvet Underground. Com um arranjo mais quente e orgânico, a faixa funciona como ponte entre o rock alternativo e o soul, evidenciando a capacidade do cantor de ressignificar estruturas melódicas de outros universos musicais.
Everybody Hurts
O clássico do R.E.M. ganha uma das releituras mais comentadas do projeto. Al Green desacelera a canção e a conduz para o território do soul, ampliando o peso emocional da letra. A interpretação foi apontada por críticos como um dos pontos altos do EP, justamente pela delicadeza e pela ausência de dramatização excessiva.
Recepção crítica e resposta do público
A recepção ao trabalho foi amplamente positiva. Críticos destacaram que, mesmo em uma fase mais reservada da carreira, Al Green mantém expressividade vocal e autoridade artística, explorando silêncios, timbres e interpretações que dão novo significado às composições escolhidas.
Entre os destaques recorrentes está a versão de Everybody Hurts, frequentemente citada como um dos momentos mais fortes do EP. Entre os fãs, o lançamento foi visto como uma reafirmação de que Al Green segue ativo criativamente, sem a necessidade de reinventar sua essência.
Um retorno que reforça o legado
Mais do que marcar um retorno pontual, To Love Somebody reforça a posição de Al Green como um intérprete capaz de atravessar épocas, gêneros e estilos. O EP dialoga com o presente sem perder conexão com o passado, mostrando que a soul music continua sendo um espaço de profundidade emocional e elegância artística.
Ao optar por um formato curto e repertório conhecido, Al Green entrega um trabalho que valoriza a interpretação acima de tudo, lembrando que, em certos casos, menos é mais — especialmente quando a voz carrega história.
Al Green e seu clássico absoluto de 54 anos

Capa do álbum Let’s Stay Together (1972), de Al Green – Hi Records
Lançada no álbum Let’s Stay Together, em janeiro de 1972, a canção “Let’s Stay Together” completou 54 anos como um dos pilares do soul americano. O clássico permanece como a obra mais emblemática da carreira de Al Green, atravessando gerações e reafirmando sua importância cultural até hoje.


