ANTENA 1 E OS CLÁSSICOS QUE TAMBÉM COMPLETARAM 50 ANOS EM 2025
EMISSORA CELEBRA MEIO SÉCULO NO AR AO LADO DE CANÇÕES QUE MARCARAM 1975 E A HISTÓRIA DA MÚSICA POP MUNDIAL
João Carlos
31/12/2025
Em 2025, a Antena 1 completou 50 anos no ar. Meio século levando música de qualidade para quem respeita – e vive – a boa produção musical. E, para celebrar essa data especial, a emissora olha para o ano em que tudo começou e relembra clássicos de 1975 que também estão soprando 50 velinhas e seguem presentes na programação.
Mais do que nostalgia, é uma oportunidade de mostrar como as músicas que completam 50 anos continuam atuais, emocionando novas gerações de ouvintes da Antena 1 todos os dias.
1975: o ano em que a Antena 1 entrou no ar
Em 1975, a Antena 1 ainda era um projeto em construção: uma FM que nascia com a proposta de oferecer uma curadoria sofisticada de música internacional. Enquanto a emissora dava seus primeiros passos no dial, o mundo recebia álbuns e singles que mudariam a história da música pop para sempre.
Foi o ano em que baladas cheias de camadas vocais, discos autobiográficos e hinos das pistas de dança chegaram às lojas – muitos deles, hoje, ainda soam impecáveis entre um bloco e outro da programação da rádio.
Como era o cenário musical internacional nos anos 70? Quem dominava as paradas americanas e britânicas?
Naquele ano, o mundo vivia um dos períodos mais criativos e transformadores da música internacional. Era um momento de efervescência artística em que baladas com múltiplas camadas vocais, álbuns conceituais, experimentações eletrônicas, soul sofisticado e a ascensão da disco dividiam espaço nas lojas e nas rádios. A indústria fonográfica expandia-se rapidamente, e artistas consagrados conviviam com novos talentos que estavam redefinindo o som das grandes metrópoles.
Nas paradas americanas, nomes como Elton John, Earth, Wind & Fire, Captain & Tennille, John Denver, KC and the Sunshine Band e David Bowie figuravam repetidamente entre os primeiros lugares da Billboard Hot 100. Foi também um ano decisivo para o Queen, que avançava no mercado dos Estados Unidos com “Killer Queen”, abrindo caminho para o impacto global que “Bohemian Rhapsody” teria no final de 1975.
No Reino Unido, o ambiente era igualmente intenso e diversificado. A UK Singles Chart viu sucessos de David Essex, The Stylistics, Mud, 10cc, Wings e do próprio David Bowie, que levou “Space Oddity” ao número 1 após seu relançamento. Mas nenhum feito foi tão marcante quanto a chegada de “Bohemian Rhapsody”, que encerrou o ano no topo e permaneceu nove semanas consecutivas em primeiro lugar — um marco instantâneo na cultura pop britânica.
Esse mosaico de estilos — do rock ao soul, do pop romântico à disco — explica por que 1975 é lembrado como um dos anos mais férteis da música mundial. E foi nesse mesmo contexto vibrante que a Antena 1 nasceu, conectando o público brasileiro às grandes produções internacionais e construindo uma relação que perdura há cinco décadas.
“I’m Not in Love”: a balada que redefiniu o romantismo

Crédito da imagem: o grupo 10cc em foto promocional. Reprodução: Facebook.
Entre os destaques de 1975 está “I’m Not in Love”, do 10cc, uma das baladas mais sofisticadas já gravadas. Lançada como single em meados daquele ano, a canção chamou atenção pela produção ousada: centenas de vozes sobrepostas, efeitos analógicos e uma atmosfera etérea que fugia completamente do padrão romântico da época.
Quase 50 anos depois, a faixa continua a ser um momento de pausa na programação da Antena 1, um convite para ouvir cada detalhe de um arranjo que marcou a forma como o pop podia soar mais artístico e experimental – sem perder o apelo emocional.
Donna Summer e a revolução das pistas de dança

Crédito da imagem: Donna Summer em foto promocional. Reprodução: redes sociais.
Outro marco de 1975 é “Love to Love You Baby”, de Donna Summer. Com uma versão longa pensada para as pistas, a música virou o jogo da dance music e ajudou a mapear um novo caminho para as cantoras pop.
A faixa misturava sensualidade, grooves hipnóticos e produção de vanguarda. Nascia ali uma das grandes vozes da disco e um modelo de música feita para clubes, remixagens e versões estendidas – algo que influencia até hoje as produções que você ouve nas noites ao redor do mundo e na própria programação da Antena 1.
Entre os clássicos de 1975, “Love to Love You Baby” é um símbolo de liberdade artística e de uma nova forma de ocupar a pista de dança.
Elton John em modo autobiográfico

Crédito da imagem: Elton John durante show nos anos 70. Reprodução: redes sociais.
Em 1975, Elton John já era um fenômeno mundial, mas decidiu olhar para dentro com o álbum “Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy”. O disco, de forte tom autobiográfico, conta a trajetória do artista e de seu parceiro criativo Bernie Taupin, em letras que falam sobre amizade, carreira e amadurecimento.
Musicalmente, o álbum passeia por baladas, rock e arranjos elaborados, mantendo a assinatura melódica de Elton. O resultado é um trabalho que se tornou um dos preferidos dos fãs, sempre lembrado quando se fala em clássicos internacionais que marcaram os anos 70 – e que continuam presentes na trilha sonora de quem acompanha a Antena 1 há décadas.
KC and the Sunshine Band e o som que tomou conta do rádio

Crédito da imagem: o grupo KC & the Sunshine Band no augo do sucesso nos anos 1970. Reprodução: redes sociais.
Se alguns artistas de 1975 ficaram associados a álbuns conceituais e escutas mais imersivas, KC and The Sunshine Band representou o outro lado igualmente decisivo daquele ano: o domínio absoluto do rádio e das pistas de dança.
Liderado por Harry Wayne Casey, o grupo emplacou uma sequência impressionante de hits que ajudaram a definir a estética da disco-funk americana em meados dos anos 70. Canções como Get Down Tonight, That’s the Way (I Like It) e Boogie Shoes não apenas lideraram paradas internacionais, como se tornaram presença constante nas FMs ao redor do mundo — exatamente o ambiente em que a Antena 1 dava seus primeiros passos.
Lançado em 1975, o álbum KC and the Sunshine Band funciona como um retrato fiel desse momento. Sem a pretensão de ser um disco conceitual, o trabalho reúne faixas feitas para tocar alto, repetir e conectar o público pelo ritmo, pela leveza e pela energia contagiante — características que ajudaram a moldar a relação afetiva de uma geração com o rádio.
Cinco décadas depois, o som do KC and The Sunshine Band segue cumprindo o mesmo papel: levantar o astral, marcar época e lembrar por que 1975 foi um ano tão decisivo para a música popular internacional — e para a história da Antena 1.
“Lady Marmalade”: um hino que atravessa gerações

Crédito da imagem: o trio Labelle em foto promocional nos anos 1970. Reprodução: redes sociais.
Seria impossível falar de 1975 sem mencionar “Lady Marmalade”, do trio Labelle. Embora a gravação original tenha chegado às lojas no fim de 1974, foi em 1975 que a canção explodiu nas paradas e conquistou o mundo.
Com seu refrão inesquecível e um groove irresistível, “Lady Marmalade” se transformou em um hino poderoso, frequentemente revisitado por novas gerações de artistas. A força da composição é tamanha que a música já ganhou versões em diferentes épocas, mas a original segue imbatível – inclusive nas playlists e especiais da Antena 1.
O fato de tantos clássicos terem surgido justamente no ano em que a Antena 1 iniciou sua relação com o público brasileiro reforça a ideia de que 1975 foi, também para o mundo da música, um período decisivo. Um ano de grandes lançamentos, renovação artística e obras que permanecem vivas até hoje.
Confira a seguir a relação dos principais lançamentos de 1975.
1. Pink Floyd — Wish You Were Here

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Wish You Were Here (1975), do Pink Floyd. Reprodução: Harvest Records / Pink Floyd Music Ltd.
Um dos álbuns mais celebrados da banda, consagrado pela homenagem a Syd Barrett e pela combinação de ambiência, virtuosidade e lirismo filosófico. Um marco absoluto da música contemporânea.
2. Bob Dylan — Blood on the Tracks

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Blood on the Tracks (1975), de Bob Dylan. Reprodução: Columbia Records.
Considerado por muitos o auge de Dylan como compositor, com canções que atravessam décadas (“Tangled Up in Blue”, “Shelter from the Storm”). Figura constantemente nas listas de melhores discos de todos os tempos.
3. Queen — A Night at the Opera

Crédito da imagem: capa oficial do álbum A Night at the Opera (1975), do Queen. Reprodução: EMI Records / Queen Productions Ltd.
A monumental obra que trouxe “Bohemian Rhapsody”, redefiniu a estética do rock e consolidou o Queen como uma das bandas mais importantes da história.
4. Bruce Springsteen — Born to Run

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Born to Run (1975), de Bruce Springsteen. Reprodução: Columbia Records.
O álbum que transformou Springsteen em estrela mundial. Uma ode americana grandiosa, cinematográfica e emocional, com status de clássico instantâneo.
5. Led Zeppelin — Physical Graffiti

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Physical Graffiti (1975), do Led Zeppelin. Reprodução: Swan Song Records.
Um dos trabalhos mais expansivos e experimentais do Zeppelin, trazendo “Kashmir” e marcando para sempre o hard rock e a música pesada.
6. Fleetwood Mac — Fleetwood Mac

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Fleetwood Mac (1975), do Fleetwood Mac. Reprodução: Reprise Records.
O primeiro disco com Stevie Nicks e Lindsey Buckingham — e o prenúncio do fenômeno Rumours. Sucesso imediato, reconduziu a banda a um novo patamar criativo.
7. Elton John — Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy (1975), de Elton John. Reprodução: DJM Records.
Obra autobiográfica aclamada, inaugurou a era do cantor como um dos maiores artistas globais. Foi também um dos primeiros álbuns a estrear diretamente em 1º lugar nos EUA.
8. David Bowie — Young Americans

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Young Americans (1975), de David Bowie. Reprodução: RCA Records.
O mergulho de Bowie na soul music americana, com o icônico “Fame” (co-escrito com John Lennon). Um álbum que marca mudança estética e vocal na carreira.
9. Patti Smith — Horses

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Horses (1975), de Patti Smith. Reprodução: Arista Records.
Um dos pilares do punk e da poesia rock, influencia gerações até hoje. Produzido por John Cale, é considerado um dos álbuns mais importantes da história do rock alternativo.
10. Earth, Wind & Fire — That’s the Way of the World

Crédito da imagem: capa oficial do álbum That’s the Way of the World (1975), do Earth, Wind & Fire. Reprodução: Columbia Records.
Mistura de soul, funk e jazz, com arranjos altamente sofisticados. Traz “Shining Star” e se tornou referência estética para décadas futuras.
11. Eagles — One of These Nights

Crédito da imagem: capa oficial do álbum One of These Nights (1975), dos Eagles. Reprodução: Asylum Records.
Responsável por consolidar o country-rock californiano. Um dos ápices criativos da banda antes de Hotel California.
12. Roxy Music — Siren

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Siren (1975), do Roxy Music. Reprodução: Island Records.
Com “Love Is the Drug”, influenciou a cena pop britânica, o new wave e o art rock. Até hoje referência para sonoridades sofisticadas.
13. ABBA — *ABBA

Crédito da imagem: capa oficial do álbum ABBA (1975), do ABBA. Reprodução: Polar Music International AB.
O terceiro álbum de estúdio do grupo sueco consolidou sua identidade pop e apresentou sucessos como “Mamma Mia” e “SOS”, abrindo caminho para a dominação global que viria nos anos seguintes.
14. Black Sabbath — Sabotage

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Sabotage (1975), do Black Sabbath. Reprodução: Vertigo Records.
Um dos discos mais pesados e energéticos da era Ozzy, equilibrando experimentação e força bruta. Hoje é cultuado como uma joia do heavy metal clássico.
15. Joni Mitchell — The Hissing of Summer Lawns

Crédito da imagem: capa oficial do álbum The Hissing of Summer Lawns (1975), de Joni Mitchell. Reprodução: Asylum Records.
A cantora canadense expandiu seu universo sonoro misturando jazz, art pop e poesia sofisticada. É considerado um dos trabalhos mais ousados de sua carreira.
16. Neil Young — Tonight’s the Night

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Tonight’s the Night (1975), de Neil Young. Reprodução: Reprise Records.
Gravado nos primeiros anos da década, mas lançado apenas em 1975, o disco é cru, emotivo e poderoso. Um dos trabalhos mais intensos e influentes de Young.
17. Parliament — Mothership Connection

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Mothership Connection (1975), do Parliament. Reprodução: Casablanca Records.
Fundamental para o p-funk, inaugurou o universo futurista de George Clinton e moldou o hip-hop de décadas seguintes. Traz “Give Up the Funk”.
18. Aerosmith — Toys in the Attic

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Toys in the Attic (1975), do Aerosmith. Reprodução: Columbia Records.
Embora lançado no início de 1975, tornou-se um dos maiores sucessos comerciais da banda. Traz “Walk This Way” e ajudou a consolidar o hard rock norte-americano.
19. Al Green — Al Green Is Love

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Al Green Is Love (1975), de Al Green. Reprodução: Hi Records.
Um dos álbuns mais refinados do soul sensual de Green, com arranjos luxuosos e interpretações marcantes, ainda muito respeitado por críticos e músicos.
20. Supertramp — Crisis? What Crisis?

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Crisis? What Crisis? (1975), do Supertramp. Reprodução: A&M Records.
O disco que ampliou a sonoridade progressiva/pop da banda e pavimentou o caminho para o gigantesco sucesso de Breakfast in America alguns anos depois.
21. Linda Ronstadt — Prisoner in Disguise

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Prisoner in Disguise (1975), de Linda Ronstadt. Reprodução: Asylum Records.
Ronstadt viveu um de seus grandes momentos em 1975, e este álbum — repleto de interpretações precisas e emocionantes — foi crucial para sua consagração como estrela da música americana.
22. The Who — The Who by Numbers

Crédito da imagem: capa oficial do álbum The Who by Numbers (1975), do The Who. Reprodução: MCA Records.
Um retrato íntimo e vulnerável de Pete Townshend e da fase mais reflexiva da banda. Apesar da recepção inicialmente dividida, tornou-se peça essencial da discografia.
23. Bob Marley & The Wailers — Live! (1975)

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Live! (1975), de Bob Marley & The Wailers. Reprodução: Island Records.
Embora não seja um álbum de estúdio, o registro ao vivo em Londres, com a versão definitiva de “No Woman, No Cry”, é um dos lançamentos mais importantes da história do reggae.
24. Donna Summer — Love to Love You Baby

Crédito da imagem: capa oficial do álbum Love to Love You Baby (1975), de Donna Summer. Reprodução: Casablanca Records.
Um marco da disco music, produzido por Giorgio Moroder. A faixa-título, com seus quase 17 minutos, revolucionou a música de pista e lançou Donna Summer ao estrelato mundial.
25. 10cc — The Original Soundtrack

Crédito da imagem: capa oficial do álbum The Original Soundtrack (1975), do 10cc. Reprodução: Mercury Records.
Um dos melhores da banda, trazendo a sofisticada “I’m Not in Love”, um marco absoluto da produção vocal e da engenharia sonora da década.
26. KC and the Sunshine Band — KC and the Sunshine Band

Crédito da imagem: capa oficial do álbum KC and the Sunshine Band (1975), do KC and the Sunshine Band. Reprodução: TK Records.
Um dos álbuns mais emblemáticos da disco music, reunindo hits como “Get Down Tonight” e “That’s the Way (I Like It)”, que ajudaram a definir o som dançante de 1975 e transformaram a banda em presença constante nas pistas e nas rádios do mundo todo.
50 anos de Antena 1: passado, presente e futuro em sintonia

Ao celebrar Antena 1 50 anos, a emissora não olha apenas para trás. A curadoria atual combina esses grandes clássicos internacionais com novos artistas, produções contemporâneas e lançamentos que já nascem com cara de futuras lembranças afetivas.
A cada canção de 1975 que volta ao ar, a Antena 1 conecta gerações: quem ouviu esses hits no lançamento e quem os descobriu recentemente – seja no carro, no trabalho, em casa ou no streaming.
Cinco décadas depois, o compromisso continua o mesmo: tocar música de qualidade, com cuidado e respeito pela história de cada faixa, e seguir sendo a trilha sonora de quem vive a boa música todos os dias.


