BILLY JOEL REJEITA CINEBIOGRAFIA SOBRE O INÍCIO DE SUA CARREIRA
CANTOR NÃO AUTORIZOU A CINEBIOGRAFIA SOBRE SUA FASE PRÉ-PIANO MAN E NEGOU USO DE SUA HISTÓRIA E DE SUAS MÚSICAS
João Carlos
21/05/2026
Billy Joel está no centro de uma nova disputa em Hollywood. O cantor, compositor e pianista conhecido mundialmente como o “Piano Man” rejeitou publicamente a cinebiografia Billy & Me, projeto que pretende revisitar seus primeiros anos na música, antes do sucesso que o transformou em um dos nomes mais queridos do pop e do rock adulto.

Crédito da imagem: Kevin Winter - © 2019 Getty Images
O filme será dirigido por John Ottman, profissional vencedor do Oscar por Bohemian Rhapsody, e terá roteiro de Adam Ripp. A proposta é contar a trajetória inicial de Joel a partir do olhar de Irwin Mazur, seu primeiro empresário, responsável por acompanhar o artista em uma fase anterior ao lançamento de “Piano Man”, em 1973.
A produção também conta com a participação de Jon Small, antigo amigo e parceiro musical de Billy Joel. Small tocou com o cantor em bandas da juventude e está ligado ao novo filme como consultor, coprodutor executivo e diretor de segunda unidade. Segundo reportagens sobre o assunto, a equipe obteve os direitos das histórias de Mazur e Small, mas não os direitos da vida de Billy Joel nem de seu repertório.
Esse é o ponto central da polêmica.
O que diz Billy Joel
Por meio de seus representantes, Joel afirmou que os envolvidos no projeto foram avisados desde 2021 de que não possuíam autorização para adaptar sua trajetória e que também não teriam acesso aos direitos musicais necessários. A equipe do cantor foi direta ao dizer que ele não autorizou nem apoiou o filme.
Em uma cinebiografia musical, a ausência das canções é um grande problema. No caso de Billy Joel, músicas como “Piano Man”, “Just the Way You Are”, “She’s Always a Woman”, “Uptown Girl” e “New York State of Mind” não são apenas sucessos: são parte da própria maneira como o público entende sua história. Sem esse catálogo, o filme tende a se aproximar mais de um drama de bastidores do que de uma biografia musical tradicional.
O lado dos produtores
Os realizadores, por outro lado, defendem que Billy & Me é uma história de origem. A ideia seria mostrar o ambiente, as amizades, os primeiros grupos e as relações profissionais que cercaram Joel antes da fama. Adam Ripp argumenta que o projeto não foi pensado em torno dos grandes hits do cantor, mas do período em que ele ainda buscava seu caminho artístico.

Crédito da imagem: HBO max
A reação de Billy Joel ganha ainda mais peso porque o artista participou recentemente de um projeto autorizado sobre sua vida. Em 2025, a HBO lançou Billy Joel: And So It Goes, documentário em duas partes dirigido por Susan Lacy e Jessica Levin, com entrevistas exclusivas, imagens raras e depoimentos de familiares, amigos, ex-colaboradores e artistas como Bruce Springsteen, Sting, Paul McCartney, Pink e Garth Brooks.
Ou seja: Joel não parece rejeitar a ideia de revisitar sua trajetória. O que ele contesta é ver sua história dramatizada por terceiros, sem sua autorização e sem a música que ajudou a transformar sua vida em uma das carreiras mais reconhecidas da música americana.
Para o público, o caso levanta uma pergunta interessante: até que ponto uma vida artística pode ser contada sem a participação do próprio artista? No cinema, cinebiografias musicais costumam depender de um equilíbrio delicado entre memória, emoção, mercado e autorização. No caso de Billy Joel, esse equilíbrio ainda está longe de acontecer.
Mesmo assim, Billy & Me segue em desenvolvimento, com seleção de elenco em andamento e filmagens previstas para o segundo semestre no Hemisfério Norte. Mas, sem o aval do “Piano Man”, o filme já nasce cercado por uma questão difícil de contornar: como contar a história de Billy Joel sem Billy Joel?


