Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

BIÓGRAFO DE BRUCE SPRINGSTEEN, DAVE MARSH MORRE AOS 76

CRÍTICO PASSOU POR CREEM E ROLLING STONE E DEIXOU 25 LIVROS SOBRE MÚSICA

João Carlos

18/08/2026

Placeholder - loading - Crédito da imagem: gerada por IA
Crédito da imagem: gerada por IA

Dave Marsh, biógrafo de Bruce Springsteen e uma das vozes mais influentes da crítica musical norte-americana, morreu aos 76 anos. O jornalista faleceu em casa, no estado de Connecticut, na sexta-feira, 14 de agosto.

A notícia foi confirmada no dia seguinte por Jim Rotolo, seu amigo e companheiro de programas na SiriusXM. A causa oficial da morte não foi anunciada. Jeffrey St. Clair, amigo de Marsh e coeditor da revista CounterPunch, informou à Associated Press que o jornalista convivia havia alguns anos com uma doença cerebral degenerativa.

Da Creem à Rolling Stone

Crédito da imagem: Reprodução/Facebook

Nascido em Pontiac, no estado de Michigan, em 1950, Marsh cresceu cercado pela efervescência musical de Detroit. Em 1969, deixou a Wayne State University para trabalhar na recém-criada revista Creem, da qual se tornou um dos primeiros editores. Na publicação, dividiu a redação com nomes como Lester Bangs e ajudou a consolidar uma forma direta, apaixonada e por vezes provocadora de escrever sobre rock.

Marsh deixou a Creem em 1973 para trabalhar como editor de música do jornal Newsday. Posteriormente, chegou ao cargo de editor associado da Rolling Stone, além de colaborar com veículos como The Village Voice e The Real Paper. Durante 26 anos, também participou do comitê de indicações do Rock & Roll Hall of Fame.

O primeiro grande biógrafo de Springsteen

Crédito da imagem: Reprodução/Facebook

A ligação com Bruce Springsteen começou quando o cantor ainda buscava espaço fora dos clubes de Nova Jersey. Marsh foi um de seus primeiros defensores na imprensa e é apontado como o amigo que levou o crítico Jon Landau ao primeiro show de Springsteen visto por ele, em 1974. Landau se tornaria produtor e empresário do artista.

Crédito da imagem: Reprodução/Bruce Springsteen

Em 1978, Marsh escreveu a primeira grande reportagem de capa sobre Springsteen para a Rolling Stone. No ano seguinte, lançou Born to Run: The Bruce Springsteen Story, um best-seller que se tornou a primeira biografia de grande alcance dedicada ao cantor. A obra foi ampliada ao longo dos anos e ganhou continuidade com Glory Days: Bruce Springsteen in the 1980s, Bruce Springsteen: Two Hearts e Bruce Springsteen on Tour: 1968-2005.

A proximidade também chegou à vida familiar. Marsh era casado com Barbara Carr, que trabalhou durante décadas como coempresária de Springsteen ao lado de Jon Landau.

Uma biblioteca dedicada à música

A produção de Marsh foi muito além de Springsteen. Ao longo da carreira, o jornalista escreveu 25 livros, dedicados a grandes artistas, à história do rock e às transformações culturais provocadas pela música popular.

Entre as principais obras estão:

  • Bruce Springsteen: Born to Run: The Bruce Springsteen Story (1979)
  • Elvis Presley: Elvis (1982)
  • The Who: Before I Get Old: The Story of The Who (1983)
  • Michael Jackson: Trapped: Michael Jackson and the Crossover Dream (1985)
  • Grandes canções: The Heart of Rock & Soul: The 1001 Greatest Singles Ever Made (1989)
  • História do rock: Louie Louie: The History and Mythology of the World’s Most Famous Rock ’n’ Roll Song (1993)

Outros trabalhos importantes ajudam a mostrar a amplitude de sua produção:

  • Ativismo e música: Sun City: The Making of the Record, sobre o projeto que reuniu artistas internacionais na campanha contra o apartheid na África do Sul.
  • Indústria fonográfica: 360 Sound: The Columbia Records Story, dedicado à história da Columbia Records e de alguns dos artistas que passaram pela gravadora.
  • Jornalismo musical: Kick Out the Jams, antologia publicada em 2023 que reúne textos de diferentes períodos da carreira de Marsh.
  • Aretha Franklin: em 1993, Marsh dividiu o Grammy de Melhor Texto de Encarte pelo trabalho em Queen of Soul: The Atlantic Recordings, retrospectiva da obra da cantora. O prêmio também reconheceu David Ritz, Jerry Wexler, Ahmet Ertegun e Arif Mardin.

Rádio, causas sociais e combate ao câncer

Marsh levou sua crítica para outras plataformas. Foi cofundador do boletim Rock & Rap Confidential, que combinava música com discussões sobre raça, classe social, liberdade de expressão, saúde e política. Na SiriusXM, ajudou a criar a E Street Radio e apresentou programas como Kick Out the Jams, Live from E Street Nation e Live from the Land of Hope and Dreams.

Seu ativismo ganhou uma dimensão ainda mais pessoal depois da morte de sua filha Kristen Ann Carr, aos 21 anos, vítima de sarcoma, em 1993. Marsh e Barbara Carr fundaram o Kristen Ann Carr Fund, voltado à pesquisa sobre a doença, à formação de médicos e ao apoio de pacientes jovens e suas famílias.

Poucos meses depois, Springsteen realizou um show beneficente no Madison Square Garden que arrecadou cerca de US$ 1,5 milhão para a organização. Ao longo das décadas seguintes, o fundo ampliou programas de pesquisa e assistência ligados ao tratamento do sarcoma.

Springsteen e Van Zandt prestam homenagem

Crédito da imagem: Reprodução/Rolling Stone

Em mensagem publicada no sábado, Springsteen afirmou que a perda havia deixado a família E Street “de coração partido”. Em tradução livre, definiu Marsh como “um verdadeiro homem do rock ’n’ roll” e destacou que o apoio recebido durante toda a carreira havia significado muito para ele.

“Mais do que qualquer outra coisa, eu admirava Dave como um homem de consciência e compromisso”, escreveu o cantor.

Steven Van Zandt também recordou o jornalista como um dos primeiros apoiadores da E Street Band e de seu trabalho com os Jukes. O músico o descreveu como destemido, incansável e provocador, encerrando a homenagem com uma definição simples: “um tremendo escritor”.

Crédito da imagem: Reprodução/Spotfy

Tom Morello já havia resumido outra parte desse legado ao definir Marsh como um defensor incansável da justiça, dos direitos humanos e do rock. Dave Marsh tratou a música não apenas como entretenimento, mas como uma conversa pública capaz de atravessar discos, livros, microfones e causas sociais.

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.