BRUCE SPRINGSTEEN VOLTA AO TOPO COM NOVA CANÇÃO DE PROTESTO
“STREETS OF MINNEAPOLIS” LIDERA NOS EUA E REFORÇA O HISTÓRICO POLÍTICO DO CANTOR; REVISITAMOS SUAS CANÇÕES DE PROTESTO MAIS EMBLEMÁTICAS
João Carlos
04/02/2026
Uma música de protesto que volta a colocar Bruce Springsteen no topo das paradas, algo raro em lançamentos avulsos nesta fase da carreira. É esse o cenário desenhado por “Streets of Minneapolis”, single lançado no fim de janeiro que rapidamente ganhou força nas paradas americanas e sinaliza um desempenho relevante também no Reino Unido.
Liderança nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a canção alcançou o 1º lugar na parada Digital Song Sales da Billboard, refletindo forte mobilização do público nas vendas digitais logo nos primeiros dias após o lançamento. O desempenho recoloca Springsteen no topo de um ranking importante da indústria e evidencia o impacto imediato da faixa, impulsionado tanto pela mensagem quanto pela repercussão nas plataformas digitais.
Na apuração inicial, “Streets of Minneapolis” também liderou o iTunes Top Songs Chart nos EUA, reforçando o engajamento do público americano antes mesmo da consolidação dos dados semanais das paradas tradicionais.
Tendência positiva no Reino Unido
No Reino Unido, o single segue uma trajetória semelhante. A música entrou no Top 10 do UK Singles Sales Chart, segundo dados da Official Charts, indicando forte desempenho em vendas e uma reação consistente do público britânico. O resultado aponta para a possibilidade de novas entradas nas paradas principais nas semanas seguintes, algo incomum para lançamentos avulsos de artistas veteranos.
Impacto além dos números
Mais do que posições em rankings, o desempenho de “Streets of Minneapolis” chama atenção pelo contexto. A canção se insere na tradição de protesto da obra de Springsteen, abordando temas sociais e políticos contemporâneos, e demonstra que o artista segue capaz de dialogar com o presente e mobilizar audiências globais.
Um retorno significativo às paradas
O conjunto de dados — liderança nas vendas digitais nos Estados Unidos, destaque inicial no iTunes e forte tendência no Reino Unido — transforma “Streets of Minneapolis” em um dos lançamentos mais comentados de Bruce Springsteen nos últimos anos. Para um artista com décadas de carreira, voltar ao topo das paradas com uma canção de protesto reforça não apenas sua relevância artística, mas também sua permanência no debate cultural contemporâneo.
A expectativa agora é acompanhar a consolidação do single nas próximas semanas e observar até onde a mensagem de Springsteen pode chegar nas paradas internacionais.
As outras canções de protesto que marcam a obra de Bruce Springsteen
A nova repercussão de “Streets of Minneapolis” se insere em uma tradição antiga na obra de Bruce Springsteen, marcada por canções que abordam guerra, desigualdade social, racismo, violência policial e as dificuldades da classe trabalhadora nos Estados Unidos. Ao longo da carreira, Springsteen construiu um dos catálogos de protesto mais consistentes da música popular americana.
1975 / 1986 – “War”
Originalmente lançada por Edwin Starr, a canção anti-guerra passou a integrar o repertório de Springsteen ao vivo durante os anos 1970 e ganhou ainda mais força em apresentações nos anos 1980. Sua interpretação crua reforçou o posicionamento crítico do cantor em relação aos conflitos armados, especialmente no contexto pós-Vietnã.
1984 – “Born in the U.S.A.”
Talvez sua canção de protesto mais conhecida — e também a mais frequentemente mal interpretada. Apesar do tom aparentemente patriótico, a música é uma crítica direta ao abandono dos veteranos da Guerra do Vietnã e à precarização econômica da classe trabalhadora americana. Tornou-se símbolo da ambiguidade entre discurso político e consumo pop.
1995 – “The Ghost of Tom Joad”
Inspirada no romance As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, a canção aborda pobreza, desemprego, imigração e exploração do trabalho. Lançada em um período mais introspectivo da carreira, reforça o olhar social de Springsteen para personagens à margem do chamado “sonho americano”.
2000 – “American Skin (41 Shots)”
Escrita após a morte de Amadou Diallo, jovem negro baleado 41 vezes por policiais de Nova York, a música denuncia a violência policial e o racismo estrutural. O lançamento gerou forte controvérsia e resistência por parte de sindicatos policiais, mas consolidou a posição de Springsteen como voz crítica em temas raciais.
Anos 2000 em diante – “41 Shots” (versões ao vivo)
As performances ao vivo de “American Skin (41 Shots)” ganharam novo significado ao longo dos anos, especialmente durante protestos ligados ao movimento Black Lives Matter. A canção passou a ser frequentemente citada como uma das mais atuais do repertório político do artista, mesmo décadas após sua estreia.
Ao revisitar esse histórico, “Streets of Minneapolis” não surge como exceção, mas como continuidade. A canção reafirma Bruce Springsteen como um artista que, mesmo em fases avançadas da carreira, segue usando a música não apenas como entretenimento, mas como instrumento de comentário social e reflexão política — com impacto real nas paradas e no debate público.


