CELULAR NO SHOW? CHRISSIE HYNDE REACENDE DEBATE
VOCALISTA DO PRETENDERS CRITICOU FÃS QUE FILMAM APRESENTAÇÕES E VOLTOU A DEFENDER EXPERIÊNCIAS AO VIVO SEM TELAS
João Carlos
09/06/2026
Chrissie Hynde, vocalista do Pretenders, reacendeu uma discussão que aparece cada vez mais em shows, teatros e museus: até que ponto registrar tudo no celular atrapalha a experiência de quem está no palco — e de quem está na plateia?
"Olá a todos!
Pergunta:
O que acontece com as pessoas e seus celulares? Por que elas precisam saber quantos passos dão todos os dias? Que diferença isso faz?
Mas a minha verdadeira pergunta é:
Por que as pessoas precisam filmar ou tirar fotos em shows ou museus?
Por quê?
Tive a sorte de jantar com Emmylou Harris (uma deusa) no dia anterior ao show dela no Royal Albert Hall, em Londres. Naturalmente, nossa conversa acabou chegando ao assunto das pessoas usando celulares em shows.
Esse é um tema que surge toda vez que encontro algum artista. Tornou-se como uma névoa desagradável pairando sobre a cabeça de todos os artistas.
Você pode espalhar placas por todo o local pedindo “SEM CÂMERAS”, mas as pessoas simplesmente não respeitam isso.
É como se elas se sentissem no direito de fazer o que querem, mesmo quando o artista deixa claro que não quer que façam.
(Vale lembrar que não estou falando de artistas pop que incentivam essa prática porque querem aparecer nas redes sociais.)
Bob Dylan garante que os celulares sejam lacrados em uma bolsa antes dos shows. Você imaginaria que um artista da sua estatura poderia fazer um pedido simples e o público respeitaria. Nem pensar. As pessoas ainda tentam entrar escondendo uma câmera ou um telefone.
É como uma compulsão estranha que as pessoas não conseguem controlar."
Em uma publicação feita em suas redes sociais em 2 de junho, a artista criticou o hábito de filmar apresentações e classificou esse comportamento como uma “compulsão esquisita”. A fala ganhou repercussão internacional em veículos como People, Rolling Stone e Louder, especialmente pelo tom direto usado por Chrissie ao comparar as luzes dos aparelhos a uma distração constante para o artista.
No texto, Chrissie contou que havia conversado recentemente com Emmylou Harris sobre o incômodo causado por celulares em apresentações. Pouco depois, ao assistir a um show da cantora no Royal Albert Hall, em Londres, ela disse ter tido a visão prejudicada por um espectador que filmava a apresentação à sua frente. A vocalista também citou uma experiência semelhante no teatro, durante uma apresentação de Sarah Snook em “The Picture of Dorian Gray”, e lembrou uma visita a uma exposição de Van Gogh marcada pelo excesso de pessoas fotografando as obras.
O ponto mais delicado da repercussão veio de uma entrevista anterior ao The Times, publicada em março, na qual Chrissie afirmou que os celulares em shows estão entre os motivos que a fazem cogitar não voltar a fazer turnês. Portanto, a declaração não foi “resgatada” por um único portal: ela voltou ao centro da conversa porque a própria artista retomou publicamente o tema em junho, e a imprensa internacional conectou o novo desabafo à fala feita meses antes ao jornal britânico.
A reação se dividiu. De um lado, muitos fãs de rock e frequentadores de shows concordam que a tela levantada atrapalha a visão e reduz a conexão entre artista e público. De outro, parte da plateia defende que registrar alguns momentos faz parte da cultura atual — especialmente em uma época de ingressos caros e experiências cada vez mais compartilhadas nas redes.
Chrissie citou positivamente a postura de artistas como Bob Dylan, que adotam apresentações sem celulares. Em alguns eventos, o público precisa guardar o aparelho em uma bolsa lacrada da Yondr, mantendo o telefone consigo, mas sem poder usá-lo dentro da área do show. A própria Yondr explica que o aparelho é colocado em uma capa na entrada, fica bloqueado durante a permanência no espaço livre de celulares e pode ser acessado em áreas específicas fora da plateia.
O debate vai além do rock. O Guardian noticiou recentemente que produções teatrais também têm adotado bolsas lacradas para proteger a experiência ao vivo e evitar gravações indevidas. Ao mesmo tempo, produtores reconhecem que nem todos os espetáculos seguem a mesma lógica: em alguns casos, vídeos nas redes ajudam na divulgação.
No fim, o desabafo de Chrissie Hynde toca em uma pergunta simples, mas atual: quando o show começa, o melhor registro está na tela — ou na memória de quem realmente viveu aquele momento?


