CLÁSSICO DE SERGIO MENDES VOLTA EM VINIL VERDE
EDIÇÃO DE 60 ANOS CELEBRA O ÁLBUM QUE LEVOU “MAS QUE NADA” ÀS PARADAS INTERNACIONAIS
João Carlos
10/08/2026
A Universal Music Brasil relançou Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil ’66 em uma edição comemorativa de vinil verde, seis décadas depois da chegada do álbum às lojas.
Anunciada em julho, a nova prensagem já aparece com estoque disponível na UMusic Store. A edição recupera a arte tropical do lançamento original e preserva suas dez faixas, mas a gravadora não informa se o material passou por uma nova remasterização ou se a tiragem é limitada.
Mais do que um novo item para colecionadores, o relançamento recoloca em circulação o disco que definiu a fórmula do Brasil ’66. Sob a produção de Herb Alpert, Sergio Mendes aproximou o piano de jazz, o samba e a bossa nova da linguagem direta do pop, com arranjos compactos e os vocais de Lani Hall transitando entre o português e o inglês.
O resultado ultrapassou rapidamente o circuito do jazz. O álbum chegou ao número 7 da Billboard 200, enquanto “Mas Que Nada”, composição de Jorge Ben, alcançou a 47ª posição da Billboard Hot 100. Em 2012, o disco entrou para o Grammy Hall of Fame, reservado a gravações consideradas historicamente relevantes.
O álbum por dentro

Créditos da imagem: Reprodução / A&M Records – Peter Whorf Graphics
“Mas Que Nada” abre o trabalho com a combinação que se tornaria a assinatura de Sergio Mendes: percussão brasileira, piano preciso, vozes luminosas e um arranjo que parecia feito sob medida para o rádio.
O repertório alterna composições brasileiras, sucessos americanos e até Beatles. Entre os destaques estão “Água de Beber”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, “O Pato”, “Berimbau”, “Going Out of My Head” e uma versão dançante de “Day Tripper”.
A contracapa original trazia até pequenas indicações fonéticas para ajudar o público americano a pronunciar títulos em português. “Mas Que Nada”, por exemplo, aparecia adaptada como “Ma-sh Kay Nada”. Era praticamente um curso de português embalado por piano, bateria e palmas.
Lado 1: “Mas Que Nada”, “One Note Samba / Spanish Flea”, “The Joker”, “Going Out of My Head” e “Tim Dom Dom”.
Lado 2: “Day Tripper”, “Água de Beber”, “Slow Hot Wind”, “O Pato” e “Berimbau”.
Quando a música brasileira virou pop mundial
O álbum surgiu quando a música brasileira já ocupava uma posição privilegiada no cenário internacional. Em 1962, Sergio Mendes esteve entre os artistas do histórico concerto de bossa nova no Carnegie Hall, em Nova York. Três anos depois, Getz/Gilberto venceu o Grammy de Álbum do Ano, enquanto “The Girl from Ipanema” recebeu o prêmio de Gravação do Ano.
A porta estava aberta, mas Sergio Mendes encontrou uma passagem ainda mais larga. Em vez de apresentar a bossa nova apenas ao público do jazz, ele misturou compositores brasileiros, Beatles, canções americanas e uma estética pop moderna.
Esse foi o grande salto de Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil ’66: mostrar que a música brasileira podia conversar de igual para igual com o pop internacional. Sessenta anos depois, o novo vinil lembra que “Mas Que Nada” não ficou presa ao verão de 1966. A canção ganhou um passaporte que continua recebendo novos carimbos.
Clique aqui para mais informações sobre a edição comemorativa de Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil ’66 e a pré-venda oficial pela Universal Music.


