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    Comissário da UE critica falta de ambição de compromisso climático do Brasil

    Placeholder - loading - Área desmatada da floresta amazônica 14/08/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino/File Photo
    Área desmatada da floresta amazônica 14/08/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino/File Photo

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    Por Jake Spring e Kate Abnett

    BRASÍLIA (Reuters) - A principal autoridade do clima da União Europeia disse ao Brasil nesta quarta-feira que o compromisso climático atualizado do país 'envia um sinal ruim' por determinar apenas o ano de 2060 como prazo para zerar as emissões de carbono.

    Como a maior parte do mundo, no final do ano passado o Brasil enviou um compromisso atualizado alinhado ao Acordo de Paris contra a mudança climática, conhecido como contribuição determinada nacionalmente (NDC), mas o país praticamente manteve suas metas anteriores, acrescentando o compromisso de emissões zero até 2060.

    A UE e os Estados Unidos se comprometeram a eliminar as emissões de todos os gases de efeito estufa até 2050.

    'A incapacidade de elevar a ambição no NDC atualizado apresentado pelo Brasil em dezembro de 2020 é uma oportunidade desperdiçada e envia um sinal ruim', disse o comissário climático da UE, Virginijus Sinkevi?ius, a autoridades brasileiras de alto escalão nesta quarta-feira.

    'A UE e a comunidade internacional estão esperando que o Brasil mostre um nível de ambição muito maior', disse Sinkevi?ius, acrescentando que o compromisso deveria ficar o mais próximo possível de 2050.

    O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França, defendeu o compromisso atualizado do país, dizendo que afirma o comprometimento do país com o Acordo de Paris.

    França disse que países desenvolvidos foram incapazes de cumprir suas promessas de proporcionar o financiamento que nações em desenvolvimento necessitam para ser mais ambiciosas, o que inclui um compromisso de mobilizar 100 bilhões de dólares anuais para custear as ações climáticas de países em desenvolvimento.

    'Infelizmente, os esforços de países em desenvolvimento para se adaptarem à mudança climática e mitigar suas emissões não foram acompanhados por um apoio financeiro internacional constante', afirmou.

    Sinkevi?ius também disse que o desmatamento precisa diminuir acentuadamente para o Brasil cumprir suas metas climáticas, acrescentando que a UE não se acanhará de empreender esforços para eliminar a degradação florestal de suas cadeias de suprimento.

    A Comissão Europeia deve propor uma legislação até o verão local para combater produtos ligados ao desmatamento vendidos na Europa.

    As importações para a UE foram responsáveis por 16% do desmatamento tropical mundial, o que só a deixou atrás da China com base em dados de 2017, disse o grupo ativista WWF em um relatório nesta quarta-feira.

    (Por Jake Spring, em Brasília, e Kate Abnett, em Bruxelas)

    Escrito por Reuters

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