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Desnutrição atinge níveis de fome em mais duas áreas do Darfur do Norte, no Sudão, diz observatório

Desnutrição atinge níveis de fome em mais duas áreas do Darfur do Norte, no Sudão, diz observatório

Reuters

05/02/2026

Placeholder - loading - Deslocados preparam comida, enquanto se abrigam na cidade de Tawila, Darfur do Norte, Sudão 15/04/2025 REUTERS/Stringer
Deslocados preparam comida, enquanto se abrigam na cidade de Tawila, Darfur do Norte, Sudão 15/04/2025 REUTERS/Stringer

Por Olivia Le Poidevin e Nafisa ⁠Eltahir

GENEBRA/CAIRO, 5 Fev (Reuters) - A desnutrição aguda atingiu níveis de fome em mais duas áreas do Darfur do Norte, no Sudão, informou nesta quinta-feira um observatório global da fome, em meio a uma guerra civil que deslocou milhões de pessoas e desencadeou ondas de violência étnica.

A Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), apoiada pela ONU, constatou que os limiares de fome para a desnutrição aguda foram ultrapassados ​​em Um Baru -- onde a taxa de crianças com menos ​de 5 anos de idade com desnutrição aguda ⁠era ⁠quase o dobro do limiar de fome -- e em Kernoi.

O alerta da IPC não é uma classificação formal de fome, mas destaca níveis alarmantes de fome com base nos dados mais recentes.

As duas localidades próximas à fronteira com o Chade receberam algumas das dezenas de milhares ‌de pessoas que fugiram do distrito de Al-Fashir — anteriormente determinado como em ​situação de fome — no final do ano ‌passado, quando caiu nas ​mãos ​das Forças de Apoio Rápido (RSF). Kernoi e Um Baru então testemunharam confrontos enquanto a RSF buscava consolidar seu controle.

A guerra civil que começou há quase três anos ​entre as RSF e o Exército sudanês causou fome generalizada. Em novembro, o monitor global da fome confirmou pela primeira vez condições de fome em Al-Fashir, bem como em Kadugli -- onde na terça-feira o Exército sudanês disse ter quebrado um cerco de anos à cidade.

Os casos de desnutrição aguda estão aumentando no país, com quase 4,2 milhões de casos estimados em comparação com 3,7 milhões em 2025, afirmou a IPC.

O acesso limitado a serviços de saúde essenciais em todo o Darfur do Norte agravou o problema, afirmou a IPC.

Um dos principais grupos de ajuda humanitária que opera no Sudão, a CARE International, disse ⁠à Reuters que sua capacidade de resposta também estava sendo limitada pelos cortes ‌no financiamento de doadores globais.

“A fome ⁠realmente se tornou um problema crônico em alguns dos lugares onde trabalhamos”, disse Elizabeth Courtney, assessora de Defesa Humanitária da CARE, à Reuters.

É necessário financiamento ‍urgente para aumentar os suprimentos antes da estação chuvosa e da estação de escassez, quando os estoques ​de ‌alimentos da colheita anterior estão baixos ou esgotados, acrescentou Courtney.

(Reportagem de Olivia Le Poidevin)

Reuters

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