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DRIVE: O SUCESSO VINTAGE QUE O TEMPO NÃO APAGA

UM CLÁSSICO DO THE CARS QUE SEGUE ATUAL E PRESENTE NA PROGRAMAÇÃO DA ANTENA 1

João Carlos

08/01/2026

Placeholder - loading - Crédito da imagem: The Cars em foto de 1978. Chris Walter/WireImage.
Crédito da imagem: The Cars em foto de 1978. Chris Walter/WireImage.

Lançada em 1984, “Drive” é uma daquelas músicas que parecem imunes ao envelhecimento. Discreta, elegante e profundamente humana, a canção atravessou décadas sem perder relevância e segue presente na programação da Antena 1, confirmando que algumas obras não pertencem a uma época específica, mas a várias gerações ao mesmo tempo.

Crédito da imagem: Capa original do single Drive (1984), do The Cars. Elektra Records. Reprodução: Amazon.

Logo nos primeiros acordes, “Drive” entrega uma sensação de familiaridade. Mas, à medida que o tempo passa, a música revela algo mais complexo: uma reflexão sobre fragilidade, dependência emocional e cuidado. É exatamente essa combinação de forma acessível e conteúdo profundo que mantém a canção viva até hoje.

The Cars: uma banda que redefiniu o pop-rock

Formado no final dos anos 1970, em Boston, o The Cars surgiu como uma ponte clara entre o rock tradicional e a estética moderna que começava a dominar o cenário internacional. Essa modernidade dialogava diretamente com a new wave, com o pós-punk britânico e com o avanço do tecnopop, incorporando sintetizadores, linhas rítmicas mais econômicas e uma abordagem visual e sonora minimalista. Ao mesmo tempo, a banda manteve estruturas clássicas de canção pop e rock, o que permitiu ao The Cars transitar com naturalidade entre o experimental e o radiofônico, ajudando a traduzir essa nova linguagem para o grande público.

Liderado criativamente por Ric Ocasek, o grupo se destacou por letras irônicas, observações comportamentais afiadas e uma sonoridade limpa, quase geométrica. Ao lado dele, Benjamin Orr exercia papel fundamental ao dar voz às canções mais emotivas da banda, criando um contraste essencial dentro do projeto.

Essa dualidade ajudou o The Cars a construir uma identidade única, capaz de dialogar tanto com o rock quanto com o pop, sem se prender totalmente a nenhum dos dois universos.

Álbuns, trajetória e sucessos marcantes

A discografia do The Cars é curta, mas extremamente consistente. O álbum de estreia, The Cars (1978), apresentou ao mundo hits como “Just What I Needed” e “My Best Friend’s Girl”, estabelecendo imediatamente a banda como uma força criativa relevante.

Nos anos seguintes, vieram trabalhos como Candy-O (1979), Panorama (1980) e Shake It Up (1981), que ampliaram o alcance comercial do grupo e consolidaram sua presença nas rádios e nas paradas internacionais. Canções como “Shake It Up”, “Let’s Go” e “Since You’re Gone” ajudaram a definir o som do início da década de 1980.

Heartbeat City: o auge criativo e comercial

Crédito da imagem: Box comemorativo de 40 anos do álbum Heartbeat City (1984–2025), do The Cars. Rhino Records.

Foi em 1984 que o The Cars atingiu seu ponto mais alto com o álbum Heartbeat City. O disco marcou uma fase mais polida da banda, com produção sofisticada e forte diálogo com a linguagem visual da MTV, sem abrir mão da identidade musical construída nos anos anteriores.

Heartbeat City reuniu alguns dos maiores sucessos do grupo, como “You Might Think”, “Magic” e “Hello Again”, mas foi “Drive” que se destacou como a faixa mais emocionalmente duradoura do álbum.

“Drive”: o sucesso que resiste ao tempo

Embora escrita por Ric Ocasek, “Drive” ganhou sua força definitiva na interpretação de Benjamin Orr. Sua voz suave e melancólica transformou a canção em algo íntimo, quase confessional, permitindo que cada ouvinte se reconheça na pergunta central da música: quem vai te conduzir quando tudo sair do controle?

O sucesso foi imediato. “Drive” alcançou o Top 5 da Billboard Hot 100 e rapidamente se tornou uma das músicas mais emblemáticas da carreira do The Cars. Mas, mais do que números, o que garantiu sua longevidade foi a capacidade de continuar fazendo sentido, independentemente da época. Recorde abaixo.

Uma canção permanente na programação da Antena 1

A permanência de “Drive” na Antena 1 não é casual. A música reúne exatamente os elementos que definem a curadoria da rádio: elegância, relevância artística, qualidade musical e conexão emocional.

Em um cenário em que muitas canções surgem e desaparecem rapidamente, “Drive” segue firme, provando que algumas obras não precisam acompanhar tendências. Elas simplesmente permanecem. E continuam dizendo algo importante, sempre que voltam a tocar

O que aconteceu com os músicos após o fim da banda

Com o encerramento das atividades do The Cars no fim dos anos 1980, seus integrantes seguiram caminhos distintos, mas nem todos desapareceram imediatamente do radar do público. Alguns ainda conseguiram dialogar com as paradas e com o gosto popular, prolongando a narrativa da banda para além do fim oficial.

Ric Ocasek (voz, guitarras)

Crédito da imagem: Capa do álbum This Side of Paradise (1986), de Ric Ocasek. Geffen Records.

À frente do processo criativo do grupo, Ric Ocasek foi quem manteve maior visibilidade após o fim do The Cars. Em 1986, ele emplacou “Emotion in Motion”, single do álbum This Side of Paradise, que alcançou o Top 20 da Billboard Hot 100 e mostrou que seu estilo irônico, elegante e moderno ainda dialogava com o público da época.

Pouco depois, no fim dos anos 1980, Ocasek voltou às paradas com “The Way You Look Tonight”, faixa que antecipou o álbum Fireball, lançado no início da década seguinte, reforçando sua presença no cenário pop-rock daquele período de transição. Paralelamente, construiu uma carreira sólida como produtor, trabalhando com artistas que ajudariam a definir o rock alternativo dos anos 1990, ampliando seu legado muito além do The Cars. Ric Ocasek morreu em 2019, de causas naturais.

Benjamin Orr (voz, baixo)

Já Benjamin Orr seguiu uma trilha semelhante, embora mais breve.

Crédito da imagem: Capa do álbum The Lace (1986), de Benjamin Orr. Elektra Records.

Em 1987, ele alcançou sucesso significativo com o single “Stay the Night”, que entrou no Top 30 da Billboard Hot 100 e teve forte execução nas rádios norte-americanas. A canção preservava a mesma atmosfera melódica e introspectiva que havia marcado interpretações como “Drive”, ajudando o público a reconhecer imediatamente sua identidade vocal. Apesar do bom desempenho, Orr optou por uma carreira mais discreta nos anos seguintes, afastando-se gradualmente da indústria musical até sua morte, em 2000.

Elliot Easton (guitarras)

Crédito da imagem: Elliot Easton em entrevista. Reprodução: YouTube.

O guitarrista Elliot Easton manteve uma trajetória mais ligada aos palcos do que às paradas. Participou de bandas, colaborações e projetos paralelos, sempre associado à performance e ao repertório construído ao longo dos anos, sem a pressão de repetir grandes sucessos comerciais.

Greg Hawkes (teclados)

Crédito da imagem: Greg Hawkes em foto de arquivo. Reprodução: Eddie Japan.

Responsável por boa parte da arquitetura sonora do grupo, o tecladista Greg Hawkes seguiu atuando como músico e colaborador, explorando diferentes projetos e mantendo viva a linguagem eletrônica que ajudou a definir o som do The Cars.

David Robinson (bateria)

Crédito da imagem: David Robinson. Foto: Timothy Hiatt / Getty Images, via Rolling Stone (EUA).

O baterista David Robinson, por sua vez, tomou o caminho mais radical. Após o fim da banda, afastou-se quase completamente da música e passou a se dedicar a áreas como arte e design, encerrando sua carreira musical ainda em alta.

O que une esses percursos é a ausência de um apego excessivo ao passado. Houve espaço para sucessos solo, especialmente na segunda metade dos anos 1980, mas sem transformar o legado do The Cars em repetição automática. Essa postura ajuda a explicar por que músicas como “Drive” continuam encontrando novos ouvintes e mantendo presença natural na programação da Antena 1, décadas depois do fim da banda.

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