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Enviados do Irã discutem possível acordo de paz com primeiro-ministro do Catar, diz autoridade

Enviados do Irã discutem possível acordo de paz com primeiro-ministro do Catar, diz autoridade

Reuters

25/05/2026

Placeholder - loading - Pessoas passam por um mural que retrata o falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em Teerã 25 de maio de 2026 Majid Asgaripour/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS
Pessoas passam por um mural que retrata o falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em Teerã 25 de maio de 2026 Majid Asgaripour/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS

Por Elwely Elwelly e Michael Martina

DUBAI/NOVA DÉLHI, 25 Mai (Reuters) - O principal negociador do Irã e seu ​ministro das Relações Exteriores estavam em Doha para conversar com o primeiro-ministro do Catar sobre um possível acordo com os EUA para acabar com a guerra de três meses, disse uma autoridade informada sobre a visita nesta segunda-feira, depois que Washington e Teerã minimizaram as esperanças de um avanço iminente.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a repórteres em Nova Délhi mais cedo que os EUA dariam à diplomacia todas as chances de sucesso antes de considerar a possibilidade de lidar com o Irã de 'outra forma'.

Há 'algo bastante sólido sobre a mesa em termos de sua capacidade de abrir o estreito (de Ormuz), abrir o estreito, entrar em uma negociação muito real, significativa e limitada no tempo sobre a questão nuclear e esperamos que possamos fazer isso', disse Rubio.

Em uma longa postagem no Truth Social nesta segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que as negociações com o Irã estavam indo 'bem', mas alertou sobre novos ataques se elas falharem. Será 'apenas um Grande Acordo para todos, ou nenhum Acordo', escreveu ele.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse em um briefing que conclusões foram alcançadas em muitos tópicos, mas isso não significa que os ⁠lados estavam próximos de um acordo.

A ⁠autoridade informada sobre a visita dos iranianos a Doha disse à Reuters que ​as discussões se ‌concentraram principalmente no Estreito de Ormuz e no estoque de urânio altamente enriquecido do Irã, enquanto o presidente do banco central do Irã compareceu para discutir a possível liberação de fundos iranianos congelados como parte de um acordo final.

Baghaei disse anteriormente que as questões nucleares só seriam negociadas se o acordo-quadro fosse acertado primeiro.

Trump tem afirmado que seu principal objetivo na guerra é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear com seu urânio altamente enriquecido. Teerã sempre negou que tenha planos de fazer isso.

Os dois lados continuam em desacordo em várias ⁠outras questões, como a guerra de Israel no Líbano com a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, e as exigências de Teerã para o ​levantamento das sanções e a liberação de dezenas de bilhões de dólares de receitas do petróleo iraniano congeladas em bancos estrangeiros.

Conforme os esforços para chegar a um acordo continuavam, o ​Irã disse que havia derrubado um drone furtivo 'hostil' usando um novo sistema de defesa aérea, informaram as agências ‌de notícias iranianas, sem dizer de onde ele ​veio.

'Esse é ⁠um sinal nosso de que não há mais drones furtivos que possam penetrar nos céus do Golfo Pérsico', disse a Fars citando autoridades não identificadas.

TRUMP PROMOVE OS ACORDOS DE ABRAÃO

Em sua postagem no Truth Social, Trump também conclamou mais países árabes e muçulmanos a aderirem aos Acordos de Abraão, negociados durante seu primeiro mandato e que visam normalizar os laços entre esses países e Israel. Ele disse que a ​Arábia Saudita e o Catar deveriam assinar imediatamente e que o Paquistão, o Egito, a Jordânia e a Turquia deveriam seguir o exemplo, chamando sua solicitação de obrigatória.

O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Uma fonte paquistanesa familiarizada com o assunto disse que a declaração refletia uma tentativa de usar a diplomacia sobre o Irã para uma pressão mais ampla em torno dos acordos -- mas que as duas questões 'não estavam interligadas e não podem ser interligadas'.

Outros viram a sugestão como algo destinado a tornar um acordo com o Irã mais palatável para ​os céticos.

'Trump está tentando vender um acordo com o Irã como uma sequência dos Acordos de Abraão: bom para Israel, bom para a região, duro o suficiente para Washington', disse Ali Vaez, diretor do projeto Irã no International Crisis Group.

'Mas ele está trocando uma fantasia por outra -- desde forçar o Irã a se render até fingir que um acordo frágil pode ancorar uma nova ordem no Oriente Médio.'

PONTOS CRÍTICOS DO ACORDO COM O IRÃ

Baghaei disse que o possível acordo com o Irã não continha detalhes específicos sobre a gestão do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás liquefeito do mundo.

O Irã não cobrará pedágio para a passagem de navios, mas haverá um custo para os serviços oferecidos, como navegação e medidas para proteger o meio ambiente, disse ele, de acordo com um protocolo a ser acordado com Omã, que fica na margem oposta da hidrovia.

O estreito está praticamente fechado desde o início da guerra, em 28 de ​fevereiro, com apenas um pequeno número de embarcações passando por ele, em comparação com cerca de 125 a 140 por dia antes do conflito.

A TV estatal do Irã disse na segunda-feira que 32 navios ‌e cinco petroleiros passaram pelo estreito nas últimas 24 horas com a autorização das ⁠forças navais da Guarda Revolucionária do Irã.

O fechamento na prática do estreito causou um aumento nos preços do petróleo e elevou os custos de combustível, fertilizantes e alimentos. Nesta segunda-feira, os preços do petróleo caíam mais de 4%, atingindo as mínimas de duas semanas, em meio ao otimismo de que um acordo poderia ser fechado em breve.

Trump, cujos índices de aprovação foram atingidos ⁠pelo impacto sobre os preços de energia dos EUA e que enfrentou esforços do Congresso para restringir seus poderes de guerra, ⁠tem repetidamente enfatizado a perspectiva de um acordo para acabar com a guerra.

Em declarações separadas, duas ⁠fontes afirmaram que Netanyahu confidenciou a pessoas ⁠próximas ​que Israel agora tem pouca capacidade de influenciar as decisões de Trump sobre o conflito.

(Reportagem adicional de Akanksha Khushi, Doina Chiacu, Ariba Shahid, Hatem Mater, Andrew Mills, Elwely Elwelly, Michael Martina e Parisa Hafezi)

Reuters

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