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Especialistas se reúnem para discutir os cuidados com o diabetes em idosos

Segundo especialistas, a hipoglicemia também pode ser perigosa nessa faixa etária.

Letícia Furlan

12/04/2019

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O Brasil ocupa o quinto lugar no mundo com diabéticos acima dos 65 anos. E a forma de tratar estes indivíduos que, com frequência, apresentam outras doenças crônicas e podem estar num estado de fragilidade, é um desafio.

O III Simpósio de Endocrinologia Geriátrica, realizado no fim de março no Rio de Janeiro, teve este tema. Entre os especialistas, está mais do que claro que o tratamento deve ser personalizado, levando em conta todos os aspectos do paciente.

O teste de glicemia detecta a hipoglicemia, quando há pouco açúcar em circulação no sangue, ou hiperglicemia, quadro que indica o diabetes mesmo quando não há sintomas. A glicemia não deve passar de 100mg/dl em jejum de oito horas. Já a hemoglobina glicada também dosa a glicose, mas através da sua associação com a hemoglobina. Quando está abaixo de 5,7%, o risco é baixo para o diabetes; entre 5,7% e 6,4%, o paciente tem um quadro de pré-diabetes; e, de 6,5% em diante, o diagnóstico é de diabetes.

É consenso que controlar a doença é essencial para evitar complicações, mas o que vem mudando na clínica médica é a forma de se abordar essa enfermidade. Hoje, o tratamento deve levar em conta as particularidades de cada paciente – se ele é ou não sedentário e se tem histórico de outras complicações, por exemplo.

Quanto mais frágil o idoso, maiores as chances de a medicação levar a um quadro de hipoglicemia, provocando sonolência, falta de coordenação, alterações visuais, quedas e fraturas. Nesse caso, a alternativa de conviver com uma taxa um pouco mais alta de açúcar no sangue para evitar um quadro adverso deve ser considerada.

Mas, para isso, o valor ideal para cada paciente depende da expectativa de vida e dos riscos causados pela hipoglicemia. Alguns dos critérios de fragilidade são: perda de peso maior que 5% em um ano, sensação de fadiga constante, comprometimento da habilidade de subir um lance de escada ou de caminhar uma quadra. Também há necessidade de avaliar o estado mental da pessoa, porque, se houver algum sinal de demência, a ingestão do medicamento poderá ficar prejudicada, caso ela viva sozinha e se medique.

Outras questões devem ser levadas em conta, como o grau de déficit visual, a habilidade manual e a dificuldade de deglutição.

Segundo o Ministério da Saúde, entre 2006 e 2016, houve um aumento de 60% no diagnóstico do diabetes no Brasil. Hoje, estima-se que entre 8% e 9% da população convivam com a doença. Metade dos doentes desconhece o diagnóstico que poderia permitir qualidade de vida.

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