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ESTUDO INDICA QUE TETRIS PODE AJUDAR A REDUZIR FLASHBACKS DE TRAUMAS

PESQUISA COM PROFISSIONAIS DO NHS APONTA QUEDA SIGNIFICATIVA EM MEMÓRIAS INTRUSIVAS APÓS INTERVENÇÃO VISUAL

João Carlos

19/02/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

Um estudo conduzido por pesquisadores do Reino Unido e da Suécia aponta que o clássico jogo Tetris pode ajudar a reduzir memórias intrusivas associadas a experiências traumáticas. A pesquisa envolveu profissionais do NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) expostos a situações extremas durante a pandemia.

Os resultados indicaram que participantes que passaram por uma intervenção específica relataram menos flashbacks ao longo das semanas seguintes.

Como funcionou o estudo

A técnica utilizada, conhecida como Intervenção com Tarefa Competitiva de Imagens (ICTI), vai além da simples ideia de “jogar videogame”.

O procedimento começa com a reativação breve da memória traumática, sob orientação controlada. Em seguida, o participante realiza uma sessão de aproximadamente 20 minutos de uma versão adaptada de Tetris e, posteriormente, é estimulado a manter mentalmente a visualização da grade e dos blocos do jogo.

A proposta dos pesquisadores é que essa intensa atividade visuoespacial interfira na forma como o cérebro reconsolida imagens traumáticas, reduzindo a força e a frequência dos flashbacks.

Resultados observados

Após quatro semanas, o grupo que recebeu a intervenção apresentou número de flashbacks até dez vezes menor do que os grupos de comparação, que receberam tratamento padrão ou ouviram música de Mozart acompanhada de podcasts.

Após seis meses, cerca de 70% dos participantes relataram não ter mais memórias intrusivas. Também houve redução de sintomas associados ao transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

O que dizem os pesquisadores

Créditos da imagem: professora Emily Holmes. Academia Real de Ciências da Suécia

A professora Emily Holmes, da Universidade de Uppsala, que liderou o estudo, afirmou que até mesmo uma lembrança intrusiva pode afetar significativamente a vida cotidiana, desviando a atenção e desencadeando emoções intensas.

Segundo ela, ao atenuar o aspecto sensorial dessas memórias por meio de uma intervenção visual breve, os pacientes experimentaram menos flashbacks.

Impacto e próximos passos

Créditos da imagem: Tayla McCloud, líder de pesquisa em saúde mental digital da Wellcome. University College London

Tayla McCloud, líder de pesquisa em saúde mental digital da Wellcome — instituição que financiou o estudo — classificou o impacto potencial como “enorme”. Ela destacou que o método é acessível, escalável e não exige que os pacientes verbalizem seus traumas, podendo inclusive superar barreiras linguísticas.

O fenômeno dialoga com o chamado “Efeito Tetris”, termo usado para descrever como tarefas visuoespaciais intensas podem influenciar a forma como o cérebro processa imagens — algo já observado por jogadores que relatam continuar “vendo” blocos após longas sessões.

Os pesquisadores agora pretendem ampliar os testes para grupos maiores. Especialistas ressaltam que a intervenção não substitui terapias tradicionais, mas pode se tornar uma ferramenta complementar dentro da saúde mental digital.

Se confirmada em estudos futuros, a técnica poderá abrir caminho para abordagens mais simples e acessíveis no enfrentamento de memórias traumáticas.

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