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    Estudo sugere que o mal de Parkinson tem origem no apêndice

    Segundo estudo americano, aqueles pacientes que removeram seus apêndices tinham menos risco de desenvolver a doença.

    Por Letícia Furlan

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    Segundo um novo estudo, publcicado na revista norte-americana Science Translational Medicine, a doença de Parkinson pode ter origem no sistema digestivo. Segundo os pesquisadores, pessoas que tiveram seu apêndice removido tinham menos chance de desenvolver essa doença neurodegenerativa.

    No pequeno órgão cuja utilidade no corpo humano ainda é uma incógnita, há o acúmulo de uma proteína associada à doença, a alfa-sinucleína. Conforme mostrou a pesquisa, mutações dessa proteína foram encontradas em pacientes com Parkinson.

    Uma das autoras do estudo, Viviane Labrie, disse que a alfa-sinucleína "é capaz de viajar pelo nervo que conecta o trato gastrointestinal (onde fica o apêndice) até o cérebro, se disseminar e ter efeitos neurotóxicos".

    A Parkinson UK, do Reino Unido, diz que a descoberta representa uma forte evidência de que a origem da doença pode estar localizada fora do cérebro. No mal de Parkinson, proteínas tóxicas se acumulam no cérebro e matam os nervos, especialmente aqueles ligados ao movimento. Apesar de afetar o cérebro, há evidências crescentes de que o sistema digestivo está ligado à doença.

    Pesquisadroes do instituto Van Andel Research, em Michigan, EUA, analisaram dados médicos de 1,6 milhão de suecos em mais de 50 anos. Naqueles pacientes que haviam removido o apêndice, o risco de desenvolver Parkinson foi 19 por cento menor.

    Mas é importante salientar: essa relação ocorreu apenas em pacientes que retiraram o órgão anos antes de desenvolverem os primeiros sinais de Parkinson. Aqueles que retiraram o órgão após apresentarem sintomas de Parkinson não tiveram nenhuma melhora no quadro.

    "Apesar de ter uma reputação de algo completamente desnecessário, o apêndice desempenha um papel importante no nosso sistema imunológico, na regulação da composição de nossas bactérias intestinais e agora, como mostramos com o nosso trabalho, na doença de Parkinson", diz a pesqusiadora Labrie.

    O apêndice, obviamente, não é o único fator que entra em jogo na doença Parkinson. Mas os pesquisadores argumentam que o sistema digestivo é um solo fértil para essa proteína alfa-sinucleína, que viaja através do nervo vago até o cérebro.

    Labrie diz que o estudo não quer fazer com que as pessoas removam o apêndice. "Não estamos promovendo a apendicectomia como uma forma de proteger contra a doença de Parkinson", afirmou. "Seria muito mais sensato controlar ou reduzir a formação excessiva de alfa-sinucleína para reduzir sua superabundância ou impedir que ela escape."

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