FESTIVAL DE SANREMO 2026, O QUE ESPERAR DA GRANDE FINAL
EVENTO CHEGA AO SÁBADO DECISIVO APÓS SEMANA MARCADA POR EMOÇÃO, POLÊMICAS E DISPUTA ACIRRADA
João Carlos
27/02/2026
O Festival di Sanremo chega nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, à reta final de uma edição que manteve a Itália inteira conectada ao palco do Teatro Ariston, em Sanremo. Após quatro noites de apresentações, rankings provisórios e debates intensos na imprensa italiana, a expectativa agora se concentra na grande decisão deste sábado (28).
Desde a abertura, no dia 24, jornais como Corriere della Sera, La Repubblica e portais especializados destacam uma edição marcada por equilíbrio artístico, forte presença de nomes consolidados e espaço relevante para novas linguagens da música italiana contemporânea.
Mas um dos pontos mais comentados pela imprensa foi a presença de Laura Pausini como co-apresentadora ao lado de Carlo Conti. A cantora, que construiu carreira internacional a partir do próprio palco de Sanremo nos anos 1990, retornou agora em um papel institucional — e foi amplamente elogiada pela naturalidade, carisma e domínio de cena.
Laura Pausini: entre memória e protagonismo

Créditos da imagem: Reprodução/my-personaltrainer.it
A recepção da crítica foi majoritariamente positiva. Colunistas italianos destacaram sua postura segura na condução dos blocos ao vivo, observando o equilíbrio entre informalidade e elegância e a habilidade de dialogar tanto com o público tradicional do festival quanto com as novas gerações que acompanham o evento pelas plataformas digitais.
Ao longo das noites, alguns momentos reforçaram essa percepção. Um discurso emocionado em defesa da paz ganhou ampla repercussão nas redes sociais e foi reproduzido por diversos veículos da imprensa italiana, ampliando o alcance simbólico do festival para além da música. Em outro ponto alto, Pausini voltou ao centro do palco do Ariston para uma performance especial interpretada como uma celebração da própria trajetória iniciada ali nos anos 1990. A apresentação foi tratada como um retorno às origens, carregado de significado.
Também chamaram atenção as interações espontâneas com os concorrentes, marcadas por leveza e proximidade, ajudando a imprimir ritmo a uma edição considerada tecnicamente sólida, ainda que menos marcada por controvérsias do que anos anteriores.
Sua presença reforça um elemento simbólico recorrente em Sanremo: o festival como espaço de consagração e retorno. A artista que venceu na categoria Novas Propostas em 1993 reaparece agora como figura central na condução do evento, completando um ciclo que a mídia italiana tem explorado como exemplo de continuidade histórica e permanência cultural.
O dueto que dominou as manchetes: Eros Ramazzotti e Alicia Keys

Créditos da imagem: Reprodução/Ansa
Se houve um momento capaz de extrapolar o noticiário cultural e ganhar espaço nas manchetes, foi o encontro entre Eros Ramazzotti e Alicia Keys no palco do Ariston.
A apresentação foi amplamente apontada como um dos pontos altos desta edição. O dueto uniu a tradição da canção romântica italiana à força interpretativa do R&B contemporâneo norte-americano, criando um momento de apelo internacional que repercutiu imediatamente nas redes sociais e nos principais portais de notícias.
A imprensa destacou não apenas a qualidade vocal do encontro, mas o simbolismo da união entre dois artistas que representam mercados distintos e consolidados. A performance foi interpretada como um gesto claro de projeção global do festival, algo que Sanremo cultiva há décadas.
Todos os anos, o Festival reserva espaço para uma grande atração internacional. Trata-se de uma tradição estratégica: reafirmar o peso cultural do evento dentro da Itália e, ao mesmo tempo, posicioná-lo como vitrine da música mundial. Em 2026, esse papel coube a Alicia Keys, cuja presença reforçou o alcance internacional da transmissão.
Uma semana de música, discurso e emoção
Sob direção artística de Carlo Conti, o festival manteve o formato tradicional, com 30 artistas na competição principal e um sistema de votação dividido entre júri da imprensa, júri das rádios e televoto.
A tradicional “serata delle cover” voltou a figurar entre os momentos mais comentados da semana, com releituras de clássicos italianos e internacionais que ampliaram o debate artístico e reacenderam a conexão entre passado e presente.
A disputa pelo troféu e pelo Eurovision
Além do troféu do festival, está em jogo a possibilidade de representar a Itália no Eurovision Song Contest 2026. Tradicionalmente, o vencedor de Sanremo recebe o convite para defender o país no evento europeu — caso aceite.
Até aqui, os nomes que mais se destacaram na disputa principal incluem Fedez & Marco Masini, Serena Brancale e Arisa.

Créditos da imagem: Daniele Venturelli/Getty Images
Fedez, um dos nomes mais populares do rap e do pop italiano da última década, soma sua força midiática à experiência de Marco Masini, vencedor de Sanremo em 2004 e intérprete de baladas intensas que marcaram gerações. A parceria foi interpretada como um encontro entre contemporaneidade e tradição melódica italiana.

Créditos da imagem: Reprodução via leggo.it
Serena Brancale surpreendeu parte da crítica com uma performance sofisticada, influenciada pelo jazz e pelo soul, destacando-se pelo controle vocal e presença de palco.

Créditos da imagem: Daniele Venturelli/Getty Images
Já Arisa, veterana e vencedora de edições anteriores, voltou a demonstrar a força interpretativa que a tornou figura recorrente nas fases decisivas do festival.
Especialistas lembram que a votação final costuma reservar reviravoltas. A combinação entre júri técnico e televoto pode alterar completamente o ranking provisório, tornando a superfinal um território imprevisível.
O que esperar da grande final
A grande final deste sábado promete condensar tudo o que Sanremo construiu ao longo da semana: emoção, tensão e o suspense característico do palco do Ariston. Os finalistas retornam para uma última apresentação — e, nesse momento, cada detalhe ganha peso. Um arranjo mais intenso ou uma interpretação mais visceral pode redefinir o resultado.
Após as performances, os cinco mais bem colocados avançam para a etapa decisiva, quando uma nova rodada de votação definirá o campeão da 76ª edição. É nesse ponto que o festival costuma virar, transformando favoritismo em incerteza real.
Mais do que anunciar um vencedor, a final de 2026 simboliza o encerramento de uma semana em que tradição e renovação dividiram o mesmo palco. A grande noite carrega a memória acumulada de um evento que, a cada edição, representa a soma de emoções e a própria evolução da música italiana.
É quando o país se reconhece em suas canções e, simbolicamente, escolhe qual voz deseja projetar para a Europa no Eurovision — e para o mundo.
E, como acontece todos os anos, a Itália deve parar para assistir. Porque Sanremo não é apenas um festival. É um momento especial da música italiana.


