FESTIVAL DE SANREMO CONSAGRA A MÚSICA TRADICIONAL ITALIANA
SAL DA VINCI REAFIRMA A FORÇA DA CANÇÃO MELÓDICA NO TEATRO ARISTON
João Carlos
02/03/2026
A final do Festival di Sanremo 2026, realizada em 28 de fevereiro no histórico Teatro Ariston, confirmou a permanência da tradição como elemento central da música italiana. O vencedor foi Sal Da Vinci, que conquistou o público e o júri com “Per sempre sì”, em uma disputa marcada pelo equilíbrio entre veteranos e novos nomes da cena contemporânea.
A votação combinada de júri técnico, imprensa e televoto resultou em uma classificação apertada. Com 22,2% dos votos, Sal Da Vinci superou concorrentes de perfis distintos e reafirmou a força da canção melódica em um festival cada vez mais plural.
A imprensa italiana destacou o simbolismo da vitória: um intérprete napolitano, com trajetória consolidada no teatro musical e na música popular, triunfando em uma edição que reuniu linguagens diversas, do pop ao rap.
A canção vencedora
“Per sempre sì” foi descrita por críticos italianos como uma balada de estrutura clássica, sustentada por arranjo orquestral elegante, base rítmica contemporânea e interpretação intensa. A composição equilibra tradição melódica italiana e produção atual, com refrão expansivo e letra centrada em compromisso, permanência e romantismo — elementos que dialogam diretamente com a história do Festival di Sanremo.
A performance na final reforçou essa identidade. Sal Da Vinci optou por interpretação contida nos versos iniciais, crescendo gradualmente até um clímax emocional no refrão. O resultado foi uma apresentação marcada por controle vocal e entrega dramática, sem excessos cenográficos. A crítica ressaltou a coerência entre repertório, trajetória e mensagem artística.
Também surgiram especulações sobre uma possível participação no Eurovision Song Contest 2026, que foram rapidamente confirmadas. Após vencer o Festival di Sanremo 2026 com “Per sempre sì”, Sal Da Vinci aceitou oficialmente o convite da RAI em coletiva realizada no dia 1º de março, garantindo sua presença na edição que acontecerá em Viena, entre 12 e 16 de maio.
O cantor optou por manter a canção vencedora, seguindo a tradição adotada pela Itália desde 2015, com raras exceções. A decisão encerrou especulações que surgiram após casos recentes de artistas que abriram mão da vaga, como ocorreu em 2025. Em sua declaração, Sal Da Vinci destacou o “orgulho de levar a música italiana ao mundo”, reforçando o caráter simbólico de sua participação.
Top 10 – Classificação Final
1º – Sal Da Vinci – “Per sempre sì”
2º – Sayf – “Tu mi piaci”
3º – Ditonellapiaga – “Che fastidio!”
4º – Arisa – “Magica favola”
5º – Fedez e Marco Masini – “Male necessario”
6º – Nayt – “Prima che”
7º – Fulminacci – “Stupida Fortuna”
8º – Ermal Meta – “Stella Stellina”
9º – Serena Brancale – “Qui con me”
10º – Tommaso Paradiso – “I romantici”
A edição de 2026 foi descrita pela crítica italiana como uma síntese equilibrada entre tradição e contemporaneidade. No Corriere della Sera, o destaque foi para o “retorno da melodia clássica ao centro do palco”, enfatizando a força interpretativa de Sal Da Vinci e o peso simbólico de sua vitória. Já o La Repubblica ressaltou o contraste geracional do pódio, observando que o festival conseguiu colocar lado a lado artistas emergentes e nomes consolidados sem perder identidade.
O Il Messaggero comentou a expressiva participação do televoto e classificou a final como uma das mais competitivas dos últimos anos, enquanto a Rai News destacou a audiência elevada e o impacto cultural do resultado, apontando que Sanremo voltou a discutir o significado da tradição no cenário musical atual.
Em um palco que historicamente molda a identidade musical italiana, a vitória de Sal Da Vinci reafirmou que a canção clássica segue ocupando espaço central no imaginário cultural do país, mesmo em uma indústria cada vez mais plural e digital.


