GOOGLE HOME SPEAKER CHEGA COM GEMINI
NOVA CAIXA DE SOM DE US$ 99,99 DESAFIA A ALEXA+ E ACIRRA A CORRIDA POR CASAS E CARROS CONECTADOS
João Carlos
23/06/2026
O Google decidiu voltar a falar alto na sala de estar. Seis anos depois do Nest Audio, a empresa abriu a pré-venda do Google Home Speaker, seu primeiro novo alto-falante inteligente da categoria desde 2020. O aparelho chega às lojas internacionais em 25 de junho, por US$ 99,99.
O produto havia sido antecipado em 2025. O anúncio mais recente, feito em 17 de junho, confirmou preço, disponibilidade e os detalhes finais do funcionamento. A estreia contempla 18 países, entre eles Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Japão e Austrália. O Brasil não integra a primeira lista e ainda não possui data ou preço anunciados.
Gemini assume a conversa dentro de casa
A grande novidade está menos no formato arredondado da caixa e mais em seu “cérebro”. O Google Home Speaker é o primeiro dispositivo de áudio desenvolvido especificamente para o Gemini for Home, versão da inteligência artificial adaptada para controlar a casa, tocar conteúdos e responder a perguntas por voz.
No lugar das frases rígidas do antigo Google Assistente, o Gemini promete interpretar uma fala mais próxima da conversa cotidiana. O usuário pode pedir, em uma única frase, que as luzes sejam reduzidas, uma música comece a tocar e um cronômetro seja ativado.
Também será possível corrigir uma ordem no meio da frase ou fazer perguntas complementares sem explicar novamente todo o assunto. A chamada “memória de curto prazo” mantém o contexto da conversa, enquanto o recurso Continued Conversation deixa o microfone aberto por alguns segundos após cada resposta. O sistema oferece dez opções de voz.
O Gemini, porém, não será exclusivo da nova caixa. Aparelhos compatíveis, como Nest Audio, Nest Mini de segunda geração e alguns modelos Nest Hub, também podem receber o novo assistente. A diferença é que o Google Home Speaker foi projetado desde o início para essa experiência.
Nem toda a inteligência roda dentro da caixa
Depois da configuração inicial pelo aplicativo Google Home, em um celular ou tablet, o aparelho passa a receber comandos diretamente pela rede Wi-Fi, sem precisar permanecer pareado ao telefone.
O processador possui quatro núcleos A55 de 2 GHz e uma NPU, unidade dedicada à aceleração de tarefas de inteligência artificial. Isso não significa, entretanto, que todo o Gemini funcione dentro do equipamento. O que o Google confirmou como processamento local são modelos voltados à redução de ruído, supressão de eco e separação da voz em ambientes movimentados.
Som em 360 graus e central para a casa conectada
O modelo tem um único driver de 58 milímetros, três microfones de longo alcance e áudio omnidirecional, pensado para distribuir o som de maneira uniforme pelo ambiente. Duas unidades podem formar um par estéreo.
A expressão “som espacial” exige uma observação: ela se aplica quando uma ou duas caixas são conectadas ao Google TV Streamer, formando um sistema de surround para filmes e séries. Sozinho, o alto-falante entrega áudio de 360 graus, mas não o mesmo efeito de cinema.
A caixa também funciona como controladora Matter e roteador de borda Thread 1.3. Na prática, pode servir como uma central para lâmpadas, tomadas, fechaduras, sensores e outros equipamentos compatíveis com os padrões mais recentes de casa conectada. Há ainda Wi-Fi 6, Bluetooth 5.4, controles sensíveis ao toque e uma chave física para desligar os microfones.
O visual traz tecido produzido por um processo de tricô tridimensional e um anel luminoso na base, que indica quando o Gemini está ouvindo, processando ou respondendo. As cores Hazel e Porcelain terão distribuição mais ampla. Jade e Berry serão exclusivas dos Estados Unidos.
O que é gratuito e o que exige assinatura
As funções básicas do Gemini for Home permanecem gratuitas. Isso inclui controlar dispositivos, reproduzir música, consultar informações, criar alarmes, lembretes, listas e compromissos.
A experiência mais avançada fica dividida entre dois planos do Google Home Premium. Nos Estados Unidos, o Standard custa US$ 10 por mês ou US$ 100 por ano e inclui Gemini Live, criação de automações em linguagem natural, histórico de eventos em vídeo por 30 dias e alertas inteligentes.
O Advanced custa US$ 20 mensais ou US$ 200 anuais. Ele acrescenta descrições de eventos geradas por IA, buscas no histórico das câmeras Nest e o Home Brief, um resumo do que aconteceu na residência enquanto o morador esteve fora.
Compradores elegíveis que adquirirem o aparelho até 30 de setembro recebem seis meses do plano Standard. Portanto, a oferta não inclui automaticamente as ferramentas mais sofisticadas de análise de câmeras, que pertencem ao Advanced. Depois do período promocional, a assinatura é renovada caso não seja cancelada.
A resposta direta à Alexa+

Crédito da imagem: gerada por IA
Preço e proposta colocam o lançamento frente a frente com o Echo Dot Max. A nova caixa da Amazon também custa US$ 99,99, foi desenvolvida para a Alexa+ e funciona como central para equipamentos Zigbee, Matter e Thread.
A Alexa+ já está disponível amplamente nos Estados Unidos. O acesso completo custa US$ 19,99 mensais, mas é incluído sem cobrança adicional para assinantes do Amazon Prime no país. A plataforma permite conversas contínuas, comandos múltiplos, personalização e realização de tarefas por meio de serviços externos.
A disputa, portanto, vai muito além da qualidade do alto-falante. A Amazon aposta na integração com Ring, Fire TV, compras e serviços. O Google responde com Gemini, câmeras Nest, Android, Google TV, YouTube e seus recursos de busca.
É uma batalha para transformar o assistente de voz no centro operacional da residência. Quem escolhe uma plataforma tende a comprar lâmpadas, câmeras, campainhas e televisores que conversem melhor com aquele mesmo ecossistema.
A inteligência artificial também está chegando aos carros
A curiosidade é que essa corrida já ultrapassou a porta de casa. Não é exatamente a caixa de som que vai para o painel: são as plataformas Gemini e Alexa+ que estão sendo incorporadas aos veículos.
O Gemini já está presente no Android Auto e começou a chegar aos automóveis com Google integrado. Segundo a empresa, existem mais de 250 milhões de veículos compatíveis com Android Auto, enquanto o Google built-in está disponível em mais de 100 modelos de 16 marcas. A proposta inclui conversas por voz, busca de destinos, leitura de mensagens e acesso a informações do próprio automóvel.
A Amazon segue caminho parecido. A tecnologia da Alexa+ será usada no assistente veicular da BMW, e a companhia anunciou outras expansões para experiências dentro do carro.
Uma corrida ainda sem vencedora
O Google Home Speaker surge como a resposta mais forte da empresa à nova geração da Alexa. O preço competitivo, a linguagem mais natural e a integração com Matter, Thread, Nest e Google TV tornam o aparelho um concorrente relevante.
Ainda assim, o lançamento não garante uma vitória automática. Será preciso avaliar em testes independentes a qualidade do som, a velocidade das respostas, a precisão dos comandos e quanto da experiência perde valor sem uma assinatura.
A principal mudança já está clara: a caixa de som inteligente deixou de ser apenas um aparelho que toca música e acende lâmpadas. Google e Amazon querem transformá-la na porta de entrada da inteligência artificial para toda a casa conectada — e, cada vez mais, também para o carro.


