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Guerra no Oriente Médio vai reduzir crescimento e com impacto em cascata, diz presidente do Banco Mundial

Guerra no Oriente Médio vai reduzir crescimento e com impacto em cascata, diz presidente do Banco Mundial

Reuters

10/04/2026

Placeholder - loading - O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga  7 de abril de 2026 REUTERS/Aaron Schwartz
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga 7 de abril de 2026 REUTERS/Aaron Schwartz

Por Andrea Shalal

WASHINGTON, 10 Abr (Reuters) - A guerra no Oriente Médio ​terá um impacto em cascata sobre a economia global, mesmo que o frágil cessar-fogo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se concretize, disse à Reuters o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, em uma entrevista nesta sexta-feira.

Os danos, acrescentou ele, serão muito maiores caso o cessar-fogo fracasse e o conflito se intensifique.

Na terça-feira, Banga havia estimado que o crescimento global poderia ser reduzido em 0,3 a 0,4 ponto percentual em um cenário base, com um fim antecipado da guerra, e em até 1 ponto percentual caso o conflito se estenda. A inflação poderia aumentar entre 200 e 300 pontos-base, com um impacto muito maior -- de até 0,9 ponto percentual - se a guerra continuar, afirmou.

A guerra, que matou milhares de pessoas em todo o ⁠Oriente Médio, fez com ⁠que o preço do petróleo subisse 50% e ​interrompeu o ‌fornecimento de petróleo, gás, fertilizantes, hélio e outros produtos, além de afetar o turismo e as viagens aéreas.

O cessar-fogo de duas semanas anunciado por Trump parece tênue, com Israel e Irã mantendo seus ataques. O Irã defendeu nesta sexta-feira que os ativos iranianos bloqueados devem ser liberados e que um cessar-fogo deve incluir o Líbano antes ⁠de seguir com as negociações entre Washington e Teerã previstas para sábado no Paquistão. Trump anunciou ​que navios de guerra dos EUA estavam sendo recarregados com munição para o caso de fracasso nas negociações.

'A ​questão realmente é: será que essa paz atual e as negociações que ‌acontecerão neste fim de semana ​levarão a ⁠uma paz duradoura e à reabertura do Estreito (de Ormuz)?', disse Banga.

'Se isso não acontecer, e se o conflito voltar a eclodir, isso teria um impacto ainda maior, ou um impacto de longo prazo na infraestrutura de energia?'

Segundo Banga, o maior banco de desenvolvimento ​do mundo já discute com alguns países em desenvolvimento -- incluindo pequenos Estados insulares desprovidos de recursos energéticos naturais -- o acesso a recursos de programas existentes por meio das chamadas 'janelas de resposta a crises'.

O kit de ferramentas de crise do Banco Mundial permite que países utilizem fundos previamente aprovados, mas ainda não desembolsados, sem aprovações adicionais da diretoria, com maior flexibilidade.

Banga afirmou, ​no entanto, que o banco tem alertado os países para que evitem estabelecer subsídios à energia que não possam pagar, o que desencadearia problemas ainda maiores no futuro.

'Preocupo-me em garantir que eles consigam superar essa crise, direcionando o que precisam fazer, mas sem fazer nada que deteriore ainda mais o espaço fiscal', explicou.

Muitos dos países em desenvolvimento enfrentam altos níveis de endividamento e as taxas de juros permanecem elevadas, o que limita sua capacidade de tomar dinheiro emprestado para financiar medidas que respondam ao aumento nos custos de energia e outros bens causado pela guerra.

A crise colocou um novo foco na necessidade ​de os países diversificarem o fornecimento de energia e aumentarem a autossuficiência, disse Banga. Em junho passado, o Banco Mundial encerrou uma ‌proibição de longa data de financiamento de projetos de ⁠energia nuclear, como parte de um esforço para atender às crescentes necessidades de eletricidade.

O Banco Mundial tem diversos produtos da área de energia em andamento, disse Banga, observando que já estão em curso conversas com países interessados em estender ⁠a vida útil de suas frotas de reatores nucleares e outros que desejam ⁠adotar a energia nuclear.

'Se não houver energia nuclear, hidrelétrica e ⁠geotérmica em escala, além ⁠de ​energia eólica e solar, eles acabarão fazendo mais com os combustíveis tradicionais, e ninguém quer isso', afirmou.

(Reportagem de Andrea Shalal, em Washington)

Reuters

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