HÁ 30 ANOS AS SPICE GIRLS PREPARAVAM SEU PRIMEIRO ÁLBUM
NO INÍCIO DE 1996, O GRUPO AINDA ERA UMA APOSTA, MAS NOS BASTIDORES JÁ MOLDAVA UM DOS MAIORES FENÔMENOS DO POP
João Carlos
05/02/2026
Há exatamente 30 anos, em meados de fevereiro de 1996, as Spice Girls viviam um momento decisivo nos bastidores da produção musical. Após assinarem contrato com a Virgin Records no fim de 1995, depois de um longo e rigoroso processo de seleção das cantoras que iriam compor o grupo, toda a equipe estava concentrada nas gravações do álbum de estreia. Naquele momento, porém, ainda não havia qualquer dimensão do impacto cultural que estava por vir.
Tudo era incerto. A pergunta que pairava sobre o projeto era simples e ao mesmo tempo decisiva: toda a energia, o investimento e a aposta criativa realmente resultariam no êxito esperado? O sucesso ainda era apenas uma possibilidade distante, cercada por expectativas e dúvidas.
Como foi o processo de seleção para a formação do grupo
A origem das Spice Girls remonta a 1994, quando os produtores britânicos Bob Herbert e Chris Herbert, ligados à Heart Management, iniciaram audições abertas com o objetivo de formar um grupo feminino que tivesse personalidade própria e maior controle artístico, algo pouco comum no pop da época.
Centenas de candidatas participaram do processo até que cinco jovens artistas, com perfis e temperamentos distintos, fossem selecionadas: Melanie Brown, Melanie Chisholm, Emma Bunton, Victoria Adams e Geri Halliwell.
Desde o início, a proposta não era apenas montar um grupo pop, mas criar uma identidade coletiva forte, baseada em atitude, autonomia e presença. Essa base conceitual foi fundamental para tudo o que viria depois, inclusive durante as gravações do álbum de estreia, quando as integrantes passaram a reivindicar maior participação criativa e controle sobre a própria imagem.
Como ocorreram as gravações
No início de 1996, as sessões de estúdio aconteciam principalmente em Londres e envolviam um processo fragmentado, com diferentes produtores e ideias sendo testadas. Não havia pressa para concluir o disco. A prioridade era definir uma identidade sonora clara, capaz de traduzir em música o conceito que as cinco integrantes já defendiam com convicção: atitude, autonomia feminina e personalidade.

Créditos da imagem: capa original do álbum “Spice” (1996) do grupo Spice Girls. Virgin Records / Spice Girls
O álbum que mais tarde seria lançado como Spice ainda estava longe de sua forma final. Algumas faixas existiam apenas como demos ou versões preliminares, enquanto outras passavam por ajustes constantes de letra, arranjo e produção. Nesse período, a canção “Wannabe” já despontava como peça central do projeto, definida internamente como o cartão de visitas ideal para apresentar o grupo ao público.
A estratégia antes do fenômeno
O foco naquele momento não era o álbum em si, mas a estratégia de lançamento. A gravadora apostava que um single forte poderia abrir caminho para o disco, que seria concluído e refinado ao longo dos meses seguintes. A escolha se mostraria certeira. Lançada em junho, “Wannabe” transformou as Spice Girls de promessa em fenômeno global, acelerando a reta final das gravações e redefinindo o destino do projeto.
Quando Spice chegou às lojas em novembro, o cenário já era outro. O grupo havia conquistado o público com sua imagem marcante, impulsionada pelo videoclipe do single, e dominado as rádios com uma melodia imediata e contagiante. Ainda assim, o tamanho do sucesso surpreendeu até os mais otimistas.
O que se viu nos meses seguintes foi o surgimento de uma nova era para o pop dos anos 1990. Um novo patamar foi estabelecido, não apenas pela música, mas por um discurso que ultrapassava o som, sustentado pela força da imagem, das vozes e, principalmente, da atitude feminina. Três décadas depois, revisitar aquele início revela um contraste curioso: antes da explosão mundial, havia apenas cinco jovens artistas, ideias em construção e um álbum que ainda estava sendo moldado, faixa por faixa, para fazer história.


