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HÁ 42 ANOS, PURPLE RAIN ESTREAVA NO REINO UNIDO

FILME CHEGOU AO PAÍS CINCO SEMANAS APÓS O LANÇAMENTO AMERICANO E AJUDOU A TRANSFORMAR PRINCE EM UM ÍCONE GLOBAL

João Carlos

31/08/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

Em 31 de agosto de 1984, Purple Rain chegava aos cinemas do Reino Unido. O público britânico ainda não havia encontrado Prince nas grandes telas, mas o filme desembarcava cercado pela repercussão produzida nos Estados Unidos, onde havia estreado exatamente cinco semanas antes, em 27 de julho.

Crédito da imagem: Divulgação / Warner Bros.

Dirigido por Albert Magnoli, o musical apresentava Prince como The Kid, um jovem músico de Minneapolis dividido entre os conflitos familiares, a rivalidade nos palcos e a tentativa de encontrar sua própria identidade artística. O personagem era fictício e a história continha diversas dramatizações, embora incorporasse referências à carreira, à cidade, à banda e à imagem pública do cantor.

Uma estreia cercada pela repercussão americana

A chegada britânica ocorreu depois que o projeto já havia provocado uma tempestade comercial nos Estados Unidos. A Warner Bros. havia construído uma campanha coordenada entre o disco, os singles, os videoclipes e o filme. Quando Purple Rain estreou nos cinemas americanos, “When Doves Cry” já liderava as paradas de pop, R&B e dance, enquanto o longa assumiu momentaneamente a dianteira das bilheterias.

Esse intervalo permitiu que as notícias sobre o fenômeno americano aumentassem a curiosidade no Reino Unido. O público britânico não recebeu uma produção desconhecida, mas um filme associado a uma das maiores ascensões musicais daquele verão.

A trilha sonora, lançada antes do longa, também já estava em circulação. Na parada britânica publicada imediatamente após a estreia do filme, o álbum Purple Rain ocupava o 15º lugar, enquanto “When Doves Cry” aparecia na 19ª posição, depois de ter alcançado o número 4.

O disco ainda continuaria crescendo. Meses depois, em março de 1985, chegaria ao 7º lugar da Official Albums Chart. Ao todo, permaneceria 86 semanas entre os cem álbuns mais populares do Reino Unido.

Uma trilha sonora que ainda estava em movimento

Quando Purple Rain chegou aos cinemas britânicos, a história musical do projeto estava longe de terminar. Algumas canções já eram sucessos, enquanto outras ainda seriam lançadas como singles. Cinema e música passaram a trabalhar em sequência: o disco levava o público às salas, e as performances do filme devolviam as músicas às rádios e às lojas.

“When Doves Cry” foi o primeiro grande sinal dessa mudança. Com uma produção incomum, construída sem uma linha de baixo tradicional, a música alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos e o número 4 no Reino Unido. Também se tornou o primeiro single de Prince a entrar no Top 10 britânico.

A faixa-título “Purple Rain” ainda não havia entrado na parada britânica quando o filme estreou. O single apareceu no ranking em setembro e, durante sua campanha original de 1984, chegou ao 8º lugar. A gravação funcionava como o grande desfecho emocional do disco e do longa, reunindo elementos de rock, soul, gospel e música orquestral em uma apresentação construída para transformar o palco em cinema.

“Let’s Go Crazy”, responsável por abrir tanto o álbum quanto o filme, começava com uma introdução falada próxima de um sermão antes de explodir em sintetizadores, bateria e guitarra. A canção chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos. No mercado britânico, seria lançada posteriormente ao lado de “Take Me with U”, alcançando a 7ª posição em março de 1985.

O repertório ainda incluía outras faixas que mostravam diferentes dimensões de Prince: o cantor romântico, o provocador, o líder de banda, o guitarrista e o produtor interessado em aproximar rock, funk, pop e R&B sem respeitar divisões rígidas entre os estilos.

O cinema apresentou Prince por inteiro

Prince já possuía uma carreira importante antes de Purple Rain. Álbuns como Dirty Mind, Controversy e 1999 haviam construído sua reputação como compositor, produtor e multi-instrumentista. No Reino Unido, porém, seu alcance popular ainda era relativamente recente: “1999” havia se tornado seu primeiro single a entrar no Top 40 britânico em 1983, chegando ao 25º lugar.

Para parte da audiência, ele ainda era percebido como um artista enigmático, provocador e difícil de classificar. Sua música combinava gêneros tradicionalmente separados, enquanto figurinos, maquiagem, saltos, rendas e uma imagem andrógina desafiavam as convenções associadas aos astros masculinos do rock e do R&B.

O filme acrescentou algo que os discos e os videoclipes não conseguiam oferecer sozinhos: tempo para observar aquela persona em movimento. Durante quase duas horas, Prince aparecia cantando, tocando guitarra, conduzindo sua banda, pilotando a motocicleta, enfrentando o rival Morris Day e revelando fragilidades que contrastavam com a autoconfiança mostrada no palco.

A interpretação e o roteiro receberam avaliações desiguais, mas a força do longa não dependia de apresentar Prince como um ator convencional. Seu papel como The Kid ampliava sua presença como estrela. O cinema dava contexto, narrativa e dimensão emocional à figura que o público começava a conhecer pelas músicas.

Uma análise publicada pelo The Washington Post na época considerou o longa uma poderosa apresentação de Prince, mesmo reconhecendo os problemas dramáticos da produção. Já a crítica britânica preservada pelo BFI observou que o filme equilibrava diálogos limitados com estilo visual, performances e uma identidade coerente construída ao redor do cantor.

Por que Prince foi comparado a Jimi Hendrix

As comparações entre Prince e Jimi Hendrix também surgiram durante a explosão de Purple Rain.

A imprensa da época destacou a força de Prince como guitarrista e o colocou na tradição de Hendrix e Sly Stone, artistas capazes de tornar pouco importantes as divisões entre soul, funk e rock. Na Rolling Stone, o crítico Kurt Loder também relacionou os dois músicos ao comentar a maneira como Prince combinava estilos associados às tradições musicais negra e branca.

A comparação ganhou uma leitura especialmente interessante no Reino Unido. Em uma crítica publicada originalmente em outubro de 1984, a revista Monthly Film Bulletin, interpretou a música “Purple Rain” como uma reivindicação do espaço ocupado por Hendrix como grande artista de crossover. O texto também identificava ecos do glamour visual do guitarrista na estética do filme.

A associação com Hendrix dizia respeito principalmente ao lugar cultural que ele começava a ocupar: um artista negro colocando a guitarra no centro do espetáculo, conquistando a audiência do rock e, ao mesmo tempo, preservando suas ligações com o funk, o soul, a música dançante e o R&B.

Do cinema ao Oscar

A força dessa combinação seria reconhecida alguns meses depois. Em 25 de março de 1985, Prince venceu o Oscar por Purple Rain na categoria Melhor Trilha Original de Canções, chamada oficialmente de Music, Original Song Score. Foi a única indicação recebida pelo filme e terminou em vitória.

Em 2019, Purple Rain também foi selecionado para o National Film Registry, programa da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos dedicado à preservação de obras consideradas cultural, histórica ou esteticamente relevantes.

A estreia britânica de 31 de agosto de 1984 registra Prince no centro de uma transformação: o sucesso americano já ecoava, as paradas britânicas começavam a responder e algumas das principais músicas da trilha ainda estavam a caminho.

Purple Rain não colocou apenas um músico diante das câmeras. Naquele momento, o cinema apresentou Prince em tela cheia.

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