IAG: O PLANO DA OPENAI PARA A PRÓXIMA ERA DA IA
MANIFESTO DA EMPRESA DEFENDE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GERAL ACESSÍVEL, SEGURA E VOLTADA AO BENEFÍCIO DE TODOS
João Carlos
10/06/2026
A IAG, sigla para Inteligência Artificial Geral, também conhecida em inglês como AGI — Artificial General Intelligence — voltou ao centro do debate tecnológico depois que a OpenAI publicou um novo manifesto sobre o futuro da inteligência artificial.
Assinado por Sam Altman, CEO da empresa, e Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, o texto “Built to benefit everyone: our plan” foi publicado em 8 de junho de 2026 e apresenta a visão da companhia para uma nova etapa da IA: mais poderosa, mais acessível e, segundo a empresa, desenvolvida para beneficiar o maior número possível de pessoas.
O que é IAG
A Inteligência Artificial Geral é um conceito usado para descrever uma IA capaz de aprender, raciocinar e aplicar conhecimento em diferentes áreas, sem ficar presa a uma única função específica.
Isso a diferencia da maior parte das ferramentas atuais de inteligência artificial, que ainda são consideradas sistemas especializados. Um modelo pode escrever textos, outro pode gerar imagens, outro pode analisar códigos ou auxiliar pesquisas científicas. A IAG, em tese, reuniria uma capacidade mais ampla: aprender novas tarefas, transferir conhecimento entre contextos e resolver problemas variados de forma mais parecida com a inteligência humana.
Apesar do avanço acelerado da IA generativa, não há consenso de que a IAG já tenha sido alcançada. Pesquisadores da Google DeepMind propuseram uma estrutura para classificar o progresso rumo à AGI com base em desempenho, generalidade e autonomia, justamente porque ainda falta uma forma universalmente aceita de medir esse marco tecnológico.
Gen AI e AGI: não são a mesma coisa

Crédito da imagem: gerada por IA
A inteligência artificial que o público utiliza atualmente — capaz de gerar textos, imagens, vídeos e códigos — é conhecida como IA generativa (Gen AI). Já a IAG (Inteligência Artificial Geral) representa um objetivo mais ambicioso: criar sistemas capazes de aprender, raciocinar e se adaptar a diferentes tarefas de forma ampla, sem depender de treinamento específico para cada função.
Em termos simples, a IA generativa já faz parte do cotidiano. A IAG ainda é uma meta tecnológica em desenvolvimento perseguida por empresas como OpenAI, Google DeepMind e Anthropic.
Por que o conceito ainda é debatido
A dificuldade está na própria definição. Para algumas empresas, IAG significa um sistema capaz de superar humanos na maior parte das tarefas economicamente relevantes. Para pesquisadores, pode significar uma inteligência mais flexível, capaz de demonstrar raciocínio, memória, aprendizado contínuo, planejamento e adaptação em diferentes ambientes.
Em março de 2026, a Google DeepMind publicou uma nova proposta de avaliação baseada em capacidades cognitivas, como percepção, geração de respostas, atenção, aprendizado, memória, raciocínio e metacognição. O objetivo é criar ferramentas mais científicas para medir o quanto os sistemas atuais realmente se aproximam de uma inteligência geral.
O que a OpenAI propõe no novo manifesto
No manifesto “Built to Benefit Everyone: Our Plan”, publicado pelo CEO da OpenAI, Sam Altman, e pelo cientista-chefe da empresa, Jakub Pachocki, a companhia compara a chegada da inteligência artificial ao impacto histórico da eletricidade. A ideia central é que uma tecnologia transformadora pode seguir dois caminhos: concentrar poder em poucas empresas, governos e instituições ou ampliar oportunidades para milhões de pessoas.
No texto, Altman e Pachocki afirmam que a prioridade da OpenAI é desenvolver uma IA “a serviço da humanidade” e defendem que sistemas avançados sejam amplamente distribuídos, com acesso, segurança, privacidade, custo acessível, ecossistemas abertos e supervisão pública.
Três objetivos principais da OpenAI
O manifesto organiza essa nova fase da empresa em três metas.
A primeira é criar um pesquisador de IA automatizado, capaz de acelerar o próprio processo de pesquisa em inteligência artificial. Segundo a OpenAI, a expectativa interna é que, até março de 2028, uma parte significativa de suas pesquisas possa ser feita por sistemas de IA em parceria com pesquisadores humanos.
A segunda meta é acelerar a economia, impulsionando produtividade, crescimento econômico e progresso científico. A empresa afirma que os ganhos dessa transformação devem ser amplamente compartilhados.
A terceira é a mais ambiciosa: oferecer a todas as pessoas uma IAG pessoal. Na visão da OpenAI, isso significaria dar a cada indivíduo acesso a uma inteligência artificial avançada, capaz de ajudar em estudos, trabalho, decisões complexas, criação de projetos e solução de problemas cotidianos.
A “terceira fase” da OpenAI
A OpenAI também afirma estar entrando em sua terceira fase. A primeira teria sido dedicada à pesquisa em IAG. A segunda começou quando seus sistemas chegaram ao uso real, com produtos como o ChatGPT. A terceira, segundo a empresa, será marcada pelo desafio de tornar a IA avançada abundante, acessível, segura, útil e simples o suficiente para pessoas e organizações.
Essa mudança mostra que a IAG deixou de ser apenas um tema de laboratório. Agora, ela aparece ligada a produtos, infraestrutura, competição econômica, segurança internacional e distribuição de poder.
Segurança segue como ponto central
O manifesto também reforça que sistemas de IA mais poderosos precisam permanecer alinhados à intenção humana e sujeitos ao controle humano. A OpenAI defende coordenação nacional e internacional, além de padrões compartilhados de segurança para reduzir riscos ligados ao desenvolvimento de IA de fronteira.
Essa preocupação aparece também no Preparedness Framework da empresa, atualizado em 2025, que estabelece processos de avaliação para capacidades consideradas de risco em modelos avançados. A OpenAI afirma que o documento seguirá sendo atualizado à medida que novos aprendizados surgirem.
Por que o manifesto chega em um momento estratégico

Crédito da imagem: gerada por IA
A publicação do manifesto ocorreu no mesmo dia em que a OpenAI confirmou ter submetido confidencialmente um formulário S-1 à SEC, órgão regulador do mercado financeiro dos Estados Unidos. Esse tipo de documento pode abrir caminho para uma futura oferta pública inicial de ações, embora a empresa tenha afirmado que ainda não definiu um cronograma.
Para alguns analistas, o movimento ocorre em meio à intensa disputa por liderança no setor de inteligência artificial, em um cenário marcado por investimentos bilionários, expansão de infraestrutura e crescente interesse do mercado na próxima geração de sistemas de IA.
Clique aqui para acessar o manifesto completo da OpenAI.
O que isso significa para o mundo
Para o mundo, a principal mensagem é que a IAG ainda não deve ser tratada como uma realidade plenamente comprovada, mas como uma meta tecnológica em disputa.
O novo manifesto da OpenAI tenta posicionar essa corrida como uma missão de benefício coletivo. Ao mesmo tempo, ele também reforça uma estratégia empresarial: a companhia quer liderar a próxima fase da inteligência artificial, transformar pesquisa em produtos de escala global e sustentar a promessa de que essa tecnologia não ficará concentrada nas mãos de poucos.
A pergunta mais importante, portanto, é quem terá acesso a ela, quem definirá seus limites e como seus benefícios serão distribuídos.


