Ilhabela terá usina que transforma água do mar em potável
Primeira estrutura do tipo no estado de São Paulo será construída no litoral norte
Redação, com informações da Agência SP
10/06/2026
O Estado de São Paulo terá sua primeira usina que transformará água do mar em água potável. O Sistema de Dessalinização para Abastecimento Público de Água será construído em Ilhabela, no Litoral Norte, região com restrições ambientais para a captação de água doce e que atrai grande quantidade de turistas.
A expectativa é que a água fortaleça o sistema de produção Água Branca com vazão de 20 litros por segundo, o que representa um aumento de 20% na oferta atual. A obra compreende a implantação de sistemas de bombeamento, tubulações e reservatórios para todo o processo envolvendo captação no Ribeirão Água Branca, elevação, adução, reservação da água bruta, tratamento e reservação da água tratada, doce e potável.
De acordo com o Governo de São Paulo, serão beneficiados os moradores e os visitantes das regiões central e norte da ilha, desde Piuva/Barra Velha até Ponta das Canas, passando por Green Park, Reino, Itaguaçu, Itaquanduba, Engenho D’Água, Saco da Capela, Centro, Praia Feia, Barreiros, Siriuba, Pedra do Sino e Armação. A obra tem previsão de três anos e contará com investimento da Sabesp de R$ 56,4 milhões.
Atualmente, a captação é feita num trecho do Ribeirão Água Branca onde a água ainda é doce. Com o novo sistema, a Companhia ampliará a captação, realizando essa etapa também em um trecho mais próximo ao encontro com a água do mar, o que torna necessário o processo de dessalinização.
Para remover o sal e outras impurezas da água salgada ou salobra (com menos concentração de sal) e torná-la apropriada ao consumo humano, a Sabesp utilizará tecnologia baseada na chamada “osmose reversa”, que consiste na aplicação de alta pressão sobre a água salgada, forçando-a a atravessar membranas semipermeáveis que retém os sais dissolvidos.
Entre as vantagens apontadas da dessalinização está o fato de ser uma fonte de abastecimento resiliente. “Não depende das chuvas, garante previsibilidade na produção de água e pode ser implantada próxima a áreas urbanas, o que reforça a segurança hídrica”, afirma Roberval Tavares, diretor de Engenharia e Inovação da Sabesp.
No Brasil, há iniciativas de transformar água salobra em água potável no Nordeste, como o Programa Água Doce, implantado no semiárido, e a usina Dessal Ceará, em Fortaleza, que garante o abastecimento na região metropolitana da capital cearense. No Sudeste, o processo é adotado somente em âmbito industrial, para garantir autossuficiência no Porto de Tubarão, localizado no Espírito Santo.
No cenário internacional, países como Israel, Arábia Saudita, Austrália e Espanha estão entre os líderes em projetos de dessalinização em larga escala.
Redação, com informações da Agência SP

