JOHN MAYER SE EMOCIONA AO LEMBRAR BOB WEIR
HOMENAGEM DO GUITARRISTA SE SOMA ÀS DE BRUCE HORNSBY E BRANDI CARLILE E EVIDENCIA A INFLUÊNCIA DO FUNDADOR DO GRATEFUL DEAD
João Carlos
12/01/2026
Bob Weir, cantor, compositor e guitarrista, uma das figuras fundadoras do Grateful Dead, morreu aos 78 anos no sábado, 10 de janeiro. Ao longo de mais de seis décadas, Weir ajudou a redefinir a música americana não apenas por suas canções, mas por uma postura artística baseada em improvisação, convivência e troca constante entre gerações.
As homenagens John Mayer, Bruce Hornsby e Brandi Carlile evidenciam esse legado sob perspectivas complementares, revelando o alcance humano e musical de sua trajetória.
John Mayer e a ponte viva entre passado e presente
A relação entre John Mayer e Bob Weir representa de forma clara a continuidade entre gerações. A partir de 2015, Mayer integrou o Dead & Company, dividindo o palco com Weir em longas turnês e ajudando a apresentar o repertório do Grateful Dead a novas plateias.
Após a morte de Weir, Mayer publicou uma homenagem breve e direta, que sintetiza a natureza dessa parceria construída na prática, noite após noite, no palco:
“Thanks for letting me ride alongside you.
If you say it’s not the end, then I’ll believe you.
I’ll meet you in the music.”
“Obrigado por me deixar andar ao seu lado.
Se você disser que não é o fim, então eu acreditarei em você.
Nos encontraremos na música.”
A declaração reflete a forma como Mayer sempre se posicionou ao lado de Weir: como alguém que caminhava junto, respeitando o legado e ajudando a mantê-lo vivo no presente, sem tentar substituí-lo.
Bruce Hornsby e o Grateful Dead: convivência artística, linguagem musical e amizade
A declaração de Bruce Hornsby carrega um peso histórico singular. Hornsby manteve uma colaboração significativa, recorrente e documentada com o Grateful Dead entre 1988 e 1995, período que se estende até a morte de Jerry Garcia, além de seguir colaborando com Bob Weir em diferentes momentos ao longo dos anos.
Em sua homenagem, Hornsby descreveu Weir como um amigo próximo e uma presença calorosa, lembrando o humor afiado, a inteligência musical e a originalidade absoluta de sua guitarra rítmica. Ele destacou como Weir desenvolveu uma linguagem própria, com voicings e padrões rítmicos únicos, fundamentais para sustentar as explorações melódicas de Garcia.
O músico também relembrou o vasto repertório autoral de Weir, que atravessou baladas, canções de harmonia sofisticada, veículos de improvisação e clássicos do country-rock e do rock de encerramento de shows. Hornsby revelou ainda que os dois trabalharam juntos em novas músicas em 2025, descrevendo o encontro como alegre e profundamente significativo, e afirmou que essa colaboração final será sempre lembrada como um momento especial.
Brandi Carlile e os encontros no palco: jams, mentoria e generosidade
A homenagem de Brandi Carlile se ancora em vivências reais e compartilhadas. Carlile teve encontros diretos com Bob Weir, incluindo participações conjuntas em shows, jams improvisadas e convivência artística fora do palco.
Em sua declaração, a cantora afirmou que “os momentos que passamos juntos hoje são verdadeiros tesouros”, lembrando que Weir frequentava seus shows, ajudava na composição de músicas e convidava artistas mais jovens para subir ao palco e simplesmente dividir o espaço criativo. Sua fala reforça o papel de Weir como mentor informal e figura agregadora, alguém que fazia questão de abrir caminhos e compartilhar a experiência musical.
Um legado influente no rock e nas ondas do rádio
Bob Weir, mesmo não estando presente na playlist da Antena 1 com suas bandas Grateful Dead e Dead & Company, teve sua importância amplamente evidenciada pelas homenagens de Bruce Hornsby, Brandi Carlile e John Mayer — artistas familiares ao público da emissora e diretamente influenciados por sua trajetória.
Ao surgir nas falas de músicos de diferentes gerações, estilos e percursos artísticos, Weir se reafirma não apenas como um nome histórico do rock, mas como uma referência estrutural da música americana, alguém cuja forma de criar, tocar e compartilhar música ajudou a moldar artistas que seguem relevantes na cena contemporânea.
Nesse sentido, o impacto de Bob Weir extrapola repertórios, formatos e épocas. Ele permanece vivo na linguagem musical, nas conexões humanas e no respeito expresso por quem continua ocupando os palcos, os estúdios e o imaginário do público — inclusive daquele que acompanha diariamente a Antena 1.
Bob Weir e John Mayer: o encontro de gerações que marcou a música
Para quem deseja compreender na prática a dimensão dessa conexão entre gerações, vale assistir a um momento simbólico do Dead & Company com John Mayer ao lado de Bob Weir na interpretação de “Sugar Magnolia”, uma das canções mais conhecidas do repertório do Grateful Dead. O vídeo “Dead & Company – Sugar Magnolia 4K (Boulder, CO – 14/07/2018)” registra um desses encontros em que tradição, improvisação e comunhão com o público se fundem de forma natural.
Formado em 2015, o Dead & Company reuniu Bob Weir, Mickey Hart e Bill Kreutzmann a John Mayer, Oteil Burbridge e Jeff Chimenti, dando origem a um dos projetos ao vivo mais bem-sucedidos da década. Ao longo de cinco grandes turnês, o grupo levou sua música a mais de 1,5 milhão de espectadores, passou por alguns dos estádios mais emblemáticos dos Estados Unidos e consolidou uma ponte definitiva entre o legado do Grateful Dead e novas gerações de ouvintes.
Mais do que um registro de palco, o vídeo funciona como um retrato fiel do espírito que Bob Weir cultivou até o fim: música como encontro, partilha e continuidade. Um legado que segue vivo — na estrada, nos palcos e, agora, na memória coletiva de quem acompanhou essa história.


