Líderes europeus prometem apoio à Ucrânia enquanto a guerra entra no quinto ano
Líderes europeus prometem apoio à Ucrânia enquanto a guerra entra no quinto ano
Reuters
24/02/2026
Por Dan Peleschuk
KIEV, 24 Fev (Reuters) - Líderes europeus prometeram nesta terça-feira não abandonar a Ucrânia, quando a invasão da Rússia entrou no quinto ano, embora as divisões entre os parceiros de Kiev tenham ofuscado o marco do início da maior guerra do continente em décadas.
O aniversário do início do conflito, que matou centenas de milhares de pessoas e devastou vastas áreas da Ucrânia, ocorre um dia depois de a Hungria vetar novas sanções da UE contra a Rússia e um empréstimo de 90 bilhões de euros fundamental para a sobrevivência da Ucrânia.
A Hungria, que mantém laços estreitos com Moscou, e a vizinha Eslováquia acusam Kiev de bloquear deliberadamente o fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, que a Ucrânia diz estar tentando reparar após um ataque russo no mês passado.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, enfrentando uma pressão crescente dos EUA para garantir um acordo de paz, tem repetidamente instado os aliados de Kiev a reforçar as sanções contra Moscou e enviar mais armas, já que o presidente russo, Vladimir Putin, não mostra sinais de que vai encerrar a guerra.
Kiev não fez nenhum anúncio oficial sobre a retomada das entregas através do oleoduto, disse uma fonte ucraniana do setor energético à Reuters. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou a Rússia por danificar o oleoduto, mas disse que a UE pediu à Ucrânia para acelerar os reparos.
ALIADOS DA UCRÂNIA PROMETEM APOIO
Autoridades como Von der Leyen, o presidente finlandês, Alexander Stubb, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, viajaram a Kiev para o aniversário, mas não foram acompanhadas por chefes de governos ocidentais importantes.
Os líderes presentes em Kiev se reuniram como a “Coalizão dos Dispostos”. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, participando por videoconferência, disse que os aliados da Ucrânia teriam que “fazer o trabalho árduo” de ajudar Kiev e pressionar a Rússia.
Nesta terça-feira, o Reino Unido sancionou a gigante de oleodutos Transneft, entre quase 300 outros alvos russos, no que chamou de seu maior pacote de medidas desde os primeiros meses da guerra.
A Transneft, um monopólio de oleodutos, reduziu a entrada de petróleo bruto em seu sistema em cerca de 250.000 barris por dia após um ataque de drones ucranianos a uma importante estação de bombeamento na segunda-feira, disseram duas fontes familiarizadas com a situação.
“Sabemos que, quando se trata de negociações, há uma pessoa que impede o progresso nessas negociações, e essa pessoa é Putin, e ninguém mais além de Putin”, disse Starmer.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, que também participou remotamente, disse que era fundamental “secar o financiamento da guerra da Rússia” com a aprovação de um 20º pacote de sanções.
“Devemos ser muito claros. Esta guerra só terminará quando Putin perceber que não pode vencer”, disse ele.
Bruxelas planeja apresentar uma proposta legal para proibir permanentemente as importações de petróleo russo em 15 de abril, três dias após as eleições parlamentares consideradas o principal obstáculo ao acordo com a Hungria, de acordo com autoridades da UE e um documento visto pela Reuters.
E em Kiev, Von der Leyen disse que a UE concederá seu empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia, “de uma forma ou de outra”.
As forças russas estão avançando com pequenos ganhos no campo de batalha, enquanto atacam cidades e vilarejos ucranianos com mísseis e drones que devastaram o sistema energético.
Em comentários televisionados, Putin acusou a Ucrânia de tentar sabotar o processo de paz, que está paralisado devido a questões territoriais e ao controle da maior usina nuclear da Europa.
RÚSSIA ALEGA PLANO NUCLEAR DA UCRÂNIA
Separadamente, o serviço de inteligência estrangeira da Rússia disse nesta terça-feira que o Reino Unido e a França estavam “trabalhando ativamente” com a Ucrânia para ajudá-la a obter armas nucleares para garantir termos mais favoráveis em um acordo de paz.
Não forneceu provas para a sua alegação, que foi rapidamente negada por Kiev, Londres e Paris.
A Rússia tem insistido que a Ucrânia deve ceder os 20% finais da região industrializada e fortemente fortificada de Donetsk, no leste do país, enquanto Kiev se mantém firme em não abrir mão de terras que milhares de pessoas morreram para defender.
Zelenskiy disse em um discurso matinal que o país não trairia os sacrifícios feitos por seu povo apenas para pôr fim ao conflito. “Não podemos, não devemos abrir mão disso, esquecer isso, trair isso.”
O clima nas ruas de Kiev nesta terça-feira era sombrio, com algumas dezenas de pessoas reunidas em uma cerimônia na praça central com soldados carregando bandeiras para lembrar os mortos em silêncio. O cansaço da guerra é a emoção predominante de muitos ucranianos.
“Não acho que isso vai acabar rapidamente, porque a Rússia nos odeia e fará todo o possível para nos destruir”, disse Svitlana Yur, 48 anos.
Em um discurso televisionado ao Parlamento Europeu, Zelenskiy exortou os membros da UE de 27 nações a continuarem defendendo o modo de vida europeu, dizendo que a adesão à UE seria uma garantia da segurança futura da Ucrânia após a assinatura de um acordo de paz.
A UE está considerando maneiras de conceder à Ucrânia pelo menos alguns benefícios da adesão antes que ela tenha introduzido todas as muitas reformas econômicas, democráticas e judiciais necessárias para a adesão plena.
“Os russos devem aprender que a Europa é uma união de nações independentes e milhões de pessoas que não toleram humilhações e não aceitam violência”, disse Zelenskiy.
Ele também convidou o presidente dos EUA, Donald Trump: “Somente visitando a Ucrânia e vendo nossas vidas e lutas com seus próprios olhos, compreendendo nosso povo e a enormidade de sua dor, você poderá entender o que realmente está em jogo nesta guerra”.
(Reportagem adicional de John Irish, Anna Pruchnicka e Pavel Polityuk)
Reuters

