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LORDE TRANSFORMA ALL POINTS EAST EM UM DOS SHOWS MAIS ELOGIADOS DA CARREIRA

CANTORA UNE GRANDIOSIDADE VISUAL E INTIMIDADE EM APRESENTAÇÃO ACLAMADA PELA IMPRENSA BRITÂNICA

João Carlos

24/08/2026

Placeholder - loading - Créditos da imagem: Divulgação All Points East/Burak Cingi
Créditos da imagem: Divulgação All Points East/Burak Cingi

Lorde saiu do All Points East com uma das apresentações mais comentadas desta edição do festival. No sábado (22), a cantora comandou o palco principal do Victoria Park, em Londres, com um espetáculo que conseguiu algo nem sempre simples em grandes festivais: parecer gigantesco sem perder a intimidade.

A recepção da imprensa britânica ajuda a dimensionar o resultado. O The Times deu quatro estrelas ao show e destacou a capacidade de Lorde de transformar sua maior apresentação realizada até agora no Reino Unido em uma experiência próxima e emocional. O The Telegraph foi ainda mais entusiasmado, concedendo cinco estrelas e destacando a singularidade da artista dentro do pop atual.

Tecnologia a serviço da intimidade

Boa parte dos elogios veio da concepção visual da apresentação. Em vez de utilizar os grandes telões apenas para ampliar o que acontecia no palco, Lorde incorporou câmeras portáteis, estruturas móveis, lasers e enormes caixas de luz à narrativa das músicas.

Em determinados momentos, a própria cantora segurava uma câmera muito próxima do rosto. As imagens exibidas nos telões mostravam suor, movimentos e expressões sem o acabamento normalmente associado às grandes produções pop.

O contraste era proposital. A produção da atual turnê, desenvolvida com o diretor criativo Tino Schaedler, explora justamente a relação entre corpo, câmera, luz e movimento. O resultado no All Points East foi um espetáculo sofisticado visualmente, mas que preservou a sensação de vulnerabilidade presente nas músicas.

Uma viagem pela carreira

O repertório também ajudou a construir essa atmosfera. “Royals”, música que apresentou Lorde ao mundo em 2013, apareceu logo no começo.

O álbum Virgin, lançado em 2025, ocupou espaço importante no show, enquanto músicas de diferentes fases da carreira criaram uma narrativa que foi ganhando intensidade.

Na reta final, “Girl, So Confusing”, remix de Charli xcx com participação de Lorde, e “Green Light” transformaram o Victoria Park em uma grande pista de dança. Depois, o espetáculo voltou a assumir um tom mais pessoal.

De volta ao público

Para encerrar, Lorde escolheu “Ribs”, faixa de seu álbum de estreia, Pure Heroine. A cantora deixou o palco principal e terminou a apresentação em uma pequena estrutura instalada no meio da plateia, cercada pelos fãs.

A cena resumiu uma das razões para o show ter sido tão elogiado: depois de lasers, grandes telas e uma produção de escala monumental, Lorde terminou a noite diminuindo novamente a distância entre artista e público.

O momento também fechou um ciclo particular com o All Points East. Em 2018, Lorde participou da primeira edição do festival em um palco secundário. Oito anos depois, voltou ao Victoria Park como atração principal de uma noite esgotada.

A apresentação revelou uma artista que aprendeu a ocupar espaços cada vez maiores sem transformar vulnerabilidade em espetáculo vazio. No All Points East, Lorde mostrou que a grandiosidade de um show pop também pode estar justamente naquilo que parece íntimo.

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