MAURICE WHITE: 10 ANOS SEM O FUNDADOR E ARQUITETO MUSICAL DO EARTH, WIND & FIRE
UMA DÉCADA SEM O CRIADOR DE UM DOS SONS MAIS INFLUENTES DA HISTÓRIA DA MÚSICA
João Carlos
06/02/2026
Dez anos se passaram desde a morte de Maurice White, mas sua presença segue viva na memória dos fãs e na programação de rádios como a Antena 1. Para quem valoriza a música como expressão artística, o tempo não apagou a força criativa do artista que transformou ritmo em mensagem, espetáculo em espiritualidade e canção em celebração coletiva. Em 4 de fevereiro de 2016, o mundo se despediu de um dos maiores arquitetos sonoros do século 20. O legado, no entanto, continua pulsando com a mesma intensidade.
No portal da Antena 1, revisitamos a trajetória de um criador que não apenas moldou um grupo histórico, mas redefiniu os limites do funk, do soul, do jazz e do pop, influenciando gerações e atravessando fronteiras culturais com naturalidade.
O visionário por trás da magia

Crédito da imagem. The Blue Moment / Arquivo / Reprodução
Nascido em Memphis, Tennessee, em 19 de dezembro de 1941, Maurice White cresceu cercado pelas tradições do gospel, do blues e do jazz. Ainda jovem, tornou-se baterista de estúdio da lendária Chess Records, onde acompanhou grandes nomes da música negra norte-americana. Também integrou o Ramsey Lewis Trio, experiência decisiva para o desenvolvimento de sua visão musical sofisticada e aberta a experimentações.
No fim dos anos 1960, White decidiu ir além do formato convencional das bandas da época. Em 1969, fundou o Earth, Wind & Fire, um projeto ambicioso que unia música, conceito, estética e filosofia. A proposta era clara: criar uma experiência completa, capaz de envolver o público não apenas pelo som, mas também pela emoção, pela mensagem e pelo espetáculo visual.
A alquimia sonora de um gênio
Sob a liderança de Maurice White, o Earth, Wind & Fire construiu um som inconfundível. Funk pulsante, soul elegante, jazz elaborado, pop acessível e referências à música africana conviviam em perfeita harmonia. Os arranjos de metais, as harmonias vocais complexas e o cuidado extremo com a produção tornaram-se marcas registradas do grupo.
Canções como September, Boogie Wonderland, Fantasy, Shining Star e Let's Groove atravessaram décadas sem perder frescor. São músicas que seguem presentes nas pistas de dança, nas rádios e nas playlists digitais, provando que o groove de Maurice White é atemporal.
Mais do que música, uma mensagem
A obra de Maurice White sempre carregou um propósito maior. Suas letras e a identidade visual do Earth, Wind & Fire eram permeadas por temas como união, amor universal, autoconhecimento e celebração da vida. Inspirado por referências espirituais diversas, incluindo símbolos da cultura africana e do misticismo egípcio, White transformou shows em verdadeiros rituais contemporâneos.
As apresentações do grupo se destacavam pelo uso de figurinos elaborados, jogos de luz, elementos cenográficos e uma energia contagiante que conectava público e artistas. Era música como experiência coletiva, capaz de transcender diferenças e criar um senso de pertencimento raro na indústria fonográfica.
Um legado que segue em movimento
Maurice White morreu aos 74 anos, após uma longa batalha contra o Mal de Parkinson, condição que o afastou dos palcos nos últimos anos de vida, mas jamais diminuiu sua importância artística. O Earth, Wind & Fire segue em atividade, liderado por Philip Bailey, Verdine White e Ralph Johnson, levando esse repertório histórico a novas plateias ao redor do mundo.
A influência de Maurice White pode ser sentida no hip-hop, no R&B contemporâneo, no pop e também em trilhas sonoras de cinema e televisão. Sua música segue ecoando, enquanto o som sofisticado do Earth, Wind & Fire continua embalando momentos marcantes e atravessando gerações.
Uma voz que ecoa para sempre

Créditos da imagem: Ed Perlstein/Getty
Dez anos sem Maurice White são dez anos em que sua música continua lembrando que arte também é luz, movimento e esperança. Ele foi um líder criativo raro, capaz de unir excelência técnica, apelo popular e profundidade conceitual.
Revisitar sua obra é mais do que um exercício de nostalgia. É reconhecer que algumas melodias não pertencem a uma época específica, mas à própria história da música. Maurice White partiu, mas o groove que ele criou segue vivo, pulsando e convidando o mundo a dançar.


