MERCADO DE CATÁLOGOS MUSICAIS DEVE ULTRAPASSAR US$ 13 BI EM 2025
ANÁLISE DE EMPRESA ESPECIALIZADA APONTA SETOR AINDA ROBUSTO, COM MAIS SELETIVIDADE E FOCO EM REPERTÓRIOS DOS ANOS 2000
João Carlos
07/04/2026
Segundo análise da Citrin Cooperman, divulgada pela Billboard, o mercado global de catálogos musicais deve atingir a marca de US$ 13 bilhões em 2025. O levantamento revela que a música continua sendo tratada não apenas como um ativo cultural, mas também como uma frente relevante de investimento.
O estudo, conduzido por Barry Massarsky e Jake DeVries, especialistas em avaliação de ativos de música e entretenimento, indica que o setor segue aquecido, porém mais equilibrado. Um dos principais sinais dessa mudança é a estabilidade nos valores de negociação dos catálogos, que se mantêm em níveis semelhantes pelo terceiro ano consecutivo. Na prática, isso sugere que o mercado deixou para trás o período de maior euforia e entrou em uma fase mais madura, com investidores mais atentos à consistência dos ativos.
Esse movimento não significa perda de interesse — pelo contrário. Catálogos musicais continuam atraindo capital justamente pela capacidade de gerar receita recorrente. Músicas consolidadas seguem sendo executadas diariamente em plataformas digitais, rádios e produções audiovisuais, garantindo fluxo constante de ganhos ao longo do tempo.
Um dos pontos mais relevantes da análise é a valorização crescente de repertórios dos anos 2000. O dado indica uma mudança importante no perfil das aquisições. Se antes o foco estava concentrado em clássicos das décadas de 60, 70 e 80, agora o mercado também passa a olhar com mais atenção para artistas mais recentes, especialmente aqueles com forte presença no streaming.
Esse tipo de repertório apresenta uma vantagem estratégica: ele não depende apenas de legado histórico, mas de consumo ativo. Ou seja, são músicas que continuam sendo reproduzidas com frequência por uma audiência digital engajada, o que aumenta seu potencial de retorno.
Esse cenário ajuda a explicar por que artistas ligados ao pop dos anos 2000 e à chamada geração millennial passaram a ocupar espaço central nas negociações. Mais do que nostalgia, o que está em jogo é a combinação entre relevância contínua e capacidade de monetização no ambiente digital.
O retrato de 2025, portanto, é o de um mercado bilionário que segue em expansão, mas com uma lógica mais disciplinada. A música continua sendo um ativo valioso — mas agora com investidores mais seletivos, focados em repertórios que comprovam sua força não apenas no passado, mas também no presente.
Movimentos recentes ajudam a entender a atual dinâmica do mercado

Créditos da imagem: Jim Spellman/WireImage
Casos recentes envolvendo Michael Jackson, Janet Jackson e Britney Spears ajudam a traduzir, na prática, como o mercado de catálogos musicais vem se reorganizando.
No caso de Michael Jackson, o interesse renovado está ligado tanto ao peso histórico de sua obra quanto ao impacto cultural gerado pela aproximação da cinebiografia Michael. Paralelamente, movimentações envolvendo ativos associados ao legado do produtor Quincy Jones reforçam o apetite do mercado por catálogos de alto valor simbólico e comercial.
Já Janet Jackson ilustra uma estratégia diferente. Em vez de vender seu catálogo, a artista optou por manter a propriedade das obras, estruturando acordos de administração global. O movimento aponta para um modelo em que o controle do repertório é preservado, ao mesmo tempo em que se amplia sua capacidade de monetização.
O caso de Britney Spears segue outra lógica. A venda de seu catálogo para a Primary Wave, estimada em cerca de US$ 200 milhões, evidencia a busca por liquidez imediata e confirma o valor de repertórios pop com forte presença comercial.
Juntos, esses exemplos mostram que o valor de um catálogo hoje não depende apenas do histórico do artista, mas também de fatores como visibilidade, contexto cultural e capacidade de reativar o consumo.
No caso de Michael Jackson, o impulso vem da força do legado aliada a novos projetos. Em Janet, da reorganização estratégica dos direitos. Em Britney, da conversão direta do repertório em ativo financeiro.
O resultado é um mercado que continua bilionário, mas cada vez mais estratégico — em que diferentes caminhos podem levar ao mesmo objetivo: transformar música em valor duradouro.


