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MÚSICA ELETRÔNICA MOVIMENTA US$ 15,1 BILHÕES EM 2025

RELATÓRIO DO IMS IBIZA 2026 MOSTRA COMO O GÊNERO FOI IMPULSIONADO DENTRO DO MERCADO MUSICAL GLOBAL

João Carlos

14/05/2026

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Divulgação/Live Nation, Divulgação/Deezer

O IMS Electronic Music Business Report 2025/26, apresentado durante o IMS Ibiza 2026, apontou que a economia global do gênero chegou a US$ 15,1 bilhões em 2025, com crescimento de 7% em relação ao ano anterior. O dado foi divulgado pelo International Music Summit e elaborado pela MIDiA Research, com autoria de Mark Mulligan, um dos principais analistas do setor de entretenimento digital.

O resultado ajuda a explicar por que a música eletrônica deixou de ser vista apenas como cena de clubes e festivais. Hoje, o gênero movimenta uma cadeia ampla, que inclui gravações, streaming, publishing, festivais, clubes, ferramentas de criação, merchandising, patrocínios, marcas e catálogos musicais. Segundo a MIDiA, a receita total do setor eletrônico cresceu em todos esses segmentos, com destaque para publishing, merchandising e plataformas digitais.

Quem mede esse mercado?

No caso do IMS Ibiza, a medição é feita pela MIDiA Research, empresa especializada em dados, comportamento de consumo e análise de negócios ligados à música, tecnologia e entretenimento. O relatório é publicado em parceria com o International Music Summit, evento que reúne executivos, artistas, selos, promotores, plataformas e representantes da cena eletrônica global.

Essas avaliações não funcionam como uma contabilidade única e oficial do setor. Elas são construídas a partir da combinação de dados de mercado, receitas reportadas, informações de plataformas, desempenho de consumo, comportamento de fãs, eventos ao vivo, bases proprietárias e estimativas econômicas. Por isso, o valor de US$ 15,1 bilhões deve ser entendido como uma leitura do tamanho econômico da indústria global da música eletrônica, e não como o valor recebido diretamente por DJs, produtores ou artistas.

Como a avaliação é feita?

A avaliação considera diferentes fontes de receita. Uma parte vem da música gravada, como streaming, licenciamento e vendas digitais. Outra vem do publishing musical, que envolve direitos autorais de composições, obras, samples, remixes e colaborações. Também entram no cálculo receitas ligadas a festivais, clubes, marcas, patrocínios, produtos oficiais e ferramentas usadas por criadores, como softwares, bancos de samples e plataformas de produção.

Esse tipo de medição é importante porque a música eletrônica tem uma estrutura diferente de outros gêneros. Um mesmo artista pode gerar receita em uma faixa lançada nas plataformas, em um remix, em um set publicado online, em apresentações ao vivo, em sincronizações para vídeos, games ou publicidade e até na valorização de seu catálogo musical.

O que o número revela sobre a indústria?

O dado de US$ 15,1 bilhões mostra que a música eletrônica está mais integrada ao negócio global da música. O gênero não depende apenas da pista de dança. Ele também se apoia em streaming, direitos autorais, eventos premium, comunidades digitais, tecnologia e investimentos em catálogo.

O relatório também aponta crescimento de audiência e engajamento. A MIDiA destacou avanço de ouvintes mensais de música eletrônica no Spotify nos principais mercados, aumento de criações ligadas ao gênero no TikTok e alta nos uploads de DJ sets no SoundCloud. Esses indicadores reforçam a presença da eletrônica como cultura digital, e não apenas como programação de clubes.

Por que publishing e catálogo ganharam importância?

O crescimento de publishing e a valorização de catálogos musicais indicam uma mudança na forma como o mercado enxerga a música eletrônica. Durante muito tempo, parte da indústria associava o gênero principalmente à performance ao vivo. Agora, o repertório eletrônico também aparece como ativo de longo prazo.

Isso significa que faixas, remixes e composições passaram a ter peso maior em negociações de direitos, licenciamento e aquisição de catálogo. Segundo a MIDiA, 18% dos acordos de catálogo anunciados publicamente em 2025 envolveram artistas de música eletrônica, sinal de interesse crescente de investidores nesse repertório.

A força das pistas continua, mas com novos desafios

O mercado ao vivo segue essencial para a música eletrônica. Festivais, clubes e experiências presenciais continuam sendo parte central da cultura do gênero. Em Ibiza, por exemplo, a receita com ingressos de clubes atingiu € 160 milhões em 2025, acima dos € 150 milhões registrados no ano anterior, segundo dados repercutidos pela DJ Mag a partir do relatório IMS.

Mas esse crescimento também exige leitura cuidadosa. O aumento de receita nem sempre significa que há mais eventos ou maior distribuição de ganhos. O próprio levantamento apontou que os clubes de Ibiza faturaram mais, mas com menos eventos. Isso sugere um mercado mais valorizado, porém também mais concentrado e dependente de preços mais altos.

Como isso se conecta ao mercado musical global?

O avanço da música eletrônica acontece em um momento de crescimento mais amplo da indústria musical. A IFPI, entidade que representa a indústria fonográfica global, informou que a receita mundial de música gravada chegou a US$ 31,7 bilhões em 2025, alta de 6,4%, impulsionada principalmente pelo streaming pago.

A diferença é que a IFPI mede principalmente a receita da música gravada, enquanto o relatório do IMS/MIDiA observa um ecossistema mais amplo da música eletrônica, incluindo clubes, festivais, ferramentas de criação, merchandising, patrocínios e marcas. Na metodologia da IFPI, por exemplo, o chamado “trade value” representa a receita das gravadoras com venda ou licenciamento de música para plataformas digitais, varejistas e intermediários, já descontados impostos, devoluções e outros ajustes.

Exemplos bem-sucedidos de diferentes gerações

Dois exemplos de como a indústria recompensa artistas capazes de construir relevância e permanência dentro do circuito global são o veterano David Guetta e a dupla australiana NERVO.

Créditos da imagem: Getty/iHeartMedia

Guetta iniciou sua trajetória ainda nos anos 1980, mas alcançou reconhecimento internacional a partir de 2002, tornando-se um dos nomes mais influentes da música eletrônica contemporânea. Já o NERVO começou a ganhar projeção global em 2009, consolidando sua ascensão entre 2011 e 2012, período em que as irmãs Miriam e Olivia Nervo passaram a figurar entre os principais nomes femininos do EDM mundial.

A fortuna pessoal de David Guetta é estimada em aproximadamente US$ 200 milhões — cerca de R$ 1 bilhão na cotação atual. O patrimônio o mantém de forma recorrente entre os DJs mais ricos do planeta, atrás apenas de Calvin Harris em diversos levantamentos internacionais especializados.

Crédito da imagem: BBC

Já a fortuna combinada da dupla NERVO é estimada em cerca de US$ 10 milhões. As irmãs australianas se consolidaram como uma das atrações femininas mais rentáveis e reconhecidas do mercado global de EDM (Electronic Dance Music), ampliando o espaço de mulheres em um segmento historicamente dominado por artistas masculinos.

Música eletrônica deixa de ser nicho

O principal recado do IMS Ibiza 2026 é que a música eletrônica já não pode ser tratada como um segmento periférico. O gênero se consolidou como uma economia global, atravessada por tecnologia, comportamento de consumo, cultura de fãs, direitos autorais, clubes, festivais e plataformas digitais.

Ao mesmo tempo, o número recorde não conta toda a história. Ele não mostra, sozinho, quanto desse crescimento chega aos artistas independentes, aos pequenos selos, aos clubes menores ou aos produtores fora dos grandes centros. A cifra funciona como termômetro de mercado, mas não substitui a discussão sobre distribuição de receita dentro da cadeia.

Ainda assim, o crescimento reforça uma virada importante: a música eletrônica saiu do espaço de tendência passageira e passou a ocupar um lugar estável na economia global da música. Em um cenário em que streaming, inteligência artificial, experiências ao vivo e catálogos redefinem o futuro do setor, a eletrônica aparece como um dos gêneros mais preparados para dialogar com essa nova fase.

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