O QUE ESPERAR DO ÁLBUM DE BLUES DE MORGAN FREEMAN
ATOR EMPRESTA SUA VOZ À VIAGEM POR 100 ANOS DO GÊNERO, COM TAJ MAHAL, KEB’ MO’ E UMA ORQUESTRA SINFÔNICA
João Carlos
11/08/2026
Muito antes de o rock, o soul e boa parte da música pop ganharem forma, o blues já havia estabelecido algumas das bases que atravessariam a música popular do século 20: estruturas harmônicas, maneiras de cantar, riffs e uma forma direta de transformar experiências pessoais em canções.
É justamente essa história que Morgan Freeman decidiu revisitar. Aos 89 anos, o astro do cinema empresta uma de suas marcas mais conhecidas, a voz, a Morgan Freeman’s Symphonic Blues Experience, projeto que leva aproximadamente um século de blues para o encontro com uma grande orquestra e chega em álbum nesta sexta-feira, 14 de agosto, pela Decca Records.
Freeman não está estreando como cantor. Ele atua como narrador e produtor de uma viagem de 12 faixas que reúne nomes como Taj Mahal, Keb’ Mo’ e Shemekia Copeland, além da Chineke! Orchestra, aproximando as raízes do Mississippi Delta da dimensão de uma produção sinfônica.
Uma lembrança que veio da varanda
O projeto tem raízes no Mississippi Delta, região onde Freeman passou parte da infância. Em entrevista recente à Rolling Stone, ele recordou pequenos flashes de um músico tocando violão na varanda de sua avó quando tinha apenas três ou quatro anos.
Décadas depois, o ator percebeu que os visitantes de Clarksdale, uma cidade essencial para a história do blues, não tinham um lugar garantido para ouvir aquela música. A resposta foi a criação do Ground Zero Blues Club, inaugurado em 2001 por Freeman e seus parceiros.
Freeman também derrubou qualquer pose de grande especialista. À revista, disse que não se considera um aficionado pelo blues e explicou que a iniciativa nasceu de uma necessidade: preservar a história do gênero e apresentá-la a novos públicos.
Sobre a experiência de desenvolver o projeto, o ator comparou o processo a uma estrada em que cada curva revelava algo útil ou prazeroso. Ele acredita ainda que o espetáculo oferece às orquestras uma maneira diferente de atrair plateias.
Primeiro o palco, depois o disco
O caminho foi o inverso do habitual. Em vez de gravar um álbum e depois sair em turnê, Morgan Freeman’s Symphonic Blues Experience nasceu como uma produção para os palcos e só mais tarde ganhou uma versão em disco.
O espetáculo combina a narração filmada de Freeman, imagens do Delta, músicos de blues e uma orquestra sinfônica. Parte dos vídeos foi registrada no próprio Ground Zero Blues Club. Para o álbum, essa experiência foi condensada em 12 músicas e cerca de 45 minutos.
Um século de blues em 12 músicas
O repertório começa com “Dark Was the Night, Cold Was the Ground”, composição de Blind Willie Johnson gravada em 1927, e chega aos tempos atuais com “I Lied to You”, presente na trilha sonora do filme Sinners.
Os músicos gravaram no histórico Royal Studios, em Memphis. A Chineke! Orchestra registrou a parte sinfônica no Abbey Road Studios, em Londres, sob a direção do compositor e maestro Martin Gellner.
É uma ponte sonora bastante literal: o blues sai do Mississippi, atravessa o Atlântico e retorna cercado por cordas, metais e novas dimensões, mas sem deixar o barro das estradas do Delta pelo caminho.
O projeto de Morgan Freeman faz, assim, uma ponte entre passado e presente: leva o blues dos pequenos juke joints às grandes salas de concerto e usa uma das vozes mais reconhecidas do cinema para apresentar a novas plateias a história de um gênero que ajudou a moldar a música popular como a conhecemos.
Veja a seguir uma pequena amostra dos bastidores dos ensaios e desse encontro entre blues e música sinfônica. Para conhecer mais sobre Morgan Freeman’s Symphonic Blues Experience, clique aqui e acesse o site oficial do projeto.


