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OMS DESCARTA RESTRIÇÃO DE VIAGENS APÓS NOVO SURTO DO VÍRUS NIPAH NA ÍNDIA

AUTORIDADES INTERNACIONAIS E BRASILEIRAS AVALIAM RISCO COMO BAIXO, MAS REFORÇAM VIGILÂNCIA DIANTE DA ALTA LETALIDADE DO PATÓGENO

João Carlos

30/01/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

A Organização Mundial da Saúde afirmou que não recomenda restrições a viagens ou ao comércio internacional após a confirmação de novos casos de infecção pelo vírus Nipah na Índia. Segundo a entidade, o surto registrado no estado de Bengala Ocidental está sob monitoramento e, até o momento, não há indícios de disseminação sustentada nem de risco elevado de propagação global.

A avaliação da OMS leva em conta a resposta rápida das autoridades locais, com rastreamento de contatos, isolamento dos casos confirmados e testagem de pessoas potencialmente expostas. Apesar da alta letalidade associada ao vírus, o organismo internacional reforça que o risco global permanece baixo, desde que as medidas de vigilância epidemiológica sejam mantidas.

O que aconteceu na Índia

O alerta internacional foi acionado após a confirmação de novos casos de infecção pelo vírus Nipah em Bengala Ocidental, no leste da Índia. As autoridades sanitárias locais iniciaram imediatamente protocolos de contenção, incluindo o isolamento dos pacientes e o acompanhamento rigoroso de contatos próximos.

De acordo com o governo indiano, a maioria das pessoas monitoradas testou negativo, o que indica que a transmissão foi limitada e não se espalhou de forma sustentada na comunidade. Hospitais da região reforçaram protocolos de segurança, como o uso de equipamentos de proteção individual e a restrição de visitas em unidades envolvidas no atendimento dos pacientes.

O episódio reacendeu a atenção internacional não pelo número de casos, considerado baixo, mas pelas características do vírus Nipah: alta letalidade, ausência de vacina ou tratamento específico e histórico de surtos localizados na Ásia.

Reação do Brasil e medidas adotadas

No Brasil, o Ministério da Saúde informou que acompanha a situação em articulação com organismos internacionais e destacou que, até o momento, o risco de introdução do vírus no país é considerado baixo. Não há registro de casos suspeitos ou confirmados em território nacional.

Em nota técnica, a pasta ressaltou que mantém ativos os protocolos de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em parceria com instituições como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz. O trabalho também é realizado de forma coordenada com a Organização Pan-Americana da Saúde.

Entre as determinações reforçadas estão a manutenção da vigilância em portos, aeroportos e fronteiras, a orientação a serviços de saúde para identificação precoce de casos suspeitos de encefalite viral e a notificação imediata de eventos incomuns. Assim como a OMS, o ministério não recomenda restrições de viagens neste momento.

Há risco de uma nova epidemia ou pandemia?

Segundo apuração do portal, avaliações da Organização Mundial da Saúde e de autoridades sanitárias nacionais indicam que o risco de o vírus Nipah provocar uma epidemia de grandes proporções ou uma pandemia é baixo no cenário atual. Essa avaliação se deve, principalmente, ao padrão de transmissão do patógeno, que não ocorre de forma eficiente entre humanos e exige contato próximo e prolongado com secreções contaminadas.

Além disso, os reservatórios naturais do patógeno, principalmente morcegos frugívoros do gênero Pteropus, estão concentrados em regiões específicas da Ásia, o que limita a circulação do vírus em outras partes do mundo. Diferentemente de vírus respiratórios altamente contagiosos, o Nipah não apresenta transmissão comunitária sustentada.

Ainda assim, especialistas ressaltam que o vírus segue sob vigilância rigorosa por causa de sua alta letalidade e da inexistência de terapias específicas.

Por que o vírus Nipah é perigoso

O vírus Nipah integra a lista de patógenos prioritários da Organização Mundial da Saúde por reunir três fatores críticos: gravidade clínica, potencial zoonótico e ausência de vacina ou tratamento específico. Trata-se de um vírus transmitido de animais para humanos, tendo morcegos frugívoros como principal reservatório natural.

A infecção pode ocorrer por contato direto com esses animais, por meio de hospedeiros intermediários, como porcos, ou, mais raramente, por transmissão entre pessoas. Em reportagem publicada pela Veja, o virologista Paulo Eduardo Brandão, da Universidade de São Paulo, explicou que o Nipah apresenta forte afinidade pelo sistema nervoso central, característica que ajuda a explicar a gravidade dos quadros clínicos associados à infecção.

Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, tontura, náusea e vômitos, mas a doença pode evoluir rapidamente para encefalite aguda, com rebaixamento do nível de consciência, convulsões e insuficiência respiratória. Na mesma reportagem, a infectologista Carolina Lázari alertou que a progressão costuma ser rápida e severa, exigindo cuidados intensivos.

A taxa de letalidade varia entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade de resposta do sistema de saúde. Mesmo entre os sobreviventes, há registros de sequelas neurológicas permanentes, o que reforça a necessidade de vigilância contínua.

Vigilância sem alarmismo

Embora o risco de disseminação global seja considerado baixo, autoridades e especialistas reforçam que manter o monitoramento ativo é essencial. A experiência recente com outras emergências sanitárias mostrou que detecção precoce, transparência e cooperação internacional são decisivas para evitar crises maiores.

No momento, a orientação das autoridades é clara: atenção e vigilância, sem pânico.

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