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    Parlamentares do Paraguai desistem de impeachment de Abdo após anulação de acordo sobre Itaipu

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    Presidente do Paraguai, Mario Abdo, é saudado por apoiadores do lado de fora do palácio presidencial em Assunção 01/08/2019 REUTERS/Jorge Adorno

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    Por Daniela Desantis e Lisandra Paraguassu

    ASSUNÇÃO/BRASÍLIA (Reuters) - Parlamentares paraguaios recuaram nesta quinta-feira da ameaça de pedir o impeachment do presidente Mario Abdo depois que Brasil e Paraguai cancelaram um acordo de energia que causou polêmica e criou o risco de desestabilizar o governo em Assunção.

    Abdo pediu desculpas pela maneira como lidou com a polêmica sobre a assinatura de um acordo energético com o Brasil envolvendo a hidrelétrica de Itaipu, que parlamentares da oposição disseram afrontar a soberania do Paraguai.

    'Quem tiver que ser responsabilizado por má conduta será responsabilizado', disse Abdo em uma mensagem à nação, acrescentando que agradecia os parlamentares por decidirem proceder de uma maneira 'que não rompe com o processo democrático'.

    Na quarta-feira, alguns parlamentares disseram que pressionariam pelo impeachment de Abdo e do seu vice-presidente, Hugo Velázquez, após um escândalo que levou à renúncia do ministro das Relações Exteriores e de três outras autoridades.

    A revolta foi desencadeada por um acordo de energia, que veio a público na semana passada, relacionado à gigantesca usina hidrelétrica de Itaipu, que se estende entre os dois países.

    Autoridades e parlamentares paraguaios disseram que o pacto seria prejudicial para o Paraguai e que custaria cerca de 200 milhões de dólares ao Estado. O Paraguai é altamente dependente da receita de Itaipu.

    'Peço desculpas se estava errado', disse Abdo diante de cerca de 5 mil apoiadores que se reuniram diante do palácio de governo no centro da capital Assunção.

    O escândalo foi a primeira grande crise a abalar Abdo, que é próximo do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse nesta quinta-feira que tentativas de remover o líder paraguaio criam o risco de uma 'ruptura da ordem democrática'.

    Bolsonaro disse apoiar Abdo, que emergiu como um de seus primeiros aliados na região. 'O problema do Paraguai é que o impeachment você faz em 72 horas', disse Bolsonaro a repórteres na manhã desta quinta-feira. 'A gente não quer prejudicar o Paraguai'.

    Paraguai e Brasil se preparam para negociar o futuro de Itaipu, cujo tratado de fundação vence em 2023.

    Escrito por Reuters

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