POR ONDE ANDA RUPERT HOLMES
DO SUCESSO NAS PARADAS AO RECONHECIMENTO NOS PALCOS E NA LITERATURA
João Carlos
04/02/2026
Muitos ouvintes da Antena 1 reconhecem instantaneamente alguns clássicos da programação logo nos primeiros acordes, numa espécie de flashback automático. É o caso de “Him”, sucesso que marcou o início dos anos 1980 e segue presente na memória afetiva do público. Sempre que uma canção se torna onipresente no dial, surge quase naturalmente a curiosidade — do ouvinte, do departamento artístico e também do jornalismo: por onde anda aquele cantor ou cantora?
É a partir dessa pergunta que o nome de Rupert Holmes volta à cena — não apenas como o autor de um hit atemporal, mas como um artista que segue presente no dia a dia dos ouvintes da número 1 em música, muitos deles acompanhando essa canção desde os anos 80.
Nascido em 1947, o compositor, cantor e dramaturgo britânico-americano marcou o fim dos anos 1970 com canções que transformaram histórias curtas em grandes hits — e, décadas depois, segue ativo longe dos holofotes do pop tradicional.
O auge nas paradas

Crédito da imagem: capa original do álbum Partners in Crime (1979), de Rupert Holmes, lançada pela gravadora MCA Records.
Rupert Holmes entrou definitivamente para a história da música em 1979, ao liderar a Billboard Hot 100 com “Escape (The Piña Colada Song)”, uma faixa que se destacou pelo formato narrativo, humor sutil e estrutura quase cinematográfica. No ano seguinte, repetiu o sucesso com “Him”, que alcançou o 6º lugar na parada americana e integrou o álbum Partners in Crime.
As duas canções consolidaram seu estilo de “story songs”, marcadas por personagens, reviravoltas e ironia romântica — algo incomum no pop radiofônico da época — e seguem aparecendo em playlists temáticas e programações dedicadas à música adulta contemporânea, reforçando sua presença no imaginário popular.
Bastidores e formação musical
Antes da fama como intérprete, Holmes construiu uma carreira sólida nos bastidores da indústria. Atuou como músico de sessão, produtor e compositor para outros artistas, incluindo Barbra Streisand, além de escrever trilhas e arranjos. Essa formação ampla ajudou a moldar sua escrita sofisticada e sua facilidade em transitar entre gêneros.
Com o passar dos anos, Rupert Holmes passou a dedicar grande parte de sua carreira ao teatro musical. Ele é o criador de obras premiadas como The Mystery of Edwin Drood, vencedor de múltiplos Tony Awards, e Curtains, reafirmando seu talento como contador de histórias fora do formato da canção pop.
Literatura e projetos recentes
Além do teatro, Holmes também se destacou como escritor. Entre seus romances está Murder Your Employer, que ampliou sua atuação no campo literário e reforçou sua identidade como autor de narrativas engenhosas e bem-humoradas.
Nos últimos anos, o nome de Rupert Holmes voltou a circular pontualmente entre fãs de música por meio de reedições digitais e reorganizações de catálogo, que ajudaram a manter seus principais sucessos disponíveis nas plataformas e acessíveis a novas gerações de ouvintes.
E hoje?

Crédito da imagem: Susan Woog Wagner. Los Angels Times.
Apesar de rumores ocasionais sobre um possível novo álbum ou turnê em 2026, não há confirmações oficiais de retorno aos palcos como cantor pop. Rupert Holmes segue ativo principalmente no teatro musical e na literatura, mantendo uma carreira discreta, mas artisticamente consistente.
No fim do ano passado, o nome de Holmes voltou ao noticiário ao ser anunciado como novo colaborador de um musical da Broadway dedicado à vida de Paul Anka. O projeto foi confirmado pelo próprio Anka em entrevista à Variety e surge na esteira do documentário Paul Anka: His Way, que revisita a trajetória do cantor e compositor canadense.
“Há uns quatro ou cinco anos venho conversando com várias pessoas, mas nunca senti que tinha a equipe certa”, afirmou Anka à publicação. “Agora, contratamos Rupert Holmes como roteirista e contamos com investidores no Canadá e na Primary Wave. Estou pronto para seguir em frente e esperamos ter algo concreto em cerca de um ano e meio.”
A colaboração reforça a atuação contínua de Holmes no teatro musical e confirma sua relevância como autor e contador de histórias fora do universo do pop radiofônico.
Longe dos hits de rádio, ele continua fazendo exatamente o que sempre fez melhor: contar boas histórias, seja em três minutos de música, em um palco da Broadway ou nas páginas de um livro.


