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POR QUE ANNIE LENNOX TROCOU OS HOLOFOTES PELA CAUSA HUMANITÁRIA

LONGE DAS GRANDES TURNÊS, A VOZ DO EURYTHMICS TRANSFORMOU SUA FAMA EM UMA PLATAFORMA DE DEFESA DOS DIREITOS DAS MULHERES

João Carlos

11/06/2026

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Créditos da imagem: © Taylor Hill/WireImage

Aos 71 anos, Annie Lennox vive uma fase bem diferente daquela que marcou seu auge como uma das maiores vozes do pop mundial. A artista escocesa, eternizada à frente do Eurythmics, não abandonou a música, mas passou a se afastar da rotina de grandes turnês e da exposição constante da indústria fonográfica.

Hoje, sua presença pública é mais seletiva. Annie aparece em projetos especiais, eventos beneficentes, lançamentos culturais e campanhas ligadas a causas humanitárias, especialmente em defesa dos direitos das mulheres.

A virada humanitária

Embora já demonstrasse interesse por questões sociais, Annie Lennox encontrou um novo propósito ao se aproximar de Nelson Mandela e da campanha 46664, criada para conscientizar o mundo sobre o impacto devastador do HIV/AIDS na África.

O envolvimento da cantora com a iniciativa culminou em sua participação no histórico concerto realizado na Cidade do Cabo, em 2003, quando voltou a dividir o palco com Dave Stewart em uma rara apresentação do Eurythmics. O evento reuniu algumas das maiores estrelas da música internacional em torno de uma causa humanitária que Mandela considerava uma das mais urgentes de seu tempo.

Para Lennox, aquela experiência foi mais do que um compromisso artístico. Ela passou a enxergar sua notoriedade como uma ferramenta capaz de ampliar debates e mobilizar recursos para questões sociais. Nas décadas seguintes, essa visão se tornaria o eixo central de sua atuação pública, muito além dos limites da indústria do entretenimento.

The Circle e os direitos das mulheres

Em 2008, Lennox fundou a The Circle, organização global voltada à defesa de mulheres e meninas em situação de vulnerabilidade.

A entidade apoia projetos e campanhas contra a violência de gênero, a desigualdade econômica e a falta de acesso a direitos básicos. Essa atuação se tornou uma das principais frentes da vida pública da cantora nos últimos anos.

A música em ocasiões especiais

Mesmo longe das grandes turnês, Annie Lennox segue cantando quando o projeto tem um propósito específico. Em 2025, ela voltou a se apresentar no Royal Albert Hall, em Londres, com o concerto beneficente SISTERS: Annie Lennox & Friends, criado para arrecadar fundos para a The Circle.

A iniciativa também terá um novo capítulo no Wilderness Festival 2026, com uma curadoria especial assinada por Annie. O festival confirmou o projeto, mas ainda não divulgou todos os nomes escolhidos especificamente por ela para essa programação.

Livro e aparições raras

Crédito da imagem: Divulgação/Annie Lennox

Outra frente recente é o livro Retrospective, lançado pela Rizzoli New York. A obra reúne mais de 200 imagens do arquivo pessoal da artista e revisita sua trajetória na música, na moda, na cultura pop e no ativismo.

Em Nova York, o lançamento teve formato mais intimista do que festivo, com conversa pública na Cooper Union e sessão de autógrafos na Rizzoli Bookstore.

Uma nova forma de presença

A trajetória atual de Annie Lennox mostra uma artista que não rompeu com a música, mas mudou sua finalidade. Depois de marcar gerações com o Eurythmics e uma carreira solo de grande impacto, ela escolheu usar sua voz também fora dos palcos.

Sua fama continua existindo, mas deixou de ser o centro. Hoje, Annie Lennox parece mais interessada em transformar visibilidade em ação — e em fazer da música uma ponte para causas que vão muito além da indústria fonográfica.

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