POR QUE O REINO UNIDO TERMINOU O EUROVISION EM ÚLTIMO LUGAR
PAÍS APOSTOU EM PERFORMANCE EXPERIMENTAL, MAS “EINS, ZWEI, DREI”, DE LOOK MUM NO COMPUTER, NÃO CONVENCEU JÚRIS NEM O PÚBLICO
João Carlos
22/05/2026
O Reino Unido voltou a viver uma noite difícil no Eurovision Song Contest. Na final de 2026, realizada em Viena, o país terminou em último lugar, na 25ª posição, com apenas 1 ponto. A canção “Eins, Zwei, Drei”, defendida por Look Mum No Computer, recebeu zero ponto do público e apenas 1 ponto dos júris nacionais.
A cantora Dara, representando a Bulgária, venceu o festival com a música "Bangaranga". A final ocorreu no dia 16 de maio, em Viena, Áustria, e marcou a primeira vitória do país na história do festival.
O que explica a derrota
A última posição do país na competição musical não pode ser explicada por um único fator. O resultado parece ter sido consequência de uma combinação entre uma escolha artística arriscada, uma performance muito específica para o gosto do público geral e o desgaste recente do Reino Unido no festival.
Quem é Look Mum No Computer
Look Mum No Computer é o nome artístico de Sam Battle, músico eletrônico, inventor de instrumentos e criador conhecido por misturar tecnologia, sintetizadores e humor visual. A própria página oficial do Eurovision o descreve como artista experimental e inventor de máquinas musicais, com histórico de apresentações usando seu sintetizador personalizado, o Kosmo.
Uma proposta criativa, mas de nicho
A proposta de “Eins, Zwei, Drei” era justamente apostar nesse universo excêntrico. Segundo o Eurovision, a música falava sobre escapar do tédio da rotina de trabalho para um mundo de sonhos e possibilidades, embalada por sintetizadores, baixo eletrônico e uma estética bem-humorada.
Mas o que poderia soar criativo também acabou parecendo restrito demais. Antes mesmo da final, análises da imprensa britânica já tratavam a faixa como uma aposta em “novidade”, com um refrão mais gritado do que melódico e uma estética deliberadamente exagerada.
A leitura da imprensa
Depois da final, o The Guardian resumiu o fracasso como uma aposta que não encontrou resposta no placar: Sam Battle terminou no pé da tabela, com um único ponto dos júris e nenhum ponto vindo do televoto. A publicação também lembrou que a música era do tipo “Marmite”, expressão britânica usada para algo que divide opiniões: ou se ama, ou se rejeita.
Fracasso x Tradição
O desempenho também expõe uma questão estrutural. O Reino Unido é um dos países mais tradicionais do Eurovision: tem cinco vitórias, com nomes como Sandie Shaw, Lulu, Brotherhood of Man, Bucks Fizz e Katrina and The Waves, além de ser o país que mais vezes terminou em segundo lugar, com 16 vice-campeonatos.
Nos últimos anos, porém, a história tem sido bem diferente. O bom resultado de Sam Ryder, vice-campeão em 2022 com “SPACE MAN”, virou exceção em uma sequência irregular. Desde então, o Reino Unido ficou em 25º em 2023, 18º em 2024, 19º em 2025 e voltou ao último lugar em 2026.
A vantagem que pode virar armadilha
Outro ponto importante é que o Reino Unido entra direto na final como país pré-classificado, ao lado de outros grandes financiadores e do país-sede. Isso garante presença no sábado decisivo, mas também significa que a música não passa pelo mesmo teste competitivo das semifinais.
Por que o Reino Unido ficou em último
No fim, a pergunta “por que o Reino Unido terminou em último?” tem uma resposta simples, mas cheia de camadas: porque arriscou em uma proposta original, mas pouco consensual; porque não conseguiu transformar excentricidade em conexão emocional; e porque, no Eurovision, ousadia só vira ponto quando encontra refrão, impacto imediato e identificação com quem vota de casa.
Para o Reino Unido, o desafio agora é entender se o problema está apenas nas escolhas recentes ou em uma estratégia mais ampla. O país continua tendo uma das indústrias musicais mais fortes do mundo, mas no palco do Eurovision ainda procura a fórmula capaz de transformar prestígio histórico em votos atuais.
Confira o histórico dos melhores e piores resultados do Reino Unido na maior competição musical europeia
Destaques positivos do Reino Unido no Eurovision
1967 — Primeira vitória
Sandie Shaw venceu com “Puppet On A String”, inaugurando a fase mais gloriosa do país na competição.
1969 — Vitória em empate histórico
Lulu venceu com “Boom Bang-a-Bang”, em uma edição marcada por empate entre quatro países.
1976 — Clássico popular
Brotherhood of Man venceu com “Save Your Kisses For Me”, uma das canções britânicas mais lembradas do festival.
1981 — Ícone pop dos anos 80
Bucks Fizz conquistou o primeiro lugar com “Making Your Mind Up”, performance que virou referência visual da competição.
1997 — Última vitória britânica
Katrina and The Waves venceram com “Love Shine A Light”, último grande triunfo do Reino Unido no Eurovision.
2022 — O renascimento com Sam Ryder
Depois de anos de resultados ruins, Sam Ryder ficou em 2º lugar com “SPACE MAN” e venceu a votação dos júris, devolvendo prestígio ao país no festival.
Os piores momentos
2003 — O primeiro “nul points”
O duo Jemini terminou em último lugar com “Cry Baby”, sem receber nenhum ponto. O episódio entrou para a história como um dos maiores vexames britânicos no festival.
2008 — Último lugar com Andy Abraham
Andy Abraham terminou na lanterna com “Even If”, reforçando o início de uma fase irregular do país.
2010 — Nova queda na tabela
Josh Dubovie ficou em último com “That Sounds Good To Me”, em mais uma tentativa britânica que não encontrou resposta do público europeu.
2019 — Outro último lugar
Michael Rice terminou na última posição com “Bigger Than Us”, ampliando a percepção de crise na estratégia britânica.
2021 — Zero absoluto
James Newman ficou em último com “Embers” e recebeu zero ponto tanto do público quanto dos júris.
2026 — Um ponto solitário
Look Mum No Computer terminou em último com “Eins, Zwei, Drei”, recebendo apenas 1 ponto dos júris e nenhum do público.


