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PRODUTOR DE SUCESSOS DE MARIAH CAREY PROCESSA A SONY

JERMAINE DUPRI COBRA MAIS DE US$ 18 MILHÕES EM ROYALTIES LIGADOS A GRANDES NOMES DO R&B

João Carlos

09/07/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

O mundo da música ganhou mais um capítulo daqueles que mostram que, por trás dos grandes sucessos, também existe uma complexa conta de royalties. O produtor e compositor Jermaine Dupri, fundador da So So Def, entrou com uma ação contra a Sony Music Entertainment nos Estados Unidos, cobrando ao menos US$ 18 milhões em pagamentos que, segundo ele, não teriam sido repassados corretamente ao longo de décadas. O caso foi registrado em 6 de julho no tribunal federal do Southern District of New York.

A disputa envolve a So So Def Recordings, a So So Def Productions e o próprio Dupri como autores da ação. Na lista de gravações e projetos citados aparecem nomes importantes do R&B, hip hop e pop, como Mariah Carey, Usher, Kris Kross, Xscape, Da Brat, Jagged Edge, Bow Wow, J-Kwon e Bone Crusher. Mariah e Usher não são acusados no processo; eles aparecem como artistas ligados a trabalhos que, segundo a ação, teriam gerado pagamentos devidos à equipe de Dupri.

O que está em jogo

Segundo a queixa, a relação entre So So Def e Sony começou em 1992 e passou por vários contratos e modificações até os anos 2000. Dupri afirma que a Sony teria subnotificado valores, deixado de informar receitas e alterado demonstrativos de royalties musicais. Entre os exemplos citados estão cerca de US$ 960 mil ligados ao álbum de estreia do Xscape, mais de US$ 1 milhão relacionados a Da Brat e mais de US$ 2,2 milhões envolvendo os dois primeiros discos do Kris Kross.

A ação também afirma que parte dos royalties do Kris Kross teria ficado por anos em um sistema separado de contabilidade, desconhecido pelos autores. Dupri pede julgamento por júri, valor mínimo de US$ 18 milhões, juros e honorários advocatícios. A Sony, por sua vez, declarou à imprensa internacional que o caso envolve uma disputa de contabilidade de royalties que as partes já tentavam resolver e disse estar decepcionada com a decisão da So So Def de levar o assunto à Justiça.

Royalties: um velho refrão da indústria

A briga de Dupri é recente, mas o tema é antigo. O pagamento de direitos musicais sempre foi uma das áreas mais sensíveis da indústria fonográfica, especialmente quando sucessos atravessam décadas, mudam de formato e continuam gerando receita em rádio, streaming, downloads, relançamentos e licenciamento.

Entre os casos mais lembrados estão os Beatles, cuja empresa Apple Corps encerrou em 2007 uma disputa de royalties com a EMI estimada em 30 milhões de libras; Prince, que travou uma famosa batalha com a Warner Bros. pelo controle de seus masters e voltou a fechar acordo com a gravadora em 2014; Taylor Swift, que transformou a disputa por seus masters em uma campanha de regravações antes de recuperar o controle de seu catálogo; e Paul McCartney, que chegou a acionar a Sony/ATV para assegurar direitos sobre canções dos Beatles.

A nova batalha de Jermaine Dupri contra a Sony Music dificilmente será o último capítulo de uma história que acompanha a indústria musical desde seus primórdios. Enquanto grandes sucessos continuam gerando receitas por décadas, as disputas sobre quem tem direito a cada parcela desses ganhos seguem fazendo parte dos bastidores da música.

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