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PROJEÇÕES INDICAM QUE MERCADO DA MÚSICA PODE CHEGAR A US$ 121 BI

STREAMING, NOVOS NEGÓCIOS E A ECONOMIA DOS FÃS DEVEM AMPLIAR AS RECEITAS GLOBAIS ATÉ 2033

João Carlos

20/08/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

A indústria da música deve continuar crescendo ao longo dos próximos anos, mas não apenas pela conquista de novos ouvintes. Uma projeção da consultoria internacional MIDiA Research estima que a receita global de varejo relacionada à música gravada poderá alcançar US$ 121,1 bilhões em 2033.

Crédito da imagem: midiaresearch.com

O número representa um salto de 62,9% em relação aos US$ 74,3 bilhões registrados em 2025. A previsão considera o dinheiro movimentado pelo consumo de música gravada antes da distribuição entre plataformas, gravadoras, editoras e outros titulares de direitos.

O estudo indica que o futuro do setor será marcado por uma combinação de streaming, novos modelos de assinatura, publicidade, mercados emergentes e uma relação cada vez mais comercial entre artistas e seus fãs.

Streaming entra em uma nova fase

O streaming de música continuará sendo o principal motor financeiro da indústria. A diferença é que, nos mercados mais maduros, o crescimento dependerá cada vez menos apenas da chegada de novos assinantes.

A MIDiA prevê preços mais altos, novas categorias de planos e serviços premium com benefícios adicionais. A consultoria estima quatro ondas de reajustes nos próximos sete anos e projeta uma recuperação da receita média gerada por assinante.

O modelo gratuito, financiado por publicidade, também deverá avançar. Percentualmente, será uma das áreas de crescimento mais rápido até 2033, especialmente com a expansão do streaming nos mercados emergentes. As assinaturas pagas, porém, continuarão acrescentando mais dinheiro ao setor em valores absolutos.

A força desse modelo já aparece nos números atuais. Segundo a IFPI, o streaming respondeu por 69,6% da receita mundial da música gravada em 2025, enquanto o número de usuários de contas pagas chegou a aproximadamente 837 milhões.

A economia dos fãs ganha espaço

Outro ponto importante da projeção é a chamada economia dos fãs. Ela reúne receitas provenientes de produtos físicos, licenciamentos e da participação de gravadoras e titulares de direitos em áreas como merchandising, patrocínios, experiências e apresentações.

Esse segmento movimentou cerca de US$ 11,3 bilhões em 2025 e poderá chegar a US$ 18,5 bilhões em 2033.

O fenômeno ajuda a explicar a multiplicação de vinis coloridos, edições de aniversário, box sets e lançamentos limitados. Embora o mercado físico não deva ser o grande responsável pelo crescimento da indústria até 2033, tornou-se uma ferramenta importante para transformar o vínculo emocional dos fãs em novas receitas.

O vinil é o melhor exemplo. Dados da IFPI mostram que suas receitas cresceram 13,7% em 2025, completando 19 anos consecutivos de expansão.

Música vai muito além das plataformas tradicionais

O futuro da indústria também passa por lugares que não foram criados especificamente para ouvir música.

Os novos formatos de consumo digital ampliaram as possibilidades de licenciamento musical. Ecossistemas como TikTok, Instagram, Roblox e Fortnite mostram como uma canção pode circular, ganhar popularidade e gerar receitas fora dos serviços tradicionais de streaming.

A MIDiA prevê crescimento dessa categoria até 2033, tornando o licenciamento uma peça cada vez mais importante na diversificação do mercado.

Novos mercados assumem o protagonismo

Geograficamente, uma parte maior do crescimento deverá vir da Ásia, América Latina e outros mercados emergentes. Segundo a projeção, essas regiões deverão ampliar em mais de 8,5 pontos percentuais sua participação na base mundial de assinantes até 2033.

A Índia poderá se tornar o terceiro maior mercado do planeta em número de assinantes, atrás apenas de China e Estados Unidos.

O dinheiro, entretanto, continuará mais concentrado nos mercados de maior poder aquisitivo. Estados Unidos, China, Reino Unido, Alemanha e Japão deverão permanecer entre os líderes mundiais em receitas provenientes de assinaturas.

Um cenário maior e mais diversificado

A projeção de US$ 121,1 bilhões mostra, sobretudo, uma mudança na engrenagem do mercado musical. A primeira grande fase do streaming foi construída pela transformação de ouvintes em assinantes. A próxima deverá explorar diversas formas de monetizar essa audiência.

Planos mais sofisticados, publicidade, produtos para superfãs, mercados emergentes e novos licenciamentos formarão um ecossistema no qual uma mesma música poderá gerar receita de muitas maneiras diferentes.

Para a indústria, a próxima década não será apenas sobre encontrar mais pessoas dispostas a ouvir música. Será também sobre descobrir quanto cada experiência musical pode valer.

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