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READING E LEEDS REÚNEM PRINCIPAIS NOMES DA MÚSICA BRITÂNICA

EDIÇÃO DE 2026 TEVE GRANDES SHOWS, MAS GEROU POLÊMICA COM A RETIRADA DO PALCO DA BBC

João Carlos

31/08/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

Os festivais Reading and Leeds encerraram a edição de 2026 reunindo alguns dos principais nomes da música britânica e irlandesa. Mas, além dos shows de Florence + The Machine, RAYE, Charli xcx, Fontaines D.C., Dave e Chase & Status, o fim de semana também foi marcado por uma discussão sobre o espaço destinado aos artistas que estão começando.

No centro da controvérsia está o desaparecimento do palco BBC Introducing, presente nos eventos desde 2008. O espaço foi substituído pelo novo The Canopy, apresentado pelos organizadores como uma estrutura maior e aberta a diferentes caminhos para a descoberta de novos talentos.

Como foram os eventos?

Realizados entre 27 e 30 de agosto, o Reading Festival e o Leeds Festival compartilham grande parte da programação, com os artistas se apresentando em dias diferentes nas duas cidades. Reading recebeu o evento em Richfield Avenue, enquanto Leeds ocupou o Bramham Park.

A edição de 2026 também apresentou uma reformulação dos espaços. O palco principal passou a se chamar The Grid, enquanto estruturas como The Gallery, The Warehouse, The Ballroom e The Canopy dividiram uma programação que foi do rock e do pop ao rap e à música eletrônica.

Em Reading, a chuva forte deixou áreas do festival cobertas de lama, especialmente durante os primeiros dias. Mesmo com as condições instáveis, a programação seguiu normalmente e terminou no domingo com Florence + The Machine e Chase & Status entre os destaques do palco principal.

Florence Welch comemora 40 anos no palco

Crédito da imagem: Reprodução / Leads Festival 2026

Florence Welch teve um motivo a mais para lembrar da edição deste ano. A cantora completou 40 anos na sexta-feira, 28 de agosto, justamente quando o Florence + The Machine se apresentou como uma das atrações principais do Leeds Festival.

Ao saber da data especial, o público cantou “Happy Birthday” para a artista, que ficou visivelmente emocionada e afirmou que não poderia imaginar uma plateia melhor para celebrar aquele momento.

O show misturou faixas do álbum Everybody Scream com sucessos de diferentes períodos da trajetória da banda.

Inspirada pela atmosfera mística de seu trabalho mais recente, Florence transformou parte da apresentação em uma experiência coletiva. Em um dos momentos do show, pediu que as pessoas guardassem os celulares e aproveitassem a música ao lado dos amigos e dos desconhecidos ao redor. Grande parte da plateia atendeu ao pedido, criando uma das cenas mais comentadas do festival.

Dois dias depois, o grupo voltou ao palco no Reading Festival. A apresentação marcou a primeira vez de Florence + The Machine como atração principal de Reading e encerrou um intervalo de 14 anos desde a participação anterior da banda no evento, em 2012.

Outros shows de destaque

Charli xcx apresentou o primeiro show completo no Reino Unido relacionado à sua nova fase musical. Diferentemente da estrutura mais minimalista da era Brat, a cantora apareceu acompanhada por banda, bailarinos e um cenário formado por plataformas em diferentes níveis.

O repertório combinou sucessos recentes com faixas como “360”, “Von Dutch”, “Guess” e “Girl, So Confusing”. A apresentação recebeu elogios pela produção visual e pelas coreografias, em um espetáculo que levou a nova estética da artista ao palco principal do festival.

Crédito da imagem: Reprodução / The Times

O Fontaines D.C. também protagonizou um dos momentos mais emocionais do fim de semana. A banda irlandesa prestou homenagem ao empresário Trevor Dietz, que morreu em junho, e encerrou a apresentação com “Favourite”.

RAYE recebeu convidadas especiais

RAYE transformou sua estreia como atração principal de Reading em uma apresentação também marcada pela presença da família. A cantora recebeu as irmãs Amma e Absolutely e encerrou o repertório com “Where Is My Husband?”.

A polêmica do novo palco

Em meio aos grandes shows, uma mudança na estrutura do festival provocou uma discussão que ultrapassou os palcos de Reading e Leeds.

A retirada do BBC Introducing foi uma decisão da Festival Republic, empresa responsável pela organização dos festivais. A BBC afirmou que não decidiu abandonar os eventos e que a mudança foi determinada pela promotora.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a equipe do BBC Introducing já trabalhava na seleção de artistas para 2026 quando foi informada de que não teria mais um palco próprio nos festivais. Até agora, a justificativa pública apresentada para a mudança é curatorial. Não há confirmação de que a decisão tenha ocorrido por razões financeiras ou por iniciativa editorial da BBC.

A Festival Republic argumenta que o formato anterior restringia a programação aos músicos previamente selecionados pelos produtores e apresentadores da BBC. Com o The Canopy, os organizadores afirmam que podem contratar qualquer artista emergente, independentemente de ele ter passado ou não pelo sistema de seleção da emissora.

A empresa também afirma ter aumentado o tamanho e a estrutura de produção do novo palco para oferecer melhores condições aos músicos e receber um grupo mais amplo de novos talentos. A colaboração com o BBC Introducing continua em outros eventos administrados pela promotora, como o Latitude e o The Great Escape.

Por que o The Canopy foi criticado?

A controvérsia ganhou força quando parte do público e da imprensa observou que alguns artistas escalados para o The Canopy já possuíam importantes conexões familiares com a indústria cultural.

Entre os nomes que chamaram atenção estavam Violet Grohl, filha de Dave Grohl; Cruz Beckham, filho de David e Victoria Beckham; e Gene Gallagher, filho de Liam Gallagher e vocalista da banda Villanelle. A programação também recebeu o grupo December 10, formado a partir de um programa de televisão de Simon Cowell e já ligado a uma gravadora.

Por causa dessas conexões, críticos passaram a chamar informalmente o espaço de palco dos “nepo babies”, expressão utilizada para se referir a filhos de pessoas famosas que iniciam suas carreiras com maior acesso a contatos, visibilidade e oportunidades. O termo partiu de críticos e comentaristas e não é, naturalmente, uma denominação adotada pelo festival.

A Festival Republic respondeu que a programação está aberta a músicos de diferentes origens e em diferentes fases da carreira. Segundo a promotora, os artistas podem ser independentes ou contratados por gravadoras e chegar ao festival por diferentes caminhos.

Um espaço importante para novos artistas

Durante 18 anos, o BBC Introducing funcionou como uma importante porta de entrada para músicos independentes. Artistas podiam enviar suas canções diretamente à BBC, conquistar espaço nas rádios regionais e, posteriormente, ser selecionados para apresentações em grandes festivais.

A retirada do palco de Reading e Leeds, porém, não representa o fim do projeto. Em novembro, o BBC Introducing realizará uma programação especial em dez cidades do Reino Unido, como já detalhamos aqui no portal da Antena 1.

Dessa forma, a edição de 2026 do Reading and Leeds terminou deixando duas imagens bastante diferentes. De um lado, grandes apresentações e Florence Welch celebrando seus 40 anos no palco diante de milhares de pessoas. Do outro, uma discussão que deve continuar depois do festival: como os grandes eventos podem ampliar suas programações sem reduzir as portas de entrada para artistas independentes que ainda buscam seu primeiro grande palco.

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