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REINO UNIDO ESCOLHE LOOK MUM NO COMPUTER PARA O EUROVISION 2026

CONHEÇA O ARTISTA DE MÚSICA ELETRÔNICA QUE CRIA INSTRUMENTOS E FAZ MÚSICA COM FURBYS E GAME BOYS

João Carlos

19/02/2026

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Crédito da imagem: BBC/PA

O Reino Unido decidiu apostar fora da caixa. A BBC anunciou que o artista de música eletrônica Look Mum No Computer foi escolhido para representar o país no Eurovision Song Contest de 2026.

Conhecido por misturar criatividade sonora com engenharia caseira, o músico — cujo nome de batismo é Jim — tornou-se referência na cena eletrônica DIY ao criar instrumentos improváveis e produzir música a partir de dispositivos como Furbys e consoles Game Boy.

Do indie rock ao laboratório eletrônico

Antes de adotar o nome Look Mum No Computer, o artista iniciou sua trajetória na cena indie britânica como Sam Battle, vocalista da banda Zibra, que se apresentou no Glastonbury em 2015 pelo BBC Introducing.

A virada ocorreu quando abandonou o formato tradicional de banda para mergulhar na experimentação eletrônica. Sob seu projeto solo, passou a desenvolver um repertório que transita entre techno industrial, synthpunk, acid house e electro experimental, sempre com forte presença de sintetizadores modulares construídos por ele mesmo.

Mais do que um músico convencional, construiu carreira na intersecção entre arte sonora, engenharia e cultura digital. Ganhou projeção internacional ao criar instrumentos inusitados — como um órgão feito com Furbys ou sintetizadores baseados em Game Boys — documentando todo o processo em vídeos que acumulam milhões de visualizações.

Embora não seja um artista de hits radiofônicos tradicionais, seu trabalho é reconhecido pelo impacto visual e conceitual das performances. Batidas intensas, camadas analógicas e uma estética que valoriza o improviso e o caráter artesanal dos equipamentos definem sua identidade.

O perfil que o Reino Unido leva ao Eurovision, portanto, não é apenas o de um cantor: trata-se de um músico, inventor e influenciador tecnológico cuja força está tanto na música quanto na construção do espetáculo.

Inventor, criador e fenômeno digital

Look Mum No Computer consolidou sua notoriedade no YouTube ao publicar vídeos detalhando a construção de sintetizadores modulares gigantes, órgãos montados com brinquedos eletrônicos e circuitos reaproveitados.

Seu diferencial está justamente nessa proposta: transformar sucata tecnológica e cultura pop em experiências sonoras sofisticadas — e frequentemente virais.

A escolha marca um movimento incomum para o Reino Unido no Eurovision, tradicionalmente associado a produções pop mais convencionais.

A estratégia da BBC

A seleção interna foi anunciada nesta quinta-feira, 19. Segundo a emissora pública britânica, a decisão busca destacar novos talentos e ampliar a diversidade de estilos apresentados pelo país na competição.

Ainda não foram divulgados detalhes sobre a canção que representará o Reino Unido. O festival está previsto para meados de 2026, em cidade-sede a ser confirmada.

O que é o Eurovision e por que ele importa

Criado em 1956, o Eurovision Song Contest é uma das maiores competições musicais do mundo, reunindo dezenas de países e uma audiência global que ultrapassa centenas de milhões de espectadores.

Mais do que um festival, funciona como vitrine cultural e trampolim internacional. Para o artista escolhido, significa exposição imediata em escala continental. Para o país, é afirmação de identidade artística e estratégia criativa.

Em 2025, o Reino Unido apostou em um trio feminino com pop contemporâneo e forte apelo visual. Apesar da repercussão inicial positiva, o resultado ficou distante do topo, reforçando a necessidade de propostas mais marcantes.

A escolha de Look Mum No Computer para 2026 sinaliza justamente essa tentativa de romper com o previsível.

Ao longo das décadas, o Eurovision revelou talentos que se tornaram fenômenos internacionais, como o grupo sueco ABBA, vencedor em 1974, e a banda italiana Måneskin, que venceu em 2021 e conquistou projeção mundial.

Artistas como Celine Dion, que representou a Suíça, e nomes ligados ao universo do festival, como Laura Pausini, também tiveram suas carreiras ampliadas pela força do evento e pela conexão com o público europeu.

Uma aposta fora da curva

A escolha de Look Mum No Computer indica uma tentativa clara de reposicionar o Reino Unido no Eurovision com proposta mais experimental e visualmente impactante.

Se a apresentação incorporar o espírito inventivo que o tornou conhecido — máquinas personalizadas, instrumentos excêntricos e design sonoro pouco convencional —, o país poderá entregar uma das performances mais comentadas da edição.

No universo do Eurovision, onde espetáculo e identidade contam tanto quanto a música, apostar em um inventor de instrumentos pode ser exatamente o movimento que faltava.

Confira a seguir um trecho da performance de Look Mum No Computer no vídeo intitulado “Alguém na plateia pediu ‘Feel Good Inc.’, do Gorillaz, em um sintetizador modular”, que mostra o lado bem-humorado e experimental do artista.

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