RICHARD MARX REFORÇA DESPEDIDA DE ROD STEWART
O CANTOR AMERICANO ACOMPANHA DATAS DA TURNÊ “ONE LAST TIME”, ENQUANTO ROD STEWART TRANSFORMA OS SHOWS EM ENCONTROS HISTÓRICOS
João Carlos
11/06/2026
A turnê One Last Time, anunciada por Rod Stewart como sua despedida das grandes viagens internacionais, ganhou um reforço de peso: Richard Marx. O cantor e compositor americano, um dos nomes mais reconhecidos do pop adulto e das baladas românticas dos anos 1980 e 1990, foi escalado como convidado especial em datas selecionadas da agenda norte-americana do astro britânico.
A parceria já passou por apresentações recentes em Phoenix, em 8 de junho, e no Hollywood Bowl, em Los Angeles, em 10 de junho. A agenda conjunta segue com datas em locais de grande prestígio além de agosto, com apresentação listada para 5 de setembro.
A presença de Richard Marx ajuda a explicar o desenho artístico desta fase de Rod Stewart. O cantor britânico parece usar a turnê de despedida como um grande mosaico de sua própria carreira, reunindo artistas que dialogam com diferentes momentos de sua trajetória: o rock clássico, o pop radiofônico, as baladas, o repertório sofisticado dos standards e a conexão afetiva com família, amigos e parceiros de geração.
Uma parceria que saiu do estúdio para a estrada
A aproximação entre Rod Stewart e Richard Marx também ganhou uma dimensão de estúdio. Em janeiro, Marx lançou o álbum After Hours, projeto dedicado ao jazz, às grandes canções americanas e ao formato de big band. Entre as faixas está “Young at Heart”, gravada em dueto com Stewart.
A ideia nasceu depois de um encontro informal em Londres, quando Stewart sugeriu que os dois gravassem juntos. Marx relatou que, no dia seguinte, o convite foi confirmado por mensagem, com a sugestão da música que acabaria entrando no disco. O álbum foi gravado ao vivo em estúdio, com uma orquestra de 24 músicos, sem o uso de overdubs, buscando uma sonoridade orgânica e clássica.
A escolha de “Young at Heart” é significativa. A canção, associada ao repertório imortalizado por Frank Sinatra, conversa diretamente com uma área que Rod Stewart explorou com enorme sucesso nos anos 2000: o Great American Songbook. Stewart transformou esse repertório em uma fase importante de sua carreira, enquanto Marx declarou que via os discos de standards de Rod como uma referência para seu próprio mergulho em After Hours.
Essa ponte entre os dois artistas torna a presença de Marx na turnê mais coerente. De um lado, ele representa a tradição das baladas radiofônicas e do pop adulto, com canções marcadas por melodias fortes e apelo emocional. De outro, encontra em Rod Stewart um intérprete que sempre transitou entre rock, soul, pop, standards e releituras, sustentado por uma das vozes mais reconhecíveis da música britânica.
Rod Stewart reúne convidados que refletem fases de sua carreira
A turnê One Last Time não tem sido construída apenas como uma sequência de shows finais. Ela também funciona como uma curadoria da memória musical de Rod Stewart. Na etapa de 2026, além de Richard Marx, o anúncio da turnê cita Howard Jones como convidado especial em datas selecionadas. Jones, associado ao synth-pop e à new wave dos anos 1980, dialoga com uma fase em que Stewart também se aproximou do pop de arena, dos sintetizadores e da estética radiofônica que marcou a década.
Na etapa anterior da turnê pela América do Norte, em 2025, o papel de convidado especial ficou com o Cheap Trick, banda americana ligada ao power pop e ao rock de arena. A escolha se conecta ao lado mais rock de Stewart, que se consolidou antes de tudo como uma voz de impacto no rock britânico, especialmente por sua trajetória solo e por sua ligação com o Faces.
Essa lógica ficou ainda mais evidente em Glastonbury, em 2025, quando Rod Stewart ocupou o tradicional espaço de lenda do festival e recebeu Ronnie Wood, Lulu e Mick Hucknall. Wood, parceiro histórico de Stewart no Faces e integrante dos Rolling Stones, reforçou a ligação do cantor com o rock britânico dos anos 1970. Lulu e Hucknall, por sua vez, ampliaram o tom de celebração vocal e afetiva da apresentação.
Também houve espaço para um momento familiar. Em fevereiro, Ruby Stewart, filha de Rod, subiu ao palco durante um show na Flórida e cantou “Forever Young” ao lado do pai, um gesto simbólico dentro de uma fase marcada por despedidas, memórias e passagem de legado.
Uma despedida das grandes turnês, não dos palcos
Apesar do nome One Last Time, Rod Stewart tem feito questão de separar a despedida das grandes turnês de uma aposentadoria definitiva. Em entrevistas, o cantor indicou que pretende deixar para trás o formato de viagens extensas pelo mundo, mas não abandonar a música.
Aos 81 anos, Stewart não está reorganizando sua história pública, escolhendo parceiros que ajudam a contar quem ele foi — e quem ainda pretende ser artisticamente.


