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SAM SMITH MUDA DE TOM EM “HAZEL EYES”

NOVO ÁLBUM TROCA O NEON DE “GLORIA” POR FOLK, CORDAS E UM ROMANCE QUE NÃO ESCONDE AS RACHADURAS

João Carlos

24/08/2026

Placeholder - loading - Crédito da imagem: Lanna Apiskuh/WWD via Billboard
Crédito da imagem: Lanna Apiskuh/WWD via Billboard

Sam Smith não abandonou o pop, mas mudou o lugar onde a dramaticidade acontece. Lançado na sexta-feira, 21 de agosto, Hazel Eyes é o quinto álbum de estúdio da carreira, com 12 faixas distribuídas em 45 minutos. Desenvolvido ao longo de três anos, o projeto também marca a primeira vez em que Sam assume oficialmente a coprodução de um disco.

Do neon ao acústico

A mudança fica mais evidente quando o novo álbum de Sam Smith é colocado ao lado de Gloria, de 2023. Enquanto aquela fase alcançou o auge com o pop eletrônico, provocador e teatral de “Unholy”, Hazel Eyes prefere violões, pianos econômicos, guitarras de timbre empoeirado, corais e arranjos de cordas.

A sonoridade percorre folk britânico, pop barroco, country alternativo e R&B menos convencional. Feist participa de “Moondance”, o coletivo de 28 vozes The TwoCity Chorus amplia a intensidade de “Oh Mother” e Rob Moose assina as cordas cinematográficas de “Constant Companion”. A pista de dança não desaparece completamente, mas deixa de comandar a sala.

A aproximação com o estilo de cantor e compositor dos primeiros trabalhos não representa uma simples volta ao passado. Sam retoma a força das interpretações mais contidas, mas agora trabalha com uma paleta mais rústica e setentista, combinando blues, folk, soul e country. O resultado soa menos preocupado com refrões imediatos e mais interessado em criar atmosfera.

O amor mudou o roteiro

O título Hazel Eyes, que pode ser traduzido como “olhos cor de avelã”, conversa com os olhos de Christian Cowan, noivo de Sam, e com a canção que dá nome ao álbum. Smith definiu o disco como uma carta de amor ao estilista, inspiração direta de “My Guy”.

Essa perspectiva altera o motor emocional do álbum. Em In the Lonely Hour, de 2014, Sam cantava a partir de um sentimento não correspondido. Agora, o ponto de partida é um amor vivido e recíproco, embora o disco deixe claro, sem entregar demais ao ouvinte, que essa história também tem suas complexidades.

A mudança, portanto, não está apenas na sonoridade. Sam passa da busca pelo amor para uma reflexão mais madura sobre o que significa vivê-lo e preservá-lo, explorando as diferentes emoções que surgem ao longo de uma relação.

Uma campanha em fogo baixo

A campanha de divulgação, iniciada em fevereiro de 2025, muito antes do anúncio oficial de Hazel Eyes, ajuda a compreender essa mudança de estilo. Em vez de apresentar uma transformação repentina, Sam Smith construiu a nova fase gradualmente, aproximando música, imagem e vida pessoal. O espetáculo de Gloria cede espaço a uma abordagem mais íntima, sem que a intensidade desapareça. No novo álbum, ela está menos nos efeitos e mais na voz, nos arranjos e nas nuances de uma relação real. Ao transformar o próprio momento afetivo em matéria-prima para as canções, Sam expõe uma vulnerabilidade pouco filtrada e reduz, como poucas vezes na carreira, a distância entre sinceridade artística e pessoal.

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