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    São Paulo Fashion Week 2021: das passarelas até a Antena 1

    A modelo Shirley Pitta e o comandante do setor de moda da Joy, Fernando Herbert, falam sobre as transformações na indústria da moda

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    Entrevistada pela Antena 1, a modelo de 22 anos, Shirley Pitta, é original de Salvador, Bahia. Antes de adentrar oficialmente a indústria da moda e estrelar nas passarelas da São Paulo Fashion Week, ela vendia espetinhos com sua mãe na entrada do Zoológico da cidade para ajudar na renda familiar.

    Shirley Pitta
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    The Look Of The Year
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    A primeira edição do concurso original foi realizada em Nova York, no ano de 1983, pela agência Elite Model Management, que descobriu Cindy Crawford. Na época, o cenário da indústria da moda era muito diferente do atual.

    “Foi incrível [o concurso], porque havia milhares de pessoas de diversas formas: altas; baixas; muitas brancas; muitas pretas; loiras; ruivas. Me pergunto até hoje como eles conseguiram encontrar tanta diversidade. Isso fez com que eu acreditasse na moda”, declarou Pitta.

    Segundo a modelo, ver tantas pessoas diferentes a motivou a se amar da maneira que é e se apaixonar pela indústria e pelo seu potencial de permitir que os indivíduos se expressem através da maneira que se vestem.

    “Eu amo a arte e eu amo a arte na moda, por isso que eu faço o que faço”, reforça Shirley, que também conta sobre sua alegria ao ser aceita na JOY por ser exatamente quem é: “Eles entenderam que eu me sinto bem com o meu cabelo e comigo, buscando o meu ‘eu’ junto comigo.Todas as modelos deveriam sentir isso”.

    Shirley Pitta
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    “Uma hora você está fazendo um trabalho em que você está com o seu próprio cabelo e outra você está com uma peruca gigantesca, mas eu continuo sendo eu mesma em todas essas versões. Isso me faz ficar mais próxima da minha evolução pessoal”, declara.

    Shirley Pitta na SPFW

    Pitta contou à Antena 1 um pouco sobre como chegou à São Paulo Fashion Week. Ao chegar em sua “agência mãe”, a JOY, a jovem se mudou para São Paulo, onde ficou na “casa das modelos” da empresa, local em que as moças selecionadas moram juntas durante o processo de audições para marcas.

    “Costumam falar que há brigas entre as meninas que moram juntas, mas todas se tornam companheiras, não concorrentes. Treinávamos desfile juntas e sonhávamos juntas sobre o futuro”, declara com saudosismo na voz.

    Shirley Pitta
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    Em 2021, o evento se deu de forma híbrida. Assim, a modelo falou sobre as principais diferenças entre dominar as passarelas sem e com a presença do público:

    “Quando tem gente olhando, sinto a presença, ouço os murmurinhos e sinto muita vida no local. Com o desfile virtual, eu estava muito consciente de mim mesma, dos meus movimentos e das roupas”.

    Mas, 2020 foi um ano muito importante para a moda, uma vez que se fizeram necessários novos meios e estratégias para inovar os eventos virtuais, reinventando a moda e introduzindo mais criatividade nos desfiles.

    Transformações na SPFW

    A edição anterior da SPFW teve um importante diferencial: havia uma cota obrigatória de modelos de diferentes etnias que as marcas cumpriram em todos os desfiles. A premissa é a mesma em 2021 e, a ela, é somada a preocupação do evento com o meio ambiente.

    Pluralidade de corpos

    Fernando Herbert, que comanda o setor de moda na Joy Management, declara que, “há 20 anos atrás, nós vivíamos com um padrão inatingível de beleza estabelecido, com uma indústria muito nichada. Não conseguíamos nos sentir representados como conseguimos, um pouco mais, atualmente”.

    Fernando Herbert

    “Antes, o padrão de ‘modelo’ para participar de um evento como o São Paulo Fashion Week, ou para ter uma carreira bem sucedida, era mulheres loiras, magras e altas”, diz Herbert. Recentemente, para o profissional, a indústria começou a dar importância à pluralidade dos corpos, trazendo mais verdade ao trabalho, à moda, ao público e ao cliente.

    “Para Shirley; uma mulher preta, baiana, que saiu da cidade dela para morar em São Paulo e viver esse processo de mudança, sentir-se pertencente e ver que tem voz e tem seu próprio espaço é muito gratificante”, declara ele. “Ainda temos muito caminho pela frente, mas estamos seguindo na direção certa”.

    Herbert elogiou especialmente o Projeto Sankofa, em apoio a empreendedores racializados, e o desfile da marca Meninos Rei, que ocorreu na última quinta-feira (18) na SPFW. Confira a apresentação:


    O comandante do setor de moda na Joy foi pioneiro em levar pessoalmente o Sankofa para os Estados Unidos, buscando estender o alcance do ideal de representatividade racial e de corpos do projeto.

    Sobre a iniciativa, Shirley Pitta também teve o que falar. “Arte é resistência e existência. Eu quero vestir uma roupa que qualquer corpo também pode vestir”, afirmou a modelo.

    A importância de projetos com este viés, para Herbert, é gigante. “A pauta principal é a seguinte: de que forma vamos mudar uma situação que é vigente no Brasil há tantos anos? Há quanto tempo enxergamos pessoas pretas apenas em posições inferiores?”, questiona ele.

    Assim, testemunhar edições da SPFW que demonstram preocupação em trazer mais pluralidade às passarelas é de suma importância.

    Sustentabilidade na SPFW

    Um dos objetivos da edição de 2021 da SPFW é identificar núcleos diversos, criativos e sustentáveis ao redor do Brasil. Assim, o evento espera dar mais um passo em direção à transformação sustentável e social, impulsionando uma visão plural e com espaço para diversos personagens diferentes.

    SPFW
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    A iniciativa foi muito importante para Pitta e Herbert, defensores do consumo consciente. “Não é apenas sobre a evolução visual, é também sobre a evolução de causas sociais e do que precisamos comunicar. Temos que nos vestir bem, mas é necessário saber cuidar do nosso planeta”, declara a modelo.

    “Desde 2019, era possível observar que a moda estava evoluindo para algum lugar”, conta Herbert. O profissional da Joy afirma que a moda chegou a um momento em que se tornou inadmissível ter ou apoiar posturas erradas e associar-se a marcas que não respeitam o meio ambiente ou que não valorizam sua mão de obra.

    Para ele, as mudanças positivas que vêm atingindo a indústria também impactaram a SPFW: “2019 foi um ensaio, 2020 foi uma preparação e 2021 é o show”, opina Herbert. “Ainda temos rupturas que não conseguiram ser quebradas, mesmo depois de todos os movimentos que ocorreram, mas estamos no caminho certo”, afirma.

    Shirley Pitta termina com chave de ouro: “Agora estamos em um movimento muito bonito e forte, não podemos nos separar, nem parar de pedir pelo mínimo. A luta é dolorosa no começo, mas é assim que vamos conseguir atingir algo maior”.

    Qual o seu momento favorito da SPFW?

    SPFWShirley Pitta: “Meu momento favorito é a fila de modelos para entrar na passarela, no começo do desfile. Onde nos olhamos e pensamos ‘é agora’”.

    Fernando Herbert: “O meu momento favorito é quando vejo meu primeiro modelo entrando na passarela, por que eu luto tanto por isso e vê-los representados é muito especial”.

    Serviço

    • O concurso The Look Of The Year tem sua final de 2021 no dia 9 de dezembro. Para participar, clique aqui.
    • A Joy Management não representa apenas modelos, mas também carreiras de outros tipos de artistas.

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