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Sistema computacional prevê risco cardíacos e necessidade de implante de desfibrilador

O estudo foi divulgado na última edição da revista especializada European Heart Journal.

Letícia Furlan

28/03/2019

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Pesquisadores americanos desenvolveram um sistema computacional que prevê o risco de batimentos cardíacos irregulares. O novo sistema, que obteve resultados iniciais positivos, oferecerá aos médicos uma ferramenta preventiva. Através dele, por exemplo, seria possível identificar pacientes com maior probabilidade de se beneficiar do uso de desfibrilador implantável.

Inicialmente, a pesquisa foi feita para ajudar no tratamento de pessoas que sofrem com cardiomiopatia ventricular direita arritmogênica (CAVD). Estima-se que uma a cada 5 mil pessoas apresenta o problema, que é uma doença hereditária complexa. Embora rara, ela é causa frequente de morte súbita de adultos jovens.

Na maioria dos casos, a CAVD pode ser tratada com o uso de um desfibrilador cardioversor implantável – CDI, na sigla em inglês, é um dispositivo que detecta anormalidades elétricas no músculo cardíaco e, por meio de choque, reanima imediatamente o coração para restabelecer o ritmo normal. Apesar de os equipamentos previnirem a morte cardíaca súbita, eles carregam riscos e efeitos colaterais, segundo os pesquisadores. Há o risco de choques inapropriados, de falhas pelo uso prolongado, de ocorrência de infecções e o desgaste da bateria. Esses problemas geram a necessidade de substituição do aparelho por meio de cirurgia.

“Obter um CDI é uma grande decisão com sérias consequências. Como os pacientes desenvolvem essa condição em uma idade jovem, eles normalmente precisam de várias substituições do CDI ao longo da vida”, detalha, em comunicado, Cynthia A. James, professora na Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e principal autora do estudo.

O sistema computacional nasceu, então, de uma tentativa de encontrar uma forma de identificar os pacientes que têm necessidade maior de usar o aparelho. Para os autores, a invenção poderá ajudar os médicos a escolher o tratamento dos pacientes da melhor forma possível. “Se alguém está em risco de morte cardíaca súbita, você não quer perder a chance de colocar um dispositivo salva-vidas. Mas você também não quer sofrer esse risco se não valer a pena”, diz Hugh Calkins, professor de cardiologia da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e um dos pesquisadores.

“Esse novo modelo pode ajudar médicos e pacientes a decidir melhor se um CDI é garantido”, finaliza o médico.

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