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STEWART COPELAND REVÊ A CARREIRA EM NOVO DOCUMENTÁRIO

“COPELAND” CHEGA AO RAINDANCE NESTA SEXTA; EM ENTREVISTA, MÚSICO DIZ MANTER BOA RELAÇÃO COM STING APESAR DA DISPUTA DE ROYALTIES

João Carlos

19/06/2026

Placeholder - loading - Crédito da imagem: Divulgação/Stewart Copeland
Crédito da imagem: Divulgação/Stewart Copeland

Stewart Copeland volta aos holofotes por duas frentes. O documentário Copeland, dirigido por Pablo Aragüés, tem sessões no Festival de Cinema de Raindance, em Londres, nesta sexta-feira, 19 de junho, e no sábado, 20. Ao mesmo tempo, repercute uma entrevista concedida pelo baterista à Billboard sobre sua convivência atual com Sting e a disputa judicial envolvendo os royalties do The Police.

Uma trajetória contada pelo próprio músico

Com 74 minutos de duração, Copeland acompanha o artista durante uma apresentação na Itália e em conversas registradas em seu estúdio, em Los Angeles. O músico assume a narrativa em primeira pessoa, enquanto fotografias e materiais de seu acervo ajudam a reconstruir uma carreira de mais de cinco décadas.

O filme passa pela infância de Copeland em Beirute e Londres, pela formação e ascensão do The Police e pela fase posterior ao grupo. Depois da banda, ele se estabeleceu como compositor de trilhas para cinema e televisão e ampliou seu trabalho para óperas, balés, orquestras e videogames.

A proposta é menos a de apresentar uma biografia convencional e mais a de acompanhar a inquietação criativa do baterista. Copeland fala sobre música, família, influências e os caminhos que encontrou para continuar produzindo depois do encerramento da fase mais intensa do trio.

Um dos momentos mais pessoais recupera a entrada do The Police no Rock & Roll Hall of Fame, em 2003. No documentário, Copeland recorda que esperava celebrar a conquista com Sting e Andy Summers, mas terminou a noite frustrado depois que os colegas deixaram o evento. O trio havia se reunido para tocar durante a cerimônia.

A amizade continua, mas o estúdio permanece distante

Em entrevista publicada pela Billboard na quinta-feira, 18 de junho, Copeland afirmou que ele, Sting e Andy Summers mantêm uma relação tranquila. Segundo o baterista, as conversas atuais passam por filhos, assuntos cotidianos e conteúdos compartilhados pelas redes sociais — bem longe das discussões criativas que marcaram os anos do The Police.

Copeland também tratou a ação judicial com certo distanciamento. Ele explicou que o caso é conduzido por profissionais responsáveis pelas contas e pelos contratos em Londres, sem impedir o contato pessoal entre os antigos companheiros. Para o músico, a convivência funciona justamente porque os três já não precisam disputar decisões dentro de um estúdio.

A conversa com a revista ocorreu durante a turnê de palestras Have I Said Too Much? — The Police, Hollywood and Other Adventures. O espetáculo combina relatos, fotografias, vídeos e perguntas do público sobre a banda e a carreira de Copeland no cinema e na música instrumental. Leia aqui a matéria na íntegra.

O que está em disputa no tribunal

Apesar das manchetes iniciais associarem o processo diretamente à autoria de “Every Breath You Take”, a discussão apresentada ao Tribunal Superior de Londres é mais ampla. O ponto central é saber se antigos acordos sobre royalties de arranjador também abrangem os valores gerados atualmente por streaming e downloads.

Copeland e Summers sustentam que os acordos lhes garantem 15% de determinadas receitas editoriais provenientes da exploração das músicas. A defesa de Sting argumenta que o documento mais recente, firmado em 2016, limita esses pagamentos às chamadas receitas mecânicas ligadas à fabricação de discos, sem incluir o streaming, classificado por ela como execução pública.

Durante uma audiência realizada em janeiro, os advogados de Sting informaram que ele já havia pago mais de 595 mil libras, equivalentes a cerca de 800 mil dólares, por determinadas diferenças históricas reconhecidas. Esse pagamento, porém, não representa concordância com toda a reivindicação de Copeland e Summers, que alegam ter mais de 2 milhões de dólares a receber.

O caso mostra como contratos elaborados durante a era do vinil podem ganhar interpretações diferentes no mercado digital. Enquanto os representantes discutem números e termos jurídicos, Copeland procura separar o conflito financeiro da história pessoal construída com Sting e Summers.

O lançamento em Londres de Copeland reforça justamente esse contraste. O documentário revisita as tensões de uma das maiores bandas do rock, mas também apresenta um artista que encontrou novos caminhos muito além do The Police.

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