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    Indicado de Trump para Suprema Corte nega acusação de crime sexual; professora diz ter 100% de certeza

    Por Lawrence Hurley e Andrew Chung e Amanda Becker

    WASHINGTON (Reuters) - Ao lutar para preservar sua indicação para a Suprema Corte dos Estados Unidos, Brett Kavanaugh negou nesta quinta-feira, com raiva e lágrimas nos olhos, a acusação de uma professora universitária de que ele a agrediu sexualmente há 36 anos, depois que ela disse em uma audiência dramática no Senado que tem '100 por cento de certeza' de que ele é culpado.

    Christine Blasey Ford, que por vezes teve a voz embargada pela emoção, apareceu em público pela primeira vez para detalhar sua acusação contra Kavanaugh, um juiz conservador de uma corte de apelações escolhido pelo presidente Donald Trump para o cargo vitalício de juiz na Suprema Corte dos Estados Unidos. Ford disse ao comitê que temia que Kavanaugh a estuprasse ou a matasse acidentalmente durante a suposta agressão quando os dois eram estudantes de ensino médio no Estado de Maryland.

    Kavanaugh depôs após Ford terminar sua participação, e eles não ocuparam a mesma sala de audiência ao mesmo tempo.

    'Eu juro hoje, diante do Senado e do país, diante da minha família e de Deus, eu sou inocente desta acusação', disse Kavanaugh ao Comitê Judiciário.

    Se colocando como uma vítima de 'um assassinato grotesco e óbvio de reputação', Kavanaugh falou de maneira emocionada que negava 'categórica e inequivocamente' a alegação de Ford.

    'Não serei intimidado a me retirar desse processo', acrescentou ele.

    Kavanaugh em alguns momentos engoliu o choro, especialmente quando mencionou que sua filha sugeriu que eles rezassem por Ford, ou quando falou de seu pai ou mencionou suas amigas que se reuniram para apoiá-lo.

    A audiência de grande relevância poderia determinar se Kavanaugh será ou não confirmado pelo Senado depois de armada uma batalha política entre os colegas republicanos de Trump e os democratas.

    Ford, uma professora de psicologia na Universidade de Palo Alto, na Califórnia, disse em mais de quatro horas de depoimento que Kavanaugh, embriagado, a atacou e tentou remover suas roupas em uma reunião de adolescentes em Maryland quando ele tinha 17 anos e ela 15 em 1982.

    Kavanaugh disse que queria depor assim que a alegação de Ford apareceu, e não se surpreendeu com outras alegações que seguiram. 'Nesses 10 longos dias, como foi previsto e como eu previ, minha família e meu nome foram totalmente e permanentemente destruídos por acusações adicionais maldosas e falsas'.

    O atraso para marcar uma audiência 'foi horrível para mim e para a minha família, para a Suprema Corte e para o país', disse Kavanaugh.

    Parecendo melancólico, Kavanaugh estava acompanhado por sua esposa enquanto entrou na sala de audiência. Ele atacou diretamente senadores democratas, uma atitude incomum para um juiz indicado à Suprema Corte, dizendo que ele era vítima de um 'golpe político calculado e orquestrado' depois que parecia que ele seria confirmado no cargo. Ele acusou os democratas de 'mentirem enquanto esperavam' as alegações de Ford, apenas revelando-as em público depois que sua audiência de confirmação original havia terminado.

    Ele foi cuidadoso em não criticar Ford, ressaltando que não desejava a ela 'mal nenhum'. Kavanaugh disse que não questionava que Ford havia sido sexualmente agredida por alguma pessoa em algum lugar em algum momento, mas que ele nunca havia agredido ninguém.

    A audiência, que prendeu a atenção do público norte-americano e intensificou a polarização política nos Estados Unidos, ocorre em meio ao movimento #MeToo contra os assédios e agressões sexuais.

    'Com qual grau de certeza você acredita que Brett Kavanaugh te agrediu?', perguntou o senador democrata Richard Durbin a Ford.

    'Cem por cento', respondeu, mantendo-se firme e serena por horas de depoimento mesmo quando foi questionada por um procurador de crimes sexuais contratado pelos republicanos do comitê.

    Ford disse 'absolutamente não' quando a senadora democrata Dianne Feinstein perguntou se poderia ser um caso de erro de identidade, como Kavanaugh sugeriu.

    Democratas receberam o depoimento de Ford como digno de confiança, corajoso, e, nas palavras do senador Cory Booker, 'nada menos do que heróico'.

    'Eu gostaria de agradecê-la por sua coragem. E quero dizer que acredito em você (...) E acredito que muitos americanos por todo o país acreditam em você', disse a senadora democrata Kamala Harris.

    Enquanto alguns republicanos e Trump classificaram as alegações de Ford e de outras duas mulheres como parte de uma campanha de difamação, Ford disse ao comitê que não tinha motivações políticas, acrescentando, 'Eu sou uma pessoa independente e não sou uma marionete'.

    Ford estava sentada em uma mesa na sala de audiência lotada, apoiada por seus advogados, de frente para uma tribuna de senadores. As câmeras da imprensa clicaram enquanto ela adentrou o salão e tomou seu assento, sorrindo nervosamente. Ford disse a senadores que estava 'aterrorizada' em ter de depor, mas que sentia que era seu dever cívico se pronunciar. O público da audiência assistiu a tudo com enorme atenção.

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    Indicado de Trump à Suprema Corte nega alegação de assédio; acusadora quer depor

    Por Lawrence Hurley e Susan Heavey

    WASHINGTON (Reuters) - Brett Kavanaugh, indicado à Suprema Corte pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou nesta segunda-feira as alegações de que teria abusado sexualmente de uma mulher há 36 anos de 'completamente falsas', enquanto a advogada da acusadora disse que a mulher está disposta a depor diante de uma comissão do Senado que deve votar a indicação do juiz nesta semana.

    Em um dia de acontecimentos rápidos, todos os 10 integrantes democratas do Comitê Judiciário do Senado, que está supervisionando o processo de confirmação de Kavanaugh, enviaram uma carta pedindo que a votação marcada para quinta-feira seja adiada para que o FBI possa investigar a alegação.

    Christine Blasey Ford acusou Kavanaugh de atacá-la e despi-la no início dos anos 1980, quando ambos cursavam o ensino médio.

    'Essa é uma alegação completamente falsa. Nunca fiz nada como o que a acusadora descreve -- a ela ou a qualquer um', disse Kavanaugh em comunicado emitido pela Casa Branca. 'Como isso nunca aconteceu, eu não tinha a menor ideia de quem estava fazendo essa acusação até ela se identificar ontem', disse Kavanaugh.

    'Estou disposto a conversar com o Comitê Judiciário do Senado de qualquer forma que o comitê considerar apropriada para refutar essa alegação falsa, de 36 anos atrás, e defender minha integridade', acrescentou.

    Kavanaugh, cujo comunicado foi o segundo negando a alegação, mas o primeiro desde que Christine se identificou publicamente, esteve na Casa Branca na manhã desta segunda-feira, afirmou uma autoridade da Casa Branca.

    A acusação ameaça complicar sua indicação, que precisa ser aprovada primeiro pelo Comitê Judiciário do Senado e depois por toda a Casa, que tem uma pequena maioria de correligionários de Trump. Uma votação do comitê está agendada para quinta-feira, poucas semanas antes das eleições parlamentares de novembro.

    Alguns republicanos do comitê disseram que a acusadora deveria ter a oportunidade de contar sua história, visão ecoada por Kellyanne Conway, uma das principais assessoras da Casa Branca.

    Em entrevistas veiculadas por redes de televisão na manhã desta segunda-feira, Debra Katz, advogada de Christine sediada em Washington, disse que sua cliente gostaria de falar publicamente.

    Indagada se isso incluiria um depoimento sob juramento em uma audiência pública com senadores, Debra respondeu no programa 'This Morning', da CBS: 'Ela está disposta a fazê-lo, ela precisa fazê-lo'.

    Mas seus comentários deram a entender que qualquer audiência pública poderia ser explosiva. Christine, hoje uma professora na Califórnia, acredita que as supostas ações de Kavanaugh foram uma 'tentativa de estupro', e 'que se não fosse pela embriaguez extrema de Brett Kavanaugh, ela teria sido estuprada', disse sua advogada no programa 'Today', da NBC.

    Debra disse à CBS que Christine havia bebido uma cerveja, mas que não estava bêbada.

    Chuck Grassley, presidente do Comitê Judiciário do Senado, planeja conversar com Kavanaugh e sua suposta vítima antes da votação agendada, de acordo com o porta-voz do comitê.

    A senadora Lisa Murkowski, uma de duas republicanas do comitê, disse à CNN na noite de domingo que o organismo 'pode ter que cogitar' debater um possível adiamento.

    Jeff Flake, seu colega de partido no comitê, exortou este a adiar a votação até ouvir Christine, e outro republicano do comitê, Lindsey Graham, acolheu a proposta de um depoimento da acusadora, mas disse que isso deveria 'ser feito imediatamente para que o processo continue como programado'.

    (Reportagem adicional de Doina Chiacu)

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